Governo francês suspende aumento de combustíveis após intensificação de protestos

Tributação previa aumento de de € 0,65 (R$2,84) no litro do diesel e € 0,29 (R$ 1,26) no litro da gasolina

Tiago Angelo

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O primeiro-ministro francês, Edouard Philippe, anunciou, nesta terça-feira (04), a suspensão por seis meses do reajuste do imposto sobre combustíveis que estava previsto para vigorar a partir de 1º de janeiro de 2019. A medida é uma tentativa de frear novos protestos organizados pelos “coletes amarelos”, movimento responsável por coordenar manifestações contrárias ao aumento dos impostos que incidem sobre a comercialização de combustíveis anunciado pelo Presidente Emmanuel Macron, que resultaria no aumento dos preços pagos pelos consumidores.

“Nenhum imposto merece comprometer a unidade nacional. É preciso ser surdo para não ouvir a raiva dos franceses”, afirmou Philippe durante anúncio na televisão. O premiê foi escalado pelo presidente da França, Emmanuel Macron, para negociar uma solução com os partidos políticos que se opõem ao aumento.

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O aumento dos impostos que incidem sobre a comercialização de combustíveis havia sido anunciado por Macron e gerou uma onda de protestos

A nova tributação previa um acréscimo de € 0,65 (R$2,84) no litro do diesel e € 0,29 (R$ 1,26) no litro da gasolina. Mesmo após o anúncio da suspensão, vários coordenadores do movimento popular declararam que a decisão não é suficiente para por fim aos protestos e que novas manifestações estão marcadas para o próximo sábado (8).

“Os franceses não querem migalhas, eles querem a baguete inteira”, declarou Benjamin Cauchy, um dos porta-vozes dos “coletes amarelos”. Segundo ele, o movimento "exige uma revisão geral na tributação da França, distribuição das riquezas e maior repasse para a economia de baixo carbono".

Intensificação dos protestos

Desde 17 de novembro, a França é cenário de manifestações contra o aumento do preço dos combustíveis. Os protestos foram organizados pelo movimento dos “coletes amarelos”. No último sábado (1), cerca de 200 mil pessoas foram às ruas de Paris para protestar contra os aumentos anunciados pelo governo francês. 

Os protestos são considerados os maiores da história do país desde os que ocorreram em maio de 1968, quando estudantes organizaram manifestações exigindo a reforma do sistema educacional. 

Os manifestantes foram assim batizados por usarem coletes amarelos, item de segurança obrigatório na França e em diversos países da União Europeia. O movimento nasceu espontaneamente nas redes sociais e se declara apartidário.

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