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Foto: Governo da China

Líder em Taiwan empurra compatriotas para situação perigosa de guerra, afirma China

Declaração do porta-voz do Ministério de Defesa da China, Wu Qian, foi dado no âmbito dos exercícios militares do país nas proximidades da ilha da Taiwan nos últimos dias
Daniel González Delgadillo
La Jornada
Pequim

Tradução:

Beatriz Cannabrava

No último sábado (25), o exército da China concluiu seus exercícios militares de dois dias ao redor de Taiwan, nos quais simulou ataques com bombardeiros e praticou a abordagem de barcos, informaram meios estatais e as agências de notícias internacionais. A série de manobras foi qualificada pelo novo governo da ilha, encabeçado por Lai Ching-te, como “flagrante provocação” à ordem internacional. As forças armadas “completaram com êxito” a operação denominada Espada conjunta-2024A, indicou um apresentador da cadeia CCTV-7, o canal estatal dedicado à atualidade militar e de defesa do país. Um comentário no diário oficial do exército popular de libertação confirmou que haviam durado dois dias as operações militares, como estavam programadas. 

Barcos de guerra, aviões militares, soldados e inclusive lançadores de mísseis foram mobilizados para rodear Taiwan para estas manobras militares. Na quinta-feira à noite, o exército publicou um vídeo, citado pela agência AFP, no qual se viam caminhões lançadores de mísseis prontos para disparar, oficiais a bordo de barcos de guerra olhando com binóculo os barcos taiwaneses e soldados fardados proclamando sua lealdade ao Partido Comunista da China.

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As autoridades taiwanesas indicaram que detectaram, também na quinta, dezenas de barcos e 111 aeronaves, entre elas caças Su-30 e bombardeiros H-6 com capacidade nuclear, das quais 46 cruzaram a linha média do estreito que separa as duas áreas. As manobras se desenvolveram principalmente no norte, sul e leste da ilha, de acordo com a intenção das autoridades chinesas de provar sua capacidade para “tomar o poder” e controlar as áreas estratégicas.

“A recente provocação unilateral da China não só socava o status quo de paz e estabilidade no estreito de Taiwan, mas é também uma flagrante provocação à ordem internacional, que suscitou uma séria preocupação e condenação por parte da comunidade internacional”, afirmou Karen Kuo, porta-voz do escritório presidencial taiwanês, em um comunicado. 

O ministro de Defesa da ilha, Wellington Koo, retornou ao estado normal o que sua pasta denominou como centro de operações de guerra, e pediu ao pessoal da área que continuasse “aumentando suas capacidades de combate reais”.

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Os exercícios começaram na quinta-feira, três dias após Lai assumir o cargo com um discurso denunciado pelo gigante asiático como uma “confissão de independência”. No mesmo dia, o porta-voz do Ministério de Defesa da China, Wu Qian, acusou o líder secessionista de estar “empurrando nossos compatriotas de Taiwan a uma perigosa situação de guerra”.

A China – e mais de 180 países – considera Taiwan como uma província chinesa, a qual ainda não conseguiu reunificar ao seu território desde o final da guerra civil e a chegada do Partido Comunista ao poder no continente em 1949. 

Espera-se que o ministro da Defesa chinês, Dong Jun, e seu par estadunidense, Loyd Austin, se reúnam nesta semana em uma importante conferência de defesa em Singapura, informou o Pentágono em um comunicado.

La Jornada, especial para Diálogos do Sul – Direitos reservados.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.

Daniel González Delgadillo

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