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Maior desafio pós-pandemia é a educação. Alta do desemprego faz crianças deixarem escola

A falta de percepção da urgência é abissal, assim como a falta de percepção do que é esse governo de ocupação
Paulo Cannabrava Filho
Diálogos do Sul
São Paulo (SP)

Tradução:

A educação já estava um desastre, sem rumo, sem um projeto nacional integrado e integrador. Começou a piorar a partir do golpe jurídico-parlamentar-militar de 2016 (que depôs uma presidenta sem que tenha cometido qualquer crime) com a ideia neoliberal de que educação é um negócio, dizem que é preciso diminuir a presença do Estado.

Hoje conhecemos que o possível novo ministro da (des)educação será Renato Feder. Homem ligado ao ensino privado e que já defendeu o fim do MEC, o mesmo ministério que poderá coordenar. Está bem alinhado com o chefe dele.

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O desmonte vem de longe, mas desde 2018 se agregam novos fatores desagregadores da gestão pública da educação. O governo de ocupação passa a ideologizar a educação a partir de uma concepção de vida criacionista e terraplanista — seja lá o que quer dizer essa loucura. 

A falta de percepção da urgência é abissal, assim como a falta de percepção do que é esse governo de ocupação

Reprodução: Winkiemedia
Onibus escolar abandonado simboliza a educação brasileira

Dos quatro ministro que passaram pelo ministério, o melhor, sem dúvida, foi o último: o ministro relâmpago que nada fez. Alvíssaras! Ficamos um tempo sem nenhuma bomba destruidora do sistema nacional de educação.

Quem sofre com isso é a população, que vê, impotente, a perda do sagrado direito à Educação. Educação é um direito do cidadão e um dever do Estado, como consta em nossa Constituição.

Nesse contexto, o recolhimento compulsório imposto pela pandemia está tendo efeitos desastrosos entre os alunos: evasão escolar, desalento, desaprendizagem.

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Sem escolas

Três meses com as escolas fechadas. Nem o Ministério da Educação, nem as Secretarias estaduais e municipais de Educação tem um projeto pedagógico apropriado para o isolamento. Decidiram pelo Ensino à distância que não funciona. O atual novo futuro ministro da (des)educação, inclusive, montou um sistema ineficaz no Paraná, onde é secretário da Educação.

Não funciona nas duas pontas. Na do aluno, por falta de recurso (equipamentos e sinal web deficiente) e de estímulo. Do outro lado, os professores não foram preparados nem equipados para esse tipo de método de ensino. Não conseguem estimular os alunos. 

Desestimuladas, as crianças, os jovens, acabam se envolvendo nas tarefas domésticas, que são muitas e os pais não dão conta. Com o saco cheio de não fazer nada, os mais velhos vão à rua à caça do que fazer. Então, a evasão escolar que já era das mais altas do mundo, torna-se mais dramática.

Este é o grande desafio do momento em meio a essa tríplice crise que nos assola. 

Como recuperar esse imenso atraso? Uma multidão de jovens desqualificados para o trabalho e engrossando a massa de analfabetos funcionais.

Temos que repensar a escola porque esse modelo que está aí não dá mais, está mais que provado a falência do modelo.

Desigualdade

Os ricos não estão nem aí. Têm recursos em casa, os pais são preparados e as escolas não deixaram de atender os alunos, pagam professores particulares, enfim, sem maiores problemas que, talvez, a prorrogação do período escolar.

A classe média, aquela pequena burguesia desamparada, ou seja, pessoas que pensam que são privilegiadas mas, na realidade o que são é desideologizadas, se afundam cada vez mais no abismo da pobreza — de espírito e de falta de dinheiro, falta de perspectiva do que fazer da vida.

O dono de boteco, do pequeno negócio, a cabeleireira, a prestadora de serviços, os empregados em pequenas e medias empresas, todos estão sob o desespero da depressão econômica, com a renda reduzida no limite da sobrevivência. 

Metade da população ativa está fora do mercado de trabalho. A outra metade, com exceção dos 10% de ricos e remediados, está com o salário reduzido, desempregada ou já no desamparo — sem possibilidade de voltar a trabalhar. Em suma, já são dois terços da população na pobreza ou na miséria.

