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Na OMS, Brasil vota contra obrigatoriedade de garantia de atendimento médico aos palestinos

Nem mesmo os médicos e enfermeiros escapam da violência sionista. O documento também denuncia o veto de Israel a algumas importações de vacinas
Redação I21
i21
São Paulo (SP)

Tradução:

Novamente contrariando a posição histórica adotada pelo Itamaraty, votou contra a Palestina em um organismo da ONU. Desta vez foi na votação realizada na Organização das Nações Unidas (ONU) que, nesta quarta-feira (22), debateu uma proposta de resolução apresentada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que obrigue o atual governo de Israel, comandado pelo sionista Benjamin Netanyahu, a garantir pleno acesso da tendimentos médicos aos palestinos que vivem nas áreas ocupação pelo estado israelense.

Porém, a servil e patética oposição da representação diplomática brasileira -comandada pelo ministro “olaviano” Ernesto Araujo- a aprovação da resolução apresentada pela OMS, de nada adiantou e o texto foi aprovada por uma massacrante maioria dos países votantes. Foram 96 votos a favor, 11 contra e 21 abstenções.

Entre os que votaram contra, além do Brasil, estão Austrália, Estados Unidos, Hungria, Israel, República Tcheca e Reino Unido.

O documento denuncia que Israel impede a livre circulação de palestinos, pacientes ou profissionais da saúde, e, com isso, prejudica os atendimentos aos necessitados de cuidados médicos.

Nem mesmo os médicos e enfermeiros escapam da violência sionista. O documento também denuncia o veto de Israel a algumas importações de vacinas

pixabay
Novo retrocesso na diplomacia brasileira sobre os palestinos

Dados aterradores

Os dados divulgados pela OMS não deixam margem à dúvida sobre a correção da proposta: apenas 61% dos pacientes palestinos que pedem acesso para cruzar as fronteiras em busca de atendimento médico conseguem passar. Entre os acompanhantes, a taxa é de menos de 48%. Entre os funcionários de saúde, apenas 15% dos pedidos foram aprovados e 90% das ambulâncias que pediram acesso a Jerusalém Oriental enfrentaram obstáculos. Em 2018, 84% dos 1462 trajetos de ambulâncias palestinas tiveram de ser interrompidos para que os pacientes fossem obrigados a mudar de veículos (!) nos check-points (barreiras militares israelenses).

Durante os confrontos em Gaza, também em 2018, somente um a cada cinco feridos conseguia ser levado a um hospital controlado por israelenses.

Nem mesmo os médicos e enfermeiros escapam da violência sionista. A resolução aprovada denuncia o “aumento de incidentes e ataques” contra médicos e enfermeiros. Só em Gaza, foram 363 ataques, incluindo três mortes e 565 feridos.

Segundo o levantamento da OMS, nos assentamentos na Cisjordânia a expectativa de vida de um israelense é nove anos superior a de um palestino, vivendo no mesmo território.

O documento também denuncia o veto de Israel a algumas importações de vacinas, o que poderia minar a “sustentabilidade do programa de vacinação no território palestino e seu impacto para a saúde”.

O texto ainda lista uma série de exigências que Israel deve seguir, garantindo o acesso aos serviços de saúde em territórios ocupados e chama a atenção para o fato de que Israel não cumpriu com recomendações da OMS de anos anteriores.

Mesmo com todos estes dados irrefutáveis, o Brasil portou-se como mero fantoche a serviço dos interesses estadunidenses e israelenses, o que já havia acontecido no início do ano, quando o país modificou seus votos no Conselho de Direitos Humanos da ONU, abandonando uma tradicional posição de apoio aos palestinos.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Redação I21

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