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Mundo e organismos de direitos humanos precisam saber da grave crise de imigrantes, vindos da Colômbia, que chegam ao Panamá

O Panamá só poderá resolver efetivamente esse problema tornando-o de amplo domínio público e internacionalizando-o. Como tema de alto interesse jornalístico, é preciso torná-lo conhecido em escala regional e globa

Nils Castro
Diálogos do Sul Global
Cidade do Panamá

Tradução:

O heterogêneo fluxo migratório que ingressa ao Panamá através da fronteira com a Colômbia tende a continuar e crescer. Apesar da dureza e letalidade das trilhas que penetram no território panamenho através da selva, é previsível que o tamanho, morbilidade, sequelas prejudiciais e custos de atendimento a esse drama humana continuarão se incrementando. 

A Colômbia recebe esses migrantes de múltiplas origens – asiáticos, africanos e caribenhos – através de diversas vias e fronteiras terrestres, fluviais e marítimas. Apesar das autoridades desse país exercerem um débil controle e acompanhamento desse fluxo, em seu território esse problema não chega ao nível crítico, porque este, em seguida, migra ao Panamá. 

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Mas aí conclui essa opção. Embora os migrantes não pretendam ficar neste país, as fronteiras da Costa Rica e da Nicarágua – muito mais controláveis – estão fechadas à sua passagem. É no Panamá onde se acumula essa massa, sua complexidade e o risco de condutas indesejáveis. Sua eventual conversão em população produtiva é mínima; essa não é sua meta. 

O Panamá só poderá resolver efetivamente esse problema tornando-o de amplo domínio público e internacionalizando-o. Como tema de alto interesse jornalístico, é preciso torná-lo conhecido em escala regional e globa

Reprodução: Flickr
Migrantes / caminhantes rumo ao Panamá param para se alimentar e descansar

A alternativa de fechar a fronteira com a Colômbia ao ingresso da imigração irregular é pouco realista. As rotas que sulcam o Tapón del Darien variam através de 575 mil quilômetros quadrados de montanhas e da selva, uma das mais chuvosas do mundo. Embora o Panamá tenha incrementado o controle de sua parte da área fronteiriça, não cabe dizer o mesmo do lado colombiano. E é daquele lado onde radica o grosso das organizações e grupos ilegais que traficam drogas e migrantes. 

Além disso, há razões humanitárias que o Panamá não pode eludir; após sofrer a inóspita travessia e ser saqueados e vexados por bandidos e “coiotes”, esses milhares de migrantes chegam a modestas aldeias panamenhas em condições físicas, sanitárias e econômicas precárias – aparte de um número indeterminado que morre sem sepultura em um e outro lado da fronteira.

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Para o Panamá, tratar estes problemas bilateralmente com a Colômbia, em suas dimensões política, migratória, humanitária, sanitária e de segurança, é indispensável por princípio e, ademais, necessário para sentar precedente. Nesse sentido, as ações iniciais da Chancelaria panamenha foram corretas. Não obstante, em termos de resultados práticos, isso ainda é insuficiente e provavelmente terá escassos resultados. 

Há poucos anos, quando na zona limítrofe houve atividades guerrilheiras, a Colômbia solicitou cooperação panamenha em matéria de segurança e lhe foi dada eficazmente. Mas o problema migratório é de outro gênero e para as autoridades colombianas não têm essa prioridade. O tráfico de migrantes civis não é avistado nem fiscalizado e, na prática – embora não se diga – lhe desafoga o problema àquele país. Pelas vias ocultas do tapón darienita continuam entrando não menos de 80 adultos e crianças sobreviventes por dia. 

Panamá só poderá resolver efetivamente esse problema tornando-o de amplo domínio público e internacionalizando-o. Como tema de alto interesse jornalístico, é preciso torná-lo conhecido em escala regional e global, e levá-lo a debate nos fóruns internacionais pertinentes. Entre outras coisas fazê-lo sentir na agenda da OEA e viabilizá-lo na ONU e em seus organismos especializados. 

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Na história do Panamá – país pequeno situado em uma localização estratégica tão cobiçada – cada problema nacional dessa envergadura só foi resolvido quando foi dada relevância mundial (como em janeiro de 1964 ou durante a negociação dos tratados Torrijos-Carter). 

No presente caso, em busca de que, com cooperação internacional, a vigilância e o controle do território fronteiriço também sejam exercidos do lado colombiano, com solidária coordenação binacional. E da mesma forma, para que a agenda política e judicial colombiana dê prioridade à perseguição das organizações e atividades do tráfico migratório. 

* Escritor e diplomata panamenho. Colaborador de Diálogos do Sul.

**  Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Nils Castro Fundador do Partido Democrático Revolucionário, fundado para dar prosseguimento ao torrijismo, ou seja, a obra de libertação nacional. Foi embaixador de Panamá no México e representou o governo em múltiplas oportunidades. É colaborador da Diálogos do Sul Global.

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