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Mentira de semeadores de ódio não é informação, é uma arma da guerra híbrida

Converteram a desinformação em uma arma crucial, e aos meios em armas de destruição em massa, permitindo devastação e crimes pelo terrorismo imperial
Stella Calloni
Diálogos do Sul
Buenos Aires

Tradução:

A pandemia da desinformação e manipulação, a perversidade do terrorismo midiático para tratar de seguir prendendo  populações cativas, continua como se nada acontecesse no mundo, e se converte em um crime de lesa humanidade. A mentira midiática é uma arma de guerra. 

A realidade, que nestas situações limite se sobrepõe aos jogos malditos da guerra psicológica, determina que a maioria dos meios de comunicação de massa no nível global sejam manejados neste período histórico a partir do centro imperial o qual, por sua vez, hegemoniza a revolução tecnológica das comunicações e da informática. 

Isto está dentro de seu projeto de conseguir o manejo absoluto de uma comunicação estratégica de nível global, e como parte essencial das guerras de todo tipo que o sistema imperial nos impõe. 

“As técnicas científicas de comunicação, potencializadas em escala massiva e planetária pelos grandes conglomerados midiáticos do capitalismo,  criaram as bases para sua utilização em estratégias de manipulação e de controle social desenvolvidas a partir dos objetivos da dominação imperial-capitalista”, assinala o analista especializado Manuel Freytas.

Nessa escala têm sob seu controle os mesmo grupo de poder que acompanharam os projetos depredadores, neoliberais, coloniais, de um capitalismo sem máscara e que fizeram cúmplices de seus delitos universais à maioria dos que se deram em chamar comunicadores “independentes”, quando não o eram. 

Converteram a desinformação em uma arma crucial, e aos meios em armas de destruição em massa, permitindo devastação e crimes atrozes, como os cometidos no mundo pelo terrorismo imperial, como as recentes guerras coloniais do século XXI. 

Converteram a desinformação em uma arma crucial, e aos meios em armas de destruição em massa, permitindo devastação e crimes pelo terrorismo imperial

Geledés
"Estratégias de manipulação e de controle social desenvolvidas a partir dos objetivos da dominação imperial-capitalista”

Ditadura midiática

A ditadura midiática não dá trégua, não se detém diante de uma tragédia destas dimensões, e conta com a maioria dos meios de comunicação de massa no nível global, que continuam tratando de confundir, com um esquema perverso de manipulação, cada dia mais próximo do discurso do fascismo mais primitivo, o que produz longas listas de vítimas, que na linguagem desse poder hegemônico são convertidos em algozes. 

Como tais aparecem as mensagens diárias, elaboradas em todos os casos nos centros de poder imperial, para confundir e paralisar importantes setores de uma sociedade prisioneira.

Os que se deixam apanhar pela mensagem depredadora do ser humano e adoecem de desumanidade, os que impossibilitados de escolher entre mensagens manipuladas e outras apegadas à realidade, a que os grandes setores populares não têm acesso, caem na rede do ódio. 

No meio deste furacão de notícias falsas, de ofertas mercenárias, há uma maioria de jornalistas, comunicadores, cineastas, documentaristas que resistem e criam formas de comunicação, como se fazia nos tempos das catacumbas, para enfrentar o ódio e acompanhar os despossuídos. 

Se a rede de notícias falsas se interrompesse, se fosse imposta uma quarentena para a circulação da mentira vendida como informação – quando a essência da divulgação informativa é a verdade à qual todos os povos do mundo têm direito, e que é a verdadeira “liberdade de expressão” – o mundo em crise seria diferente. 

Discurso fascista

O discurso do fascismo, que aparecia nas brumas do passado com linguagens refinadas e perversas, hoje é sem enfeites, brutal, o que se conjuga com os efeitos de entretenimentos destruidores da cultura, em uma verdadeira guerra colonizadora de consciências para fomentar ódios, perseguições, guerras e conformar a rede de negacionistas. 

Propor uma quarentena para evitar a pandemia do vírus do ódio e da notícias falsa, dos informes aterrorizantes, como se isso ajudasse a humanidade, em um encerro que transcorre entre a paralisia do medo e da impotência, e a possibilidade de uma informação veraz que pacifique e ajude a controlar a incerteza e a desesperança. 

O jornalismo tem hoje como nunca uma responsabilidade histórica de cumprir sua função de informar com a verdade, servindo à humanidade e cumprindo com seu iniludível compromisso ético de respeitar a legislação internacional, na qual fica estabelecido como norma que a informação veraz é um direito ganho pelos povos do mundo. 

