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Lula organiza "operação de guerra" com FAB e ministros para socorrer povo Yanomami

Segundo o presidente, tragédia poderia ter sido evitada e "atual governo vai honrar o compromisso de cuidar e respeitar os indígenas"
Plinio Teodoro
Revista Fórum
São Paulo (SP)

Tradução:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu ministros e o comandante da Força Aérea Brasileira (FAB) Brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno na manhã desta segunda-feira (30) para montar uma força-tarefa na defesa do povo indígena Yanomami, vítima de um projeto genocídio de Jair Bolsonaro (PL) em conluio com garimpeiros que atuam na região.

Além do comandante da FAB, participaram da reunião o ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, além de Sônia Guajajara (Povos Indígenas), Alexandre Padilha (Relações Institucionais) e Silvio Almeida (Direitos Humanos), o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Swedenberger Barbosa, e a futura Presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), deputada federal Joenia Wapichana.

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O objetivo é montar uma verdadeira operação de guerra para evitar o extermínio perpetrado pela política higienista de Bolsonaro nas aldeias Yanomami especialmente em Roraima, território que é alvo de cobiça de garimpeiros incitados pelo ex-presidente.

Em entrevista ao Fórum Café nesta segunda-feira (30), a pesquisadora Iraildes Caldas Torres, Diretora do Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e especialista na cultura Yanomami, afirmou que o número de garimpeiros na região pode chegar a 70 mil – mais de três vezes o número de Yanomami, que tem uma população estimada em 20 mil indígenas.

Segundo o presidente, tragédia poderia ter sido evitada e "atual governo vai honrar o compromisso de cuidar e respeitar os indígenas"

Lula – Flickr
Lula criou o Comitê de Coordenação Nacional para discutir e adotar medidas em articulação entre os poderes




Força-tarefa

Neste domingo (29), Lula divulgou um vídeo sobre o que viu no território Yanomami durante sua visita. “A tragédia com o povo Yanomami poderia ter sido evitada. O atual governo vai honrar o compromisso de cuidar e respeitar os indígenas. As ações emergenciais já estão em curso”, escreveu na publicação.

Após a decretação de emergência de saúde pública, Lula criou o Comitê de Coordenação Nacional para discutir e adotar medidas em articulação entre os poderes para prestar atendimento a essa população. O plano de ação deve ser apresentado no prazo de 45 dias, e o comitê trabalhará por 90 dias, prazo que pode ser prorrogado.

Genocídio Yanomami: a naturalização do mal e o nazifascismo anunciado de Bolsonaro

O secretário de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde, Weibe Tapeba, que ficou em Roraima e embarcou para Surucucu, disse que as equipes estavam fazendo uma verdadeira operação de guerra para resgatar os doentes.

Na primeira semana, ao menos mil indígenas foram resgatados e atendidos. Na segunda-feira (23), 12 profissionais da saúde, vinculados à Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS), chegaram a Roraima para reforçar os atendimentos na Casa de Saúde Indígena (Casai), unidade que enfrentava superlotação: havia 715 indígenas internados, o dobro da capacidade de 300 vagas.

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Neste domingo (29), novas imagens divulgadas em reportagem de Sônia Bridi e Paulo Zero no Fantástico voltaram a chocar o povo brasileiro.

Eles viram de perto a distribuição de remédios e alimentos – e mostraram o resgate de mulheres e crianças doentes.

De acordo com a reportagem, o maior problema está na parte Norte, onde está a maior concentração de garimpo no Território Yanomami e onde, neste momento, estão dos pelotões especiais de fronteira do Exército.

O garimpo avançou por dezenas de quilômetros na região do Homoxi a partir de 2017. A pista da Sesai foi tomada pelos garimpeiros, que expulsaram a equipe de saúde e usaram o posto como depósito de combustível.

Em 2022, policiais federais estiveram lá e destruíram máquinas do garimpo. Os garimpeiros, em represália, botaram fogo no posto de saúde.

Plínio Teodoro | Revista Fórum


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Plinio Teodoro

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