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Moeda sul-americana vai reduzir custos e superar barreiras, anunciam Lula e Fernández

Brasil e Argentina vão reativar "vários espaços de cooperação e diálogo", afirmaram ainda os mandatários em carta conjunta
Redação Página 12
Página 12
Buenos Aires

Tradução:

O presidente Alberto Fernández e seu par do Brasil, Luiz Inácio “Lula” da Silva, confirmaram hoje que avançam na criação de uma “moeda sul-americana comum” no contexto da “aliança bilateral” entre ambos os países; reivindicaram “a paz e a democracia” e condenaram todas as formas de “extremismo antidemocrático” e de “violência política” na região.

Os mandatários publicaram um texto no diário Perfil como antessala da agenda que compartilharão amanhã na reunião que ambos manterão como parte da visita de Lula ao país para a VII Cúpula da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac).

Na mensagem, que escreveram conjuntamente, indicaram que decidiram “avançar nas discussões sobre uma moeda sul-americana comum que possa ser usada tanto para os fluxos financeiros como comerciais, reduzindo os custos operativos e nossa vulnerabilidade externa”.

Nessa linha, instaram a “simplificar e modernizar as regras e fomentar o uso das moedas locais” para assim “superar as barreiras” nos intercâmbios.

Também destacaram que o encontro de amanhã entre ambos será o primeiro “em mais de três anos” entre as duas nações e comemoraram que a VII Cúpula da Celac, que se realizará terça-feira, marcará “o regresso do Brasil a este mecanismo de diálogo e articulação regional”.

A partir de ambos os encontros, anunciaram que relançarão “a aliança bilateral”, reativando “vários espaços de cooperação e diálogo”.

“São múltiplas as áreas em que voltaremos a trabalhar juntos em temas importantes para a qualidade de vida de nossas populações, como a luta contra a fome e a pobreza, a saúde, a educação, o desenvolvimento sustentável, a mudança climática e a redução de todas as formas de desigualdade”, afirmaram.

Os mandatários consideraram ainda, que a relação “fluida e dinâmica” entre o Brasil e a Argentina “é fundamental para o avanço da integração regional”.

Brasil e Argentina vão reativar "vários espaços de cooperação e diálogo", afirmaram ainda os mandatários em carta conjunta

Reprodução – Twitter
"O mundo mais justo e mais solidário a que aspiramos unicamente será viável se tivermos a coragem de forjar nosso futuro em comum"

“Queremos que o Mercosul constitua uma plataforma para nossa integração efetiva ao mundo, por meio da negociação conjunta de acordos comerciais equilibrados que respondam a nossos objetivos estratégicos de desenvolvimento”, afirmaram.

Quanto à União Sul-americana de Nações (Unasul), afirmaram que trabalharão para “resgatar e atualizar” este organismo e destacaram que a Argentina e o Brasil estão “decididamente comprometidos com a construção de uma América do Sul forte, democrática, estável e pacífica”.

“Sul”, a moeda defendida por Lula para eliminar dependência do dólar na América Latina

Os dois presidentes apelaram ainda ao “fortalecimento do papel da sociedade civil, dos governos estaduais e municipais e dos parlamentos como atores desta reaproximação”, e asseguraram que “os laços entre Argentina e Brasil se cimentam na consolidação da paz e da democracia”.

“Queremos democracia para sempre. Ditadura nunca mais”, insistiram, condenando “todas as formas de extremismo antidemocrático e de violência política”.

Em outros eixos, Fernández e Lula disseram que dão “especial atenção à reindustrialização” das duas economias, que inclua “a geração de emprego de qualidade e investimentos em inovação”.

Insistiram no “papel fundamental” que ambas as nações desempenham na “segurança alimentar, em um mundo que se vê afetado por riscos geopolíticos e sérias interrupções nas cadeias de abastecimento”.

Em matéria de infraestrutura, asseguraram que “um tema central deste novo momento é a integração energética” e destacaram que “a interconexão elétrica” entre ambos os países “já é realidade” apontando para o “potencial” que pode ter “a integração gasífera”.

Também instaram a consolidar uma posição conjunta “como possuidores de tecnologia nuclear com fins pacíficos”.

“O mundo mais justo e mais solidário a que aspiramos unicamente será viável se tivermos a coragem de forjar nosso futuro em comum. Esse é o sentido estratégico da integração bilateral”, completaram.

Redação | Página/12
Tradução: Ana Corbisier


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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