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Não existem vacas sagradas no Peru: nada fará com que os peruanos fechem os olhos

Parlamentares do Keikismo e alanistas da APRA replicaram como cachorros de caça a qualquer alusão aos seus chefes, mas tempos são outros
Gustavo Espinoza M.

Tradução:

Nos últimos dias, a televisão peruana, naturalmente orientada a mostrar frívolos programas de diversão e entretenimento, foi forçada a ocupar suas horas em duas atividades enriquecedoras.

Por um lado, as Audiências Judiciais vinculadas a Keiko Fujimori e companhia; e por outro, os debates ocorridos no hemiciclo da Câmara, referidos a fatos dos trabalhos políticos.

Parlamentares do Keikismo e alanistas da APRA replicaram como cachorros de caça a qualquer alusão aos seus chefes, mas tempos são outros

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Alan Garcia e Keiko Fujimori

A temática judicial atraiu multidões, quase como se fosse a final de um disputado campeonato de futebol. E seus protagonistas – o juiz Richard Concepción e o Procurador José Domingo Pérez- apareceram como figuras a partir de seu conhecimento jurídico e sua lógica impecável. 

Mas a decisão penal contra Keiko Fujimori fez “baixar a pressão” entre os espectadores; e muitos deles migraram para o outro cenário, no qual o debate parlamentar foi interessante de alguma maneira. 

Interessante sim, não por seu conteúdo, mas sim pelo variado perfil de nossos políticos – os congressistas de hoje – que deram asas aos seus temores, vacilações, medos e compromissos. 

A cidadania pode perceber, como se houvessem sido retratados de corpo inteiro, o caráter e a mediocridade dos que ocupam cadeiras hoje, por uma muito discutida