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Não convidado para enterro de Floyd, Trump acusou ativista de ser “provocador antifa”

Ao mesmo tempo, o presidente Donald Trump não foi convidado, nem esperado, nem mencionado nesta última cerimônia fúnebre
David Brooks
Diálogos do Sul
Nova York

Tradução:

George Floyd foi enterrado, no último dia 9, em Houston, rodeado de sua família e as de outros afro-estadunidenses vítimas da violência racista oficial, mas o movimento que sua morte detonou continuo vivo nas ruas do país obrigando a cúpula política a promover reformas e a retirar símbolos do racismo institucional histórico nos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, o presidente Donald Trump -não convidado, nem esperado, nem mencionado explicitamente nesta última cerimônia fúnebre- acusou falsamente  Martin Gugino, um ativista pacifista de 75 anos de idade, hospitalizado depois de ser derrubado no chão por policiais em um dos protestos pelo assassinato de Floyd, de ser um “provocador antifa”, em referência a una agrupação informal de ativistas que se identificam como “antifascistas” que têm sido responsabilizados pela Casa Blanca e seus aliados da onda de protestos, e que poderia haver sido um ato enganoso.

Na última cerimônia fúnebre para Floyd em sua cidade de Houston, a família da vítima, alguns líderes de direitos civis, familiares de outras vítimas afro-estadunidenses assassinados por policiais nos últimos anos e duas filas de oficiais de polícia saudarem enquanto passava o ataúde. A última cerimônia foi transmitida ao vivo por televisão, na qual se recordou sua pessoa e seu fim violento, como também agora um caso que detonou uma onda de protestos contra o racismo institucional e sua violência oficial sem precedentes desde os anos sessenta. 

Ao mesmo tempo, o presidente Donald Trump não foi convidado, nem esperado, nem mencionado  nesta última cerimônia fúnebre

Reprodução: Winkiemedia
Retrato da parede George Floyd de Eme Street Art no Mauerpark

Tão potente se tornou o caso que a cúpula política nacional, o grande empresariado – a Bolsa de Valores de Nova York manteve silêncio por 8 minutos e 46 segundos (o tempo que o policial branco teve seu joelho no pescoço de Floyd) ao iniciar a cerimônia – e figuras públicas de todo tipo se viram obrigadas a reconhecer o grave e profundo problema que vem desde a origem do país e persiste hoje nas palavras “não posso respirar”.  

Joe Biden, o ex-vice-presidente e agora virtual candidato presidencial democrata, declarou por vídeo mensagem que “agora é o momento pela justiça racial”..

O prefeito de Houston, Sylvester Turner, disse que “o honramos hoje porque quando tomou seu último ar, agora o resto de nós podemos respirar”, e anunciou do altar que estaria emitindo uma ordem executiva para proibir táticas de contenção física com chaves de pescoço, entre outras.

De fato, continuaram os anúncios em diversas cidades sobre novas proibições sobre táticas policiais de forcejo físico e compromissos para outras reformas. Em Washington, o conselho municipal proibiu essas táticas, como também a polícia em Phoenix.

Ao mesmo tempo, vão caindo símbolos históricos racistas. O prefeito de Birmingham, Alabama ordenou a remoção de uma estátua em honra da Confederação – os estados do sul que tentaram romper com a união, em parte pelo tema da escravidão, que levou à guerra civil no século XIX – enquanto na Virginia o governador ordenou tirar uma estátua de Robert E. Lee, o general das forças da Confederação, em Richmond (que esteve aí por mais de um século, mas agora está marcada com lemas de “Black Lives Matter”) e o prefeito de Jacksonville na Florida ordenou remover estátuas de soldados da Confederação; outras figuras e símbolos vinculados com o racismo foram removidos em lugares como Filadélfia, enquanto outros foram vandalizados e marcados com consignas antirracistas. Por sua parte, a Marinha ordenou a proibição da bandeira da Confederação em todos os lugares públicos. Os Marines já haviam ordenado isso. 

Enquanto isso, a nova vala ao redor da Casa Branca foi convertida por manifestantes em um muro de lamentação de vítimas de violência policial com obras de arte, fotos, desenhos, flores e fitas sobre os nomes.

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
David Brooks Correspondente do La Jornada nos EUA desde 1992, é autor de vários trabalhos acadêmicos e em 1988 fundou o Programa Diálogos México-EUA, que promoveu um intercâmbio bilateral entre setores sociais nacionais desses países sobre integração econômica. Foi também pesquisador sênior e membro fundador do Centro Latino-americano de Estudos Estratégicos (CLEE), na Cidade do México.

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