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Nagorno-Karabaj e Bielorrúsia reforçam Moscou como potência mediadora

A Rússia, interessada em manter boas relações com a Armênia e Azerbaijão redobra suas gestões diplomáticas em favor de estabelecer um cessar fogo
Juan Pablo Duch
La Jornada
Moscou

Tradução:

Uma chuva de projéteis caiu este domingo (4) sobre Stepanakert, capital de Nagorno-Karabaj – enclave armênio em solo formalmente azeri –, enquanto o exército da Armênia (camuflado como unidades de defesa karabajis) tratou de impedir que as forças armadas do Azerbaijão, com ajuda de assessores militares turcos, alcançassem seus objetivos mediante incursões de aviões, drones, artilharia e mísseis balísticos de longo alcance de fabricação israelita e, em resposta, começou a atacar com mísseis russos instalações de infraestrutura em território azeri.

Até hoje não foi possível estabelecer um cessar fogo, nem sequer temporário por razões humanitárias, como demanda de imediato a ambos países o Grupo de Minsk da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, com o propósito de retirar os cadáveres dos campos de batalha e facilitar a saída da população civil da zona de conflito, uma semana depois de iniciadas as hostilidades.

A Rússia, interessada em manter boas relações com a Armênia e Azerbaijão redobra suas gestões diplomáticas em favor de estabelecer um cessar fogo

Kremlin.ru
Armênia pediu à Rússia o envio de “forças de pacificação” na zona do conflito.

A Armênia assevera estar disposta a negociar, mas esclarece que só a partir de que sejam reconhecidos os limites de Nagorno-Karabaj com os sete distritos adjacentes que controla, considerados por Yerevan desde 1994 “faixa de segurança” e por Baku “solo azeri ocupado”, oferta que o Azerbaijão recusa advertindo que não haverá paz até que restabeleça sua integridade territorial.

Entretanto, ambos governantes apelam ao sentimento patriótico de sua população; o premier armênio Nikol Pashinian, em uma mensagem à nação, acusou o Azerbaijão e a Turquia de perseguir como fim “o extermínio dos armênios”, enquanto o presidente azeri Ilham Alilyev pôs o acento em que a ofensiva bélica tem permitido recuperar numerosos povoados e uma cidade dentro dos territórios ocupados. 

Os êxitos militares de cada parte têm de imediato o respectivo desmentido, o que complica saber que tão certas são as afirmações de que os armênios destruíram com mísseis o aeroporto de Gianzha ou que os azeris tomaram o controle sobre a cidade de Jabrayil, por mencionar só dois exemplos deste domingo.

A Rússia, interessada em manter boas relações com ambos contendentes, redobra suas gestões diplomáticas em favor de estabelecer um cessar fogo e confia em que as hostilidades não saiam dos limites de Nagorno-Karabaj e da “faixa de segurança”, pois se veria obrigada a prestar assistência militar à Armênia, envolvendo-se em uma guerra que trata de evitar, pois o Azerbaijão conta com o aberto respaldo da Turquia, membro da Aliança do Atlântico Norte. 

A Armênia pediu à Rússia o envio de “forças de pacificação” na zona do conflito, mas o Kremlin declarou que só o fará se for solicitado por todas as partes implicadas, ou seja, se também tiver a autorização do Azerbaijão, o que por ora está excluído. 

Continuam os protestos na Bielorrússia

Mais de cem mil pessoas protestaram este domingo em Minsk – da mesma forma que todos os fins de semana desde as eleições de 9 de agosto – contra a sexta reeleição do presidente Aleksandr Lukashenko, produto de uma fraude na opinião da oposição.

Nesta ocasião, a enésima manifestação de repúdio a Lukashenko, que também solicitou ajuda à Rússia, teve como tema principal exigir a liberdade de todos os presos políticos. 

Como costumam proceder, as autoridades dificultaram ao máximo a manifestação dos inconformados, com as habituais detenções prévias no começo da marcha, estações de metrô fechadas, celulares e internet bloqueados e envio de policiais, soldados e efetivos de unidades antidistúrbios.   

Houve também na capital bielorrussa carros blindados e canhões de água que não amedrontaram os manifestantes. Este domingo inclusive deixou uma imagem insólita; um canhão de água, derrubado sobre o asfalto e tornado inservível por uma multidão que aguentou os primeiros jorros do líquido e arremeteu contra o artefato permitindo que a manifestação seguisse avançando. 

O protesto, como outra vezes, não se limitou a Minsk e teve como cenário muitas cidades do interior da Bielorrússia.

La Jornada, especial para Diálogos do Sul — Direitos reservados.

Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Juan Pablo Duch Correspondente do La Jornada em Moscou.

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