É um caldo de cultivo para a disseminação de vírus, bactérias, desnutrição e morte! 

E ainda tem a Covid

A Covid já matou 62 mil. Entre os mortos, os negros são 2,5 vezes mais. 10 milhões não conseguiram se inscrever para receber os míseros R$ 600, que não paga o aluguel de um quarto num cortiço.

Quantos serão os mortos pelas outras causas advindas da falta de governo? 40, 60 mil são mortos por ano pela violência do Estado ou pelo estado de violência da sociedade.

Gente, muito cuidado. Desemprego, deseducação e desalento são caldo de cultivo também para o autoritarismo, o messianismo. 

Lembrem-se que o porta-voz do governo de ocupação acredita ser o próprio Messias, só porque tem Messias no nome e o apoio das denominações neopentecostais.

Fogo no país

Na Amazônia, junho bateu o recorde com 2.250 focos de queimadas. Os grileiros e os garimpeiros, à margem da lei e da humanidade, estão ocupando mananciais e terras indígenas. 

A Covid e as balas de metralhadora estão dizimando as aldeias de nossos povos originários. 

Insensíveis a tudo isso, os militares se dão um aumento de 73%. Procuradores e juízes se confrontam em luta por poder, os parlamentares aprovam transformar a água em mercadoria e os partidos políticos discutem eleições, quem vai ser candidato a que.

O aumento salarial dos militares vai custar R$ 1,3 bilhões em 2020 e 26 bilhões em cinco anos. O ministro da Defesa diz que é sustentável. É! Deve ser. 

Para o povo, os R$ 600 serão reduzidos para R$ 500 e depois para R$ 300. Tiraram dinheiro das universidades e centros de pesquisa, reduziram o orçamento até da saúde, em plena crise sanitária. É daí que sai o dinheiro?

Urge derrubar o governo

A falta de percepção da urgência é abissal, assim como a falta de percepção do que é esse governo de ocupação. Como veio, para que veio.

Estão perdidos os gestores da economia deste governo de ocupação. Completamente perdidos. Não sabem o que fazer.

Vejamos um só exemplo: o déficit primário (sem contar o que se gasta com os juros da dívida) que em 2019 era R$ 13 bilhões, em maio de 2020 deu um salto para R$ 131,4 bilhões. 

Em 12 meses, o déficit primário chegou a R$ 300,5 bilhões, quando a previsão, da Lei Orçamentária aprovada era fechar em torno de R$ 100 bilhões até o fim deste ano. 

Enquanto a arrecadação — a receita — caiu 42%, os gastos subiram 68% de um ano para outro. Veja que os dados são de maio, sem contar os estragos que a paralização da Covid está causando.

O Brasil precisa parar com essa loucura e incompetência. 

Quando o inimigo é contra a nação, é a nação que deve se unir para derrubar o governo. Temos, como já vimos em outras eras, conjuntura externa favorável como nunca. Internamente, todas as condições estão dadas e só depende do Supremo.

Aproveitar o momento em que começa haver percepção no meio militar. São sintomáticas as declarações do general Santos Cruz: “O problema do presidente é que é cercado de bandidinhos vagabundos”.  Nós já estamos cansados de saber disto, mas é bom que essa percepção sensibilize os militares. 

Sem a neutralidade ou participação dos militares fica mais difícil derrubar o governo. Frente Ampla é isso. Junta todo mundo que está contrariado e derruba o governo.

É preciso anular a eleição e colocar no Planalto um Comitê de Gestão de Crise, formado por governadores estaduais, ministros do judiciário e sábios de reconhecida competência nas diferentes áreas da administração.

Recuperar a Soberania Nacional e preparar o país para uma nova eleição. Essa é a questão.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Paulo Cannabrava Filho Iniciou a carreira como repórter no jornal O Tempo, em 1957. Quatro anos depois, integrou a primeira equipe de correspondentes da Agência Prensa Latina. Hoje dirige a revista eletrônica Diálogos do Sul, inspirada no projeto Cadernos do Terceiro Mundo.

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