Os partidos políticos e suas lideranças também devem cumprir com seu dever de impedir que continue a pandemia da mentira, já que existem normas constitucionais e internacionais éticas para deter esse açoite de um capitalismo em decadência. 

O mesmo que não admite que hoje é impossível continuar com a acumulação e concentração de riqueza em um nível que nunca havia sucedido no mundo, enquanto milhões de pessoas são condenadas à lenta morte da fome e do abandono absoluto dos estados párias. 

A depredação ambiental é também um crise de lesa humanidade protagonizado pelos donos do poder que destroem tudo à sua passagem, não importa quantas vidas custe, para fazer aumentar suas fortunas, custodiada pelo armamento mais destrutivo de todos os tempos, constituindo a ação de maior poder letal do terrorismo econômico-ambiental. 

Há montanhas de mortos atrás de cada palácio construído com as riquezas acumuladas sem controle, mas ninguém fala desse tema, enquanto as sociedades são induzidas à inércia absoluta sob a velha e nunca descartada doutrina Goebbels (Joseph), que com outros subterfúgios e engendros tecnológicos reconstrói em cada tempo a matriz cada vez mais aperfeiçoada e mais medíocre do fascismo. 

Isto é a guerra psicológica, a de Quarta Geração mediante a qual se produz a maior intervenção cultural contra nossos povos, como são a desinformação e a manipulação, os espetáculos de “entretenimento” que lobotomizam e zumbificam (o perfeito zumbi social) e conseguem que antes de escrever, uma criança aprenda a “matar”. 

Em geral o alvo dos perversos jogos de morte da internet é um índio, um negro, um árabe, um latino, um presunto terrorista, e cada impacto de suas supostas balas é festejado como um triunfo. São as “belezas” fatais e mortíferas engendradas pelo capitalismo em sua verdadeira essência. 

A pandemia do coronavírus têm deixado ao desnudo esta realidade, que continua sendo ocultada pela mentira. A maior parte dos meios atua como comandos de mercenários “matando” psicologicamente o “inimigo”, perseguido, degradado, humilhado pela injustiça sem limites do sistema. 

“Na Guerra Psicológica (coluna vertebral da Guerra de Quarta Geração, sem uso de armas) as operações com unidades militares são substituídas por operações com unidades midiáticas”, diz também Freytas.

Todo dirigente político, todo governo que se apoie no povo, que decida pela pátria, pela soberania efetiva, pela independência, a honra e a dignidade, pela defesa de seus recursos naturais, é um alvo nesta guerra. 

Também o são os jornalistas que se ajustam às regras do jornalismo, os militantes, os dirigentes populares, os que resistem à violência imperial e a seus esbirros de turno que se impõem nos governos para fazer o trabalho sujo de entregar países e recursos, como traidores da pátria que são. 

Digamos que nada disto é discutido pela nossa imprensa deste século XXI, à qual se inoculou o vírus de uma pandemia alucinante, a da ambição sem limites, até vender a alma ao diabo, para que ele a habite definitivamente.

É tempo do nunca mais para a mentira 

“Neste clima de fim de ciclo, e para cúmulo pandêmico, neste mundo de miragens temos que encontrar estratégias para recuperar a verdade. Porque, sem ela, não poderemos viver”, diz o escritor mexicano Juan Villoro.

Para recuperar a verdade é necessária uma unidade monolítica do jornalismo e dos trabalhadores da imprensa para denunciar perante organismos internacionais que protegem o direito dos povos a um informação veraz, e pautar as imprescindíveis normas éticas que devem reger a profissão. 

Se a mentira e a manipulação da informação são armas letais como está demonstrados nestes tempos aziagos e em documentos como os que definem as regras de uma Guerra de Quarta Geração, é o momento do Nunca mais. 

Semear o ódio é um gesto de violência extrema e transforma boa parte da sociedade em um batalhão perdido de zumbis, que terminam matando sem culpa, destruindo sem consciência e devorando-se a si mesmos em sua integridade humana. 

Stella Calloni, intelectual e jornalista argentina, colaboradora da Diálogos do Sul

Tradução: Beatriz Cannabrava /Ana Corbusier


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Stella Calloni Atuou como correspondente de guerra em países da América Central e África do Norte. Já entrevistou diferentes chefes de Estado, como Fidel Castro, Hugo Chávez, Evo Morales, Luiz Inácio Lula da Silva, Rafael Correa, Daniel Ortega, Salvador Allende, etc.

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