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Mais de 3 milhões de pessoas correm risco de despejo durante a pandemia nos Estados Unidos

Mais de 15 milhões de inquilinos disseram também estar devendo a renda devido os efeitos da pandemia
Redação AbrilAbril
AbrilAbril
Lisboa

Tradução:

O Partido Republicano bloqueou, na sexta-feira passada, o prolongamento até 18 de Outubro da moratória sobre os despejos que o Centro para o Controlo e Prevenção da Doença lançou em Setembro do ano passado.

A administração liderada por Biden tinha anunciado na quinta-feira, dia 29, que iria permitir o fim da proibição dos despejos a nível nacional, afirmando que a queria ver prolongada, devido ao número crescente de infecções por coronavírus, mas que tinha as mãos atadas, depois de o Supremo Tribunal ter apontado, em Junho, que a moratória sobre os despejos não poderia ser prolongada para lá de Julho sem a intervenção do Congresso, indica a Associated Press.

Neste sentido, as forças progressistas culparam pelo “falhanço” não apenas os republicanos, mas também a atual administração na Casa Branca, por não ter “agido a tempo”, tendo acusado Biden de se ter pronunciado apenas três dias antes do fim da moratória e não ter dialogado com o Congresso.

Como resultado desta situação, milhões de pessoas poderão ser despejadas de suas casas. De acordo com estimativas avançadas pelo Peoples Dispatch, pelo menos 3,6 milhões de inquilinos em todo o país afirmaram estar em risco de despejo nos próximos dois meses por causa de pagamentos de renda em atraso. Mais de 15 milhões de inquilinos em cerca de 6,5 milhões de casas disseram também estar a dever a renda por causa dos efeitos da situação de pandemia.

Mais de 15 milhões de inquilinos disseram também estar devendo a renda devido os efeitos da pandemia

Lund News
Manifestante segura cartaz com os dizeres: "Cancelem os alugueis ou pessoas irão morrer".

Walter Smolarek, editor do Liberation News, ligado ao Partido pelo Socialismo e Libertação, disse ao Peoples Dispatch que o fim da moratória sobre os despejos “constitui uma enorme crise para os trabalhadores” nos Estados Unidos. “Não só milhões de pessoas estão em risco de ver negado o seu direito fundamental à habitação, como o fim da moratória ocorre quando as infecções por Covid-19 estão a aumentar”, sublinhou.

Embora tenha referido que as moratórias estaduais e locais vão continuar em vigor por agora, Smolarek afirmou que em zonas dominadas pela direita a “onda de despejos pode ser ainda maior e mais brutal”. Também referiu que as ajudas federais destinadas aos senhorios não foram atribuídas.

De acordo com os números oficiais, apenas três mil milhões dos 46,5 mil milhões de dólares aprovados pelo Congresso como ajuda, em Dezembro de 2020, chegaram aos senhorios.

A luta crucial que se avizinha

“A luta contra os despejos é uma frente fulcral da luta de classes nos Estados Unidos”, destacou Smolarek, acrescentando que o movimento de base no terreno está a organizar-se para lutar contra os despejos e repor a moratória a nível federal.

“Mesmo com a legislação em vigor, os senhorios conseguiam descobrir lacunas ou então violavam a lei às claras e efetuavam os despejos. As pessoas têm-se organizado em associações de inquilinos e redes de resposta para impedir as autoridades de as expulsar das suas casas”, disse.

A congressista democrata Cori Bush tem estado a participar num protesto, nas escadas do Capitólio, em Washington, DC, desde 31 de Julho, para exigir ao Congresso que se reúna para evitar a crise.

Bush, que já foi uma sem-abrigo, quando era mãe solteira, muito antes de se tornar congressista, tem sido uma das vozes mais destacadas na exigência do prolongamento da moratória e do cancelamento do pagamento de todas as rendas.

E criticou os seus colegas congressistas, também do seu partido, por terem saído da capital federal para gozar as férias, ignorando a crise em curso e a que se avizinha.

As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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