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Massacre da nação Mapuche na Argentina

Revista Diálogos do Sul

Tradução:

Duas centenas de policiais armados com apetrechos de guerra, prendendo as pessoas, batendo nelas, arrastando pelo chão e algemando mulheres, meninos e meninas da pequena comunidade mapuche de Cushamen, circundada em um raio de muitos quilômetros para que ninguém pudesse se aproximar, concretizaram a ameaça que foi divulgada pela imprensa em 09/01).

Horacio Verbitsky*
horacio-verbitsky-01Os que pensaram que se tratava de um exagero já podem tomar nota: o governo nacional argentino cumpre algumas de suas promessas e nisso não tem divergências com o governador de Mário das Neves. E, de onde se retira o Estado Providência, assume com sua horrível máscara, o Estado Penitência, segundo a precisa definição do sociólogo francês Loic Wacquant.
comunidade mapuche de CushamenO juiz federal de Esquel, Guido Otranto, autorizou a polícia a remover os troncos, galhos e outros objetos que obstaculizavam a rota do velho Expreso Patagônico La Trochita, nestas terras usurpadas pela transnacional da moda Benetton, mas esclareceu em comunicado que não tinha ordenado a detenção de ninguém. Claro que não se preocupou com controlar o cumprimento da ordem e a polícia respondeu a suas ordens como costumam. Havia elementos de sobra para prever isso:

– a insistência do presidente Mauricio Macri em anunciar um combate contra o terrorismo que aqui não existe mas que, tal como o narcotráfico, serve de pretexto  para o controle social quando a economia se afunda na estagflação que o governo desandou desde o primeiro dia;

– o relatório de gestão do ministério de Segurança que não considera as reivindicações dos povos originários, um direito constitucional e um delito federal e se vangloria de observá-lo e reprimi-lo;

– a infiltração de agentes de inteligência federal e da polícia estadual que estão sob processo por isso;

– as consultas com o hospital de El Maitén sobre se tem capacidade para atender a feridos com gravidade;

– a viagem de Patricia Bullrich a Israel para importar a parafernália repressiva e a doutrina para seu uso;

– os releases enviados à imprensa canalha associado à Resistência Ancestral Mapuche com os cartéis mexicanos da droga ou as guerrilhas colombianas;

– o convênio firmado pelo governo com a Guarda Nacional do estado norte-americano de Georgia, que a ponta de lança do Comando Sul para penetrar nos países hipersensíveis sem despertar o rechaço que provocaria o desembarque direto de tropas militares;

– os conceitos desse mesmo Comando Sul com os quais o presidente Macri ordenou desenvolver as melhores relações, pra ver se assim consegue algum dólar, sobre as novas ameaças à segurança (de Estados Unidos) contidas no indigenismo.

Os que pensaram que fosse um exagero, que se preparem, porque este é o roteiro do governo nacional. Da detenção ilegal de Milagro Sala em Jujuy à repressão miserável contra mulheres e crianças mapuche em Chubut, nisso consiste a mudança que a metade mais um não soube conseguir.
*Jornalista argentino, colabora com Diálogos do Sul. Foto de Resumen Latinoamericano.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
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