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Líderes progressistas pedem liberdade para Assange e reforçam luta por liberdade de imprensa

Rede destaca importância do material revelado pelo WikiLeaks, dando conta de “processos de extorsão, espionagem, operações encobertas, desestabilização e ataques armados contra civis”
Armando G. Tejeda
La Jornada
Madri

Tradução:

Numa declaração conjunta, divulgada na conta de Twitter da aliança progressista, os signatários exigem a liberdade de Julian Assange, fundador do WikiLeaks, e afirmam que a decisão do Tribunal de Westminster (Reino Unido), da passada sexta-feira (10), “abre sérios precedentes na violação do direito humano à liberdade de expressão e informação”.

O documento sublinha a importância do material revelado pelo WikiLeaks, dando conta de “processos de extorsão, espionagem, operações encobertas, desestabilização e inclusive de ataques armados contra civis”.

“Até ao aparecimento destes documentos, o Estado norte-americano reservava-se o direito a definir o tempo e os conteúdos dos documentos que podem ser mostrados ao público em geral (e quais permaneceriam ocultos)”, frisam.

Rede destaca importância do material revelado pelo WikiLeaks, dando conta de “processos de extorsão, espionagem, operações encobertas, desestabilização e ataques armados contra civis”

Garry Knight
Existem protestos por todo mundo pedindo a liberdade de Julian Assange

Neste sentido, os signatários apontam o “paradoxo” de a ação do WikiLeaks, em vez de ser aplaudida, “ter desencadeado uma série de punições, que incluem a acusação, difamação, desmoralização, estigmatização e criminalização de Assange”.

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“Este processo de humilhação e difamação transcende definitivamente um indivíduo, para se tornar um corretivo a nível internacional, mostrando passo a passo a crueldade que o sistema instituído pode atingir, para evitar que alguém se atreva a fazer algo semelhante”, denunciam, sublinhando que, “em última instância, visa paralisar o instinto e o direito à busca da verdade, instilando o medo”. Para os signatários da declaração, “ao aceitar este pedido, a Justiça britânica reforça a extraterritorialidade do braço jurídico norte-americano, que, por meios legais, ilegais, diretos ou indiretos, consegue intervir em processos judiciais noutros estados”.

Entre os subscritores do texto, para quem “a prisão de Assange é o triunfo da opressão, do silêncio e do medo”, contam-se Dilma Rousseff e Lula da Silva, ex-presidentes do Brasil, Fernando Lugo, ex-presidente do Paraguai, Ernesto Samper, ex-presidente da Colômbia, Guillaume Long, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros do Equador, Andrés Arauz, ex-candidato à presidência do Equador, e Verónika Mendoza, ex-candidata à presidência do Peru.

Defesa vai recorrer da decisão

O fundador do WikiLeaks está preso na cadeia britânica de máxima segurança de Belmarsh desde que o governo equatoriano de Lenín Moreno o entregou às autoridades britânicas, em Abril de 2019.

Na sexta-feira passada, o Tribunal Superior de Londres deu luz verde à extradição de Julian Assange para os Estados Unidos, aceitando o recurso norte-americano contra um veredicto anterior.

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Washington requereu a extradição de Assange para o julgar por “espionagem” e “conspiração para obter e divulgar informações da defesa nacional”, em virtude da informação divulgada pelo WikiLeaks — como crimes de guerra cometidos por militares norte-americanos no  Médio Oriente e na Ásia Central.

A defesa de Assange anunciou que iria recorrer da decisão judicial para o Supremo Tribunal. Em caso de extradição, Julian Assange pode ser condenado a 175 anos de prisão nos EUA, tendo em conta as 17 acusações que enfrenta, relacionadas com a lei de espionagem norte-americana.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Armando G. Tejeda Mestre em Jornalismo pela Jornalismo na Universidade Autónoma de Madrid, foi colaborador do jornal El País, na seção Economia e Sociedade. Atualmente é correspondente do La Jornada na Espanha e membro do conselho editorial da revista Babab.

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