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Myanmar: Na repressão mais sangrenta desde o golpe, 114 pessoas foram mortas por militares

Em Myanmar, o dia das Forças Armadas mostrou contudo que a condenação internacional ao regime não é unânime
Redação Esquerda.Net
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Lisboa

Tradução:

Sábado comemorava-se o dia das Forças Armadas em Myanmar. Houve parada e um discurso de Min Aung Hlaing, o chefe militar do país, onde foi prometida proteção para o povo e democracia.

Só que o dia não ficará na memória como de festejo ou de defesa da democracia mas como o da repressão mais sangrenta desde que a Junta Militar depôs o governo eleito de Aung San Suu Kyi, acusando-a de fraude eleitoral e prendendo-a junto com outros responsáveis políticos. Pelo menos 114 pessoas foram mortas pelas forças de segurança, incluindo algumas crianças.

Em Rangum, a capital do país, terão sido 27 as mortes, em Mandalai pelo menos 40, incluindo uma menina de 13 anos. Foi uma das seis crianças e adolescentes entre os 10 e os 16 anos vítimas da repressão. Desde o início do golpe de Estado, o número de pessoas mortas pelas forças de segurança ultrapassa 440.

Em Myanmar, o dia das Forças Armadas mostrou contudo que a condenação internacional ao regime não é unânime

Foto de Stringer
Manifestante em Rangum, Myanmar

Assassinato em massa

O investigador especial da ONU, Tom Andrews, chama-lhe um “assassinato em massa” e instou o mundo a agir e a cortar o financiamento à Junta Militar mais do que a produzir “palavras de condenação” que “soam francamente vazias ao povo de Myanmar”.

Mas a “ação coordenada” pedida pela ONU é pouco provável. O regime militar tem aliados internacionais fortes como o prova a lista de presenças na parada militar deste sábado: Rússia, China, Índia, Paquistão, Bangladesch, Vietnam, Laos e Tailândia participaram na cerimónia mostrando que o atual poder birmanês não está isolado.

A Rússia enviou mesmo o vice-ministro da Defesa, Alexander Fomin, que se encontrou com os líderes golpistas. China e Rússia não condenam o golpe e espera-se que bloqueiem qualquer iniciativa que o Conselho de Segurança da ONU possa tomar.

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Ao mesmo tempo que as mortes nestes protestos, também houve vítimas que foram mortas em confrontos com um grupo armado da minoria Karen. Os militares bombardearam uma aldeia sob controlo da União Nacional Karen matando três pessoas, depois deste grupo ter reivindicado ter tomado conta de um posto na fronteira com a Tailândia, ação da qual terão resultado dez mortes.

Este domingo foi dia de confrontos com outro grupo, o Exército para a Independência de Kachin, em Hpakant, no norte do país. Uma esquadra policial foi atacada e os militares responderam com ataques aéreos.

Também já este domingo, em Bago, o exército disparou durante o funeral de uma das vítimas de ontem. À Reuters, uma mulher identificada como Aye, disse que “enquanto estávamos a cantar a canção da revolução para ele, as forças de segurança chegaram e começaram a disparar contra nós”. Depois disso, os participantes nas cerimónias fúnebres dispersaram.

Há notícia de mais duas mortes em dois pontos separados do país, ainda antes de terem começado quaisquer manifestações nas maiores cidades do país.

Redação Esquerda.Net


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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