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Lavrov: Para retomar acordo de grãos, Rússia precisa de “garantias e não promessas”

Segundo o chanceler russo, os Estados Unidos e seus aliados são os responsáveis pela dificuldade em restabelecer o acordo

Juan Pablo Duch
La Jornada
Moscou

Tradução:

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Após uma reunião na capital russa na última quinta-feira (31), ficou claro que Serguei Lavrov e Hakan Fidan, chanceleres da Rússia e da Turquia respectivamente, não puderam se pôr de acordo sobre qual das duas propostas para facilitar a exportação de cereais a partir do mar Negro deve ser discutida como prioritária por seus líderes, Vladimir Putin e Recep Tayyip Erdogan, em seu próximo encontro. 

Na entrevista coletiva que ofereceram ao terminar suas conversações, Fidan defendeu que não há alternativa à Iniciativa Alimentar do Mar Negro, alcançada com a mediação da Turquia e da Organização das Nações Unidas (ONU) em julho de 2022 e suspendida pela Rússia em 18 de julho último em razão do descumprimento de regras.

Rússia e Turquia articulam novo acordo para garantir envio de grãos a países pobres

“Com a ativa assistência da Turquia, a ONU preparou um pacote com novas propostas sobre o pacto de cereais. Consideramos que podem servir como uma boa base para reanimar o acordo”, afirmou o chanceler turco, que acrescentou: “Vamos insistir. Este acordo é extremamente importante tanto para a segurança alimentar mundial como para a estabilidade e a paz na região do Mar Negro”. 

O ministro russo de Relações Exteriores, por sua vez, confirmou que o secretário geral da ONU, Antonio Guterres, entregou a ela suas novas iniciativas durante a cúpula dos BRICS, na África do Sul, celebrada de 22 a 24 de agosto, e disse que a Rússia precisa de “garantias e não promessas” para restabelecer o pacto dos cereais.

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“Quando não forem só promessas, mas sim garantias sólidas, com resultados concretos, se restabelecerá no mesmo momento a instrumentação desse pacote de propostas em sua totalidade. […] Por ora tudo se limita a promessas. Não há uma só garantia”, afirmou Lavrov.

Segundo o chanceler russo, os Estados Unidos e seus aliados são os responsáveis pela dificuldade em restabelecer o acordo

MRE Russo
Lavrov defende a ideia de selar um acordo trilateral entre Rússia, Turquia e Qatar para exportar grãos russos a países mais pobres

Lavrov aponta responsáveis

Segundo Lavrov, os Estados Unidos e seus aliados são os responsáveis pela dificuldade em restabelecer o pacto dos cereais, pois impedem que se cumpram as exigências russas. 

A Rússia, mencionando uma de suas demandas, quer que se incorpore sem restrições o banco agrário da Rússia, o Roszeljozbank, ao sistema de transferências internacionais SWIFT e, segundo divulgado, a ONU propôs que a Rússia instaure uma filial desse banco exclusivamente para transações relacionadas com o pacto dos cereais. Porém, o Kremlin recusou a ideia, da mesma forma que a contraoferta de que as transferências sejam feitas através do Afreximbank, acrônimo em inglês do Banco Africano de Importação e Exportação.

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Lavrov promoveu com insistência a ideia de selar um acordo trilateral – Rússia, Turquia, Qatar – para exportar um milhão de toneladas de grãos russos, que empresas turcas adquiririam a preço subsidiados e uma vez convertidos em farinha a mandariam aos países mais necessitados, com o emirado do Golfo Pérsico financiando as operações.

Comenta-se que em 20 de agosto, em Budapest, capital da Hungria, celebrou-se um encontro dos três países, no qual podem ter delineado um possível acordo. Porém, na quinta-feira (31), o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, assegurou que “ainda não há nenhum acordo concreto acerca de uma via alternativa para exportar cereais a partir do mar Negro”. 

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Os presidentes Putin e Erdogan terão que decidir por alguma das propostas que foram defendidas por seus chanceleres e, ante a possibilidade de que nenhum dê a braço a torcer, as respectivas diplomacias trabalham para que a reunião não resulte em um fracasso concreto. 

Além disso, reafirmou também na quinta-feira o compromisso da Rússia em cumprir todos os acordos para aumentar a exportação de gás natural à Turquia e aos países europeus que estejam interessados. 

Moscou está disposto a dirigir para a Turquia o gás que agora não pode fornecer pelos gasodutos Nord Stream 1 e 2, criando na região turca de Trácia um centro de distribuição do combustível azul para Europa, um projeto que oferece benefícios a ambos os países.

Novo vídeo de Prigozhin

Dia antes de cair seu avião, o falecido chefe dos mercenários Wagner, Yevgueni Prigozhin, assegurou que “tudo vai bem” em um vídeo que o canal Grey Zone divulgou na última quinta-feira pelo Telegram, jogando mais gasolina no fogo das especulações de que os “verdadeiros traidores da Rússia” mataram o malogrado magnata, enterrado em São Petersburgo em meio a estritas medidas de segurança e sem as honras militares que lhe corresponderiam por ter recebido a condecoração de Herói da Rússia. 

“Para os que debatem se estou vivo ou não, como vão as coisas, é fim de semana, segunda metade de agosto de 2023, estou na África. Por isso, aos aficionados a falar sobre minha morte, minha vida privada, quão rico sou ou outras coisas desse tipo, lhes direi que tudo vai bem”, afirma Prigozhin, levantando uma mão em sinal de saudação, sentado com uniforme de camuflagem em um veículo militar. 

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Parece uma variante descartada da mensagem, também gravada no mesmo cenário, que se difundiu a partir da África, a primeira e única a partir da falida rebelião de seus mercenários, em 24 de junho, quando Prigozhin deixou de fazer vídeos nas redes sociais. 

A intenção do Grey Zone e dos demais canais associados aos Wagner que reproduziram o vídeo nesta quinta-feira, é dar a entender que Prigozhin não tinha a intenção de regressar a Moscou e que “alguém lhe armou uma armadilha fazendo-o vir de urgência à Rússia”, onde no mesmo dia em que voltou, e depois de reunir-se com funcionários do governo, decidiu voar até São Petersburgo, sua cidade natal, quando seu avião caiu por causa ainda desconhecida. 

Esta hipótese circula amplamente nestes canais, que criticam as autoridades por não divulgarem qualquer progresso na investigação realizada pelo Comitê de Investigação Russo e por rejeitarem a oferta do fabricante do jato Embraer danificado para colaborar na análise de caixas pretas e outros aspectos técnicos.

Juan Pablo Duch | La Jornada, especial para Diálogos do Sul – Direitos reservados.
Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Juan Pablo Duch Correspondente do La Jornada em Moscou.

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