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Na Bolívia, uma reunião de cúpula com voz de mulher

Revista Diálogos do Sul

Tradução:

Joel Michel Varona*

O Presidente Evo Morales na abertura da cúpula de mulheres O Presidente Evo Morales na abertura da cúpula de mulheres

A Cúpula Internacional de Mulheres realizada na Bolívia serviu para formar uma voz única para ser escutada no próximo encontro do G-77, mais a China, um espaço idôneo para traçar estratégias que contribuam para a proteção e defesa dos direitos das mulheres.

Durante dois dias, mais de duas mil representantes de uma dezena de nações se encontraram na oriental cidade de Santa Cruz para dar a conhecer suas conquistas e desafios, visando redigir um documento final, que será apresentado na reunião dos 77, prevista para os dias 14 e 15 de junho próximos nesta nação sul-americana.

As participantes na reunião trabalharam em quatro comissões: a primeira denominada Avanços na Conquista dos Direitos das Mulheres debateu a participação política, as políticas públicas e avanços legislativos e o investimento social.

A segunda, Desafios das Mulheres para uma Nova Ordem Mundial, analisou o papel das mulheres nos âmbitos político, social, econômico y cultural.

Na terceira mesa foi trabalhada a questão da Erradicação da Pobreza e a Independência Econômica, e os debates foram baseados no trabalho doméstico não remunerado, na independência econômica, na redistribuição da riqueza e nos orçamentos públicos para garantir os direitos das mulheres.

O quarto grupo trabalhou em torno aos objetivos transformadores e integrais para a agenda global pós 2015.

A reunião foi aberta pelo presidente boliviano, Evo Morales, que insistiu que ambos os sexos têm os mesmos direitos e deveres. Recordou a importância de que as mulheres tenham as mesmas possibilidades que os homens em qualquer atividade na vida social.

Lembrou que na Bolívia os dois setores mais marginalizados através da historia foram o movimento camponês indígena e as mulheres, mas que nos últimos tempos se vem trabalhando para modificar isso. “No se trata de lei, e pensar que com leis serão reivindicados os direitos é um equívoco”, advertiu o chefe de Estado. “A mulher é mais honesta e sacrificada, mas seu esforço é menos reconhecido”, asseverou o mandatário. “Qualquer transformação sem a participação da mulher não pode ser garantida, porque ela é possuidora de mais consciência social”, assegurou.

Um aspecto fundamental do encontro foi a coincidência de critérios de várias delegações que vêem na Bolívia uma nação de vanguarda na luta pela igualdade de gênero.

Nesse sentido, a diretora executiva da Organização das Nações Unidas (ONU Mulheres), Lakshmi Puri, assegurou que a Bolívia está dando um passo importante na legislação para a igualdade de gênero. Em sua opinião, a Bolívia está desempenhando um papel de liderança no que se refere ao empoderamento das mulheres, considerando que existe uma paridade de gênero no marco da representatividade em espaços de poder, entre eles no Executivo e no Legislativo.

Considerou que na Bolívia a inclusão da mulher nos aspectos sociais, políticos e econômicos e na tomada de decisões é importante e insistiu na necessidade de continuar com esse trabalho para alcançar maiores conquistas.

Com relação à Cúpula de Mulheres, Puri considerou que é a primeira vez na história que o tema da igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres é incluído em uma agenda do G-77 mais a China.

Cúpula Internacional de Mulheres1Puri aproveitou a reunião para felicitar Evo Morales pelas políticas sociais executadas em favor das mulheres da Bolívia. “Morales está marcando um avanço em sua Constituição em favor das mulheres”, disse a representante da ONU.Destacou também que as leis promovidas pelo Estado boliviano foram trabalhadas, em alguns casos, com a organização internacional.

A diretora da ONU Mujeres lamentou que no âmbito mundial ainda existam alguns países em que as mulheres são submetidas ao matrimônio obrigatório e não têm direito a decidir sobre a reprodução.

A representante da Secretaria Presidencial da Mulher da Guatemala, Cleotilde Vásquez, destacou o temperamento aguerrido das mulheres bolivianas. “Vejo que as líderes na Bolívia são mulheres aguerridas com um empoderamento do exercício de seus direitos políticos, cidadãs das quais nós temos que aprender”, sublinhou a delegada centro-americana.

“Estamos avançando porque temos a capacidade de propor. Nós, mulheres sabemos fazer as coisas, então temos o desafio de enfrentar as mudanças da ordem mundial”.

A representante guatemalteca indicou que é necessário humanizar o desenvolvimento com a visão da mulher, a partir da diversidade e fazer propostas que tornem mais democrática sua participação com desafios a curto, médio e longo prazo.

“Nossos maiores desafios são eliminar a pobreza porque queremos viver bem, e queremos eliminar a violência que tem afetado nossas de geração em geração”, sublinhou.

A representante da Guatemala comentou os avanços realizados em seu país no que se refere à legislação, reconhecendo a discriminação contra a mulher, através de uma política de Estado que foi construída com a participação de mulheres do campo e da cidade, de organizações da sociedade civil, feministas e de administradoras públicas.

Por sua parte, a vice-ministra da Igualdade e da Não Discriminação do Paraguai, Claudia García, informou que em seu país foram implementados mecanismos de monitoramento para melhorar a vida das mulheres.

“A representação das mulheres em todos os níveis é importante para gerar consciência e igualdade”, sustentou.

No entanto, lamentou que em seu país não se registrassem tantas conquistas como na Bolívia e em outros estados latino-americanos.

Por sua vez, a argentina Mariana Gras, presidenta do Conselho Nacional de Mulheres do seu país, recordou que historicamente foi restringida a participação da mulher na política, e salientou que essa situação está sendo revertida nos últimos anos.

Da mesma forma, a representante da Federação de Mulheres Cubanas, Relis Santalla, assegurou que “a revolução cubana não estaria onde está se não fosse pelas mulheres”.

Rosalinda Santiz Diaz, da Associação de Mulheres Linalansetic (Terra de Mulheres) de San Cristóbal de Las Casas em Chiapas, sublinhou que a criminalização dos protestos sociais, o feminicídio, a carência escolar e a negação da mulher no seio da comunidade são parte dos problemas enfrentados pelas indígenas no México do século XXI.

*Prensa Latina, de La Paz, Bolívia, para Diálogos do Sul


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
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