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Mercado especulativo do mundo continua crescendo muito!

Revista Diálogos do Sul

Tradução:

Josep Xercavins Valls*

Josep Xercavins Vall Artigos Diálogos do Sul
Josep Xercavins Valls é professor da Universitat Politècnica de Catalunya e presidente da Asociación Proyecto Gobernanza Democrática Mundial

Talvez minhas fontes de informação e de análise não estejam bem atualizadas e o que comentarei neste artigo de hoje seja já bem conhecido e esteja recebendo interessantes avaliações e opiniões. Mas, pelo menos, se não fosse exatamente assim e porque, de toda maneira considero que para o cidadão normal que se informa e quer estar informado – para entender um pouco mais em que mundo de loucos vivemos -,estas notícias e avaliações não chegam, vou fazer o possível hoje para comentar, dentro das minhas limitações por causa do tema de que se trata, uma notícia ( é muito mais que uma notícia!) que acho que deveria ter sido, pelo menos, amplamente difundida e comentada na maioria dos meios de comunicação sérios do mundo. Verdadeiramente, custo a entender porque não foi assim. E que assim continue acontecendo a cada três anos!

A notícia seguramente deveria ter, teria, tem um encabeçamento (em naturalmente muito – muito – menos palavras jornalísticas) que poderia ser:

O Banco Internacional de Pagamentos (BIP – BIS) acaba de tornar público (setembro de 2013) seu “Estudo tri-anual sobre o volume de negócio no mercado de divisas mundial (FOREX)”: esse volume aumentou 35% em relação ao de 2010, e 61 % com relação ao de 2007. Esse volume já se aproxima, em 2013, a 25 vezes o valor do PIB mundial! E o artigo, em seguida, deveria começar recordando que:

1. O Forex (Foreign Exchange), o mercado de intercâmbio de divisas mundial, é um dos mercados financeiros NÃO regulados do mundo, não o único nem muito menos, mas um dos mais importantes por dois motivos: a) pelo volume de negocio (provavelmente, neste caso, o 2 º em importância ) e b ) por sua grande influência sobre o funcionamento do sistema monetário internacional e, portanto, por ser um dos principais geradores de crises financeiras, no nível de valor e de quantidade de uma moeda ou moedas. Neste último sentido é, provavelmente, um dos instrumentos mais poderosos em mãos das novas – por como e onde operam – oligarquias financeiras para fazer, em cada momento no mundo, suas políticas especulativas em favor de seus interesses acumulativos. Georges Soros foi um dos primeiros a utilizá-lo – e, sobretudo em explicá-lo com todos os detalhes -, para fazer uma operação com grandes lucros que fez balançar toda uma “libra esterlina”.

2. Seu funcionamento é gerido – é uma gestão  principalmente técnica que torna possível que o contínuo intercâmbio possa ser realizado e que, além disso, evolua tecnologicamente de forma que a frequência de operações eletrônicas de intercâmbio seja, a cada dia que passa, mais elevada – , por uma companhia privada. Esta companhia privada, porém, tem claras (deveríamos dizer obscuras, claro!) ataduras  no conselho de administração, com pessoas de não pouco poder político do  Banco Internacional de Pagamentos ( BPI – BIS ) e da Reserva Federal dos EEUU , por citar um par de exemplos. Não podemos esquecer que o dólar estadunidense continua sendo a referência comum do sistema monetário internacional atualmente em funcionamento.

3. Sendo um mercado NÃO regulado e gerido por uma empresa privada tecnológica (com todos os parênteses que possamos e queiramos por nisso) teoricamente não se sabe, e nós seguramente não sabemos, o que acontece regularmente nele. Podemos observar efeitos, mas é pouca a informação que temos; atualmente sabemos, por exemplo, que as moedas de alguns países emergentes do BRICS sofrem fortes ataques especulativos por meio deste mercado.

4. Mas veja bem, a cada três anos o BPI – BIS (que se auto-define como uma espécie de Banco Central dos bancos centrais do mundo e que tem sua sede na Basiléia – Basel -) faz um profundo estudo para estimar o valor de negócio médio em um dia, também médio, do mês de abril do ano do estudo em questão. Há poucos dias fui publicado o de 2013, como se vem fazendo a cada três anos  desde 1998. Em minha opinião, as manchetes principais podem ser tiradas do que o estudo já deu. Seus links principais:

http://www.bis.org/;
http://www.bis.org/publ/rpfx13.htm; http://www.bis.org/publ/rpfx13fx.pdf

nos quais a tabela 1 do terceiro link é a fundamental; e onde os trilhões de dólares da mesma são bilhões na Europa.

Toda esta “noticia” é tão importante e permite fazer tantas análises e extrair tantas conclusões que o espaço e tempo ficam curtos. Mas há uma dessas conclusões que é tão evidente e, no meu modo de ver, tão – tão – importante que não posso deixar de destacá-la muito explicitamente em forma de outro possível “título deste artigo de hoje”:

Onde está indo parar, operar, uma quantidade relativamente muito importante do dinheiro público que foi resgatado e continua sendo resgatado pelos sistemas financeiros privados? Pois, provavelmente, de formas indiretas a mercados não regulados e especulativos, como o FOROS, que não têm parado de crescer significativa, e eu diria que escandalosamente,  desde antes, já no começo “oficial” (2007 da crise financeira em que estamos imersos.

Haveria, há, no entanto! Outras manchetes importantes. Que poderíamos colocar à parte e das quais se derivariam outros artigos. Por exemplo, não menos importante, em tempos em que se fala tanto de taxas sobre as transações  financeiras , FTT ( por sua denominação inglesa : Financial Transaction Tax ), que seria aplicada a este mercado concreto recebeu e poderia continuar recebendo (dentro do conjunto de todas as demais e como uma una FTT a mais) a denominação de taxa sobre as transações de divisas, CTT ( por sua denominação inglesa : Currency Transaction Tax ) . E já que temos em mãos números atualizados, a outra manchete que deveríamos colocar é a da arrecadação que estaria dando agora uma CTT. Jornalisticamente falando com, sempre, muito menos palavras:

Aplicando uma taxa, uma CTT-FTT, de 0,005 % ( como a que propunha Banki Moon durante 2008 – antes da percepção real da crises – e para financiar a conquista dos ODMs ) no mercado de transação de divisas , seriam arrecadados, anualmente, em torno de US$675.000.000.000, ou seja, 27 vezes o orçamento total anual de todo o sistema das Nações Unidas (ação humanitária, …, programas e agências especializadas incluídas). Estas quantias podem nos deixar mais ou menos desacomodados. Mas rapidamente podemos reacomodar-nos. Pomos embaixo da quantia anterior só um dado: o já citado orçamento anual, (em ordem de magnitude) total de funcionamento do sistema das Nações Unidas (administração geral, ação humanitária e capacetes azuis, programas principais – PNUD,…, e agências especializadas – FAO,…)

US$ 675.000.000.000 (arrecadados pela CTT e FTT)

US$25.000.000.000 (orçamento total do sistema das Nações Unidas)

É necessário dizer mais alguma coisa?

*Josep Xercavins Valls é Professor UPC (Universitat Politècnica de Catalunya). Presidente da apGDM (asociación proyecto Gobernanza Democrática Mundial)

 


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
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