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México se posiciona contra TIAR e exige que tráfico de armas na fronteira com os EUA acabe

Washington tem feito muito pouco para frear a entrada de armas dos Estados Unidos para o México, fundamentalmente pelas fronteiras comuns
Redação Prensa Latina
Prensa Latina
Cidade do México

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México criticou hoje o pouco que Washington fez para eliminar o tráfico de armas, repudiou a invocação do Tratado de Assistência Recíproca (TIAR) pela OEA contra a Venezuela, e recusou ser terceiro país seguro em tema migratório.

Na conferência matutina do presidente  Andrés Manuel López Obrador no Palácio Nacional, o convidado principal foi o secretário de Relações Exteriores, Marcelo Ebrard, para que desse detalhes de sua reunião com o vice-presidente Mike Pence em Washington sobre migração e tráfico de armas.

A esse respeito coincidiu com o mandatário em qualificar o encontro como um sucesso para o México enquanto os Estados Unidos reconheceram os avanços conseguidos pelo governo nos compromissos de 7 de julho para frear o fluxo migratório.

Exemplificou com o dado que diz que a redução do fluxo migratório de junho até o presente foi de 58,7 por cento no total, sendo destes 79,3 por cento de migrantes centro-americanos, 7,2% mexicanos e os demais de outras nacionalidades.

Washington tem feito muito pouco para frear a entrada de armas dos Estados Unidos para o México, fundamentalmente pelas fronteiras comuns

Wikimedia Commons
O presidente do México López Obrador

No entanto, o chanceler admitiu que Washington tem feito muito pouco para frear o tráfico de armas dos Estados Unidos para o México, fundamentalmente pela fronteira comum no Texas, Califórnia e Arizona e disse que 70 por cento dos crimes cometidos no país são ocasionados por armas adquiridas nos estados vizinhos.

Devido ao “pouco ou quase nada” de esforço por parte da Casa Branca para frear o tráfico de armas, Ebrard anunciou que o México fará uma revisão mensal das ações do governo estadunidense contra esse grande problema e exigirá maiores esforços para deter o fluxo ilegal de armamento.

“Os Estados Unidos têm que fazer mais, o que se faz é muito pouco ou talvez nada. Necessitamos que as autoridades norte-americanas, como o Escritório de Aduanas e Proteção Fronteiriça que criticou as ações do México, façam o que lhes corresponde segundo os acordos bilaterais, inclusive uma revisão para que não sejam portadas armas”.

Anunciou que na revisão mensal que fará o Subgrupo Binacional de Tráfico de Armas, do Grupo de Alto Nível sobre Segurança México-Estados Unidos, será detalhado o tipo de armas que entram no país e o delito ao qual estão vinculadas.

“O México exigirá resultados em reciprocidade ao que fazemos em matéria migratória”, afirmou.

Assinalou que ficou claro na reunião que o controle do tráfico de armas na fronteira tem para o México o mesmo nível de prioridade que a migração para os Estados Unidos.

Em resposta a uma pergunta sobre o TIAR o chanceler ratificou a posição exposta por seu representante na OEA e recordou que o México renunciou a esse mecanismo em 2002 por estar defasado e continua igual porque não há uma ameaça extracontinental para a América para invocá-lo.

Insistiu que a posição do México com respeito à Venezuela permanece igual e reiterou que o conflito interno deve ser resolvido pela via pacífica, pela negociação e sem se imiscuir em seus assuntos internos. O chanceler remeteu os jornalistas à nota da chancelaria e à posição do seu representante na OEA.

Da mesma forma, reiterou que nem o governo do México, nem o Congresso da República aceitarão a pretensão dos Estados Unidos de convertê-lo em terceiro país seguro com respeito à migração e que será mantida a posição conhecida sobre o tema, a qual difere da que tem Washington.

*Tradução: Beatriz Cannabrava

**Prensa Latina, especial para Diálogos do Sul — Direitos reservados.

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