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Não à guerra, não a mentira

Revista Diálogos do Sul

Tradução:

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Crianças sírias massacradas por mercenários. Foto de Kofi Annan

Contra a guerra e pela paz verdadeira.

O presidente da Comissão de Segurança Nacional e Política Exterior da Assembleia Consultiva Islâmica do Irã, Alaedin Boruyerdi, manifestou o apoio incondicional de seu país à República Árabe de Síria para enfrentar as conspirações do império […].

Os Estados Unidos e a monarquia da Jordânia intensificaram a formação de mercenários da oposição síria com o fim de utilizá-los para estabelecer uma zona “tampão” ou de “amortecimento” ao longo da fronteira meridional da Síria, segundo confirmaram funcionários estadunidenses e jordanianos. A formação de uns três mil mercenários terroristas […]

A Central de Inteligência dos EUA (CIA) acredita que o presidente Bashar al-Assad terá 75% dos votos do povo sírio se participar das eleições de 2014 […].

Diante desses fatos a jornalista argentina Stela Calloni faz um chamamento em solidariedade com o povo da Síria e contra as guerras imperiais-coloniais de invasão e ocupação de países soberanos que tem produzido vários genocídios no século XXI. Diálogos do Sul assume como seu a exortação de Stella Calloni e apela a todos para que colaborem em divulgar o máximo possível.

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Stella: Devemos deter este novo crime antes que seja demasiado tarde para a humanidade.

Síria está sob uma grave ameaça de intervenção e ocupação por parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e os grupos mercenários e tropas especiais dos Estados Unidos, Grã Bretanha, França, Israel e outros países aliados nesta nova aventura colonial. As recentes declarações da secretaria de Estado Hillary Clinton estabelecem que Washington só aceitará que o presidente Bashar al-Assad entregue o governo, para que as potencias da OTAN possam instalar uma administração colonial, sob a máscara de uma falsa “democracia”.

Clinton advertiu que seu país pode decidir uma intervenção unilateral na Síria e desconheceu todos os esforços democráticos do governo sírio, como o plebiscito constitucional de fevereiro passado, com  mais e 80 por cento dos votos favoráveis e as eleições legislativas de maio em que intervieram nove partidos da verdadeira oposição democrática que se opõem a uma intervenção estrangeira.

Mesmo assim ameaçou os países que não apoiem sua posição dizendo que “não terão futuro”.

O governo sírio realizou todos os esforços para convocar observadores das Nações Unidas, porem a cada acordo, incluindo o de cessar fogo, em seu momento, tiveram como resposta ataques terroristas na capital síria e nas cidades arrasadas por mercenários, cuja presença ninguém desconhece, porque foram entrevistados e denunciados por meios europeus.

As potencia exigem do exército sírio que se retire de seu próprio território quando estão defendendo a seu país, ao custo de mais de três mil mortos em suas fileiras, muitos deles executados e vítimas de cruéis torturas das quais se ufanam os mercenários que utilizados por essas potencias.

Os cruéis massacres contra a Iquieren, ao serem atribuídos ao governo sírio, estão imitando o modelo que aplicaram na Líbia. Os dirigentes do Conselho Nacional Sírio, pertencem a ONGs e fundações ligadas à inteligência dos EUA e seus aliados, como ficou demonstrado por pesquisadores da Europa e dos Estados Unidos. O suposto Exército Livre da Síria (ELS), integrado majoritariamente por mercenários, está financiado pelas potencias como foi reconhecido publicamente, e cada vez enviam mais dinheiro e armas mais potentes, inclusive mísseis de alto poder.

Lamentavelmente o secretario geral da ONU, Ban Ki-Moon não está cumprindo com a agenda de paz que lhe corresponde mas sim acompanhando a decisão de guerra dos Estados Unidos, sem escutar sequer a Kofi Annan, o enviado da ONU que renunciou recentemente, ou se informar sobre as denúncias e provas que desmentem os meios de comunicação envolvidos nesta guerra cruel.

Na maior campanha de desinformação dos últimos tempos criaram laboratórios que manipulam fotografias e filmam falsos vídeos que enviam para o exterior: as marchas multitudinárias de apoio ao governo são mostradas como se fossem da “oposição” e os  massacres atribuídos ao governo sírio. Mentiram inclusive os organismos de direitos humanos sob controle das potências hegemônicas. “O ataque contra Síria é dirigido de bases militares na Turquia e ali se financia e se arma os paramilitares com uma estratégia muito parecida à utilizada pelos militares estadunidenses nas guerra da América Central, na época em que John Negroponte era embaixador em Honduras”, denunciou a Equipe Nizkor da Espanha (especializada em direitos humanos).

Os meios do poder hegemônico manipulam, mentem, desinformam como parte da tática de uma guerra de Baixa Intensidade. “A OTAN prepara a maior operação de intoxicação da história”, denunciou a Rede Voltaire com dados precisos sobre essa operação em marcha, enquanto reconhece a aplicação da “guerra cibernética”. Há provas de todas as denúncias formuladas pelo governo sírio, pela Rússia e outros países e por verdadeiros jornalistas independentes.

Por tudo isso é urgente reagir para impedir outro genocídio, que se soma ao ocorrido no Afeganistão, Iraque e Líbia, países invadidos sob falsos argumentos, enquanto anunciam novas invasões como ao Líbano e ao Irã, que a humanidade não deve mais aceitar.

Esta invasão a Síria coloca o mundo a beira de uma guerra nuclear. E representa uma grave ameaça para todos os países do mundo, especialmente para América Latina, em momentos em que os Estados Unidos desenvolvem abertamente um plano de recolonização de nosso continente, tentando destruir a integração e a unidade conquistada por decisão de governos eleitos e mantidos pela vontade de nossos povos.

Os intelectuais progressistas não podem falar de “dúvidas” diante da situação dramática criada por invasões criminosas e a ocupação de países soberanos, e quando existe tanta informação, em todos os casos, que pode ser obtida fora dos meios de desinformação, convertidos em propagandistas de uma guerra colonial, violando todo paradigma ético no jornalismo e tornando-se cumplice de violações gravíssimas aos direitos humanos nos países agredidos.

Devemos deter este novo crime antes que seja demasiado tarde para a humanidade. Apelamos a uma solidariedade efetiva e contundente. Nem um dia mais de guerras coloniais. Denunciemos e derrotemos a desinformação. Basta de genocídios, de povos ocupados colonialmente, de golpes de estado, bases militares e fundações de contra-inteligência disfarçadas de “democráticas” que a cada dia nos invadem silenciosamente.

Contra a guerra e pela paz verdadeira.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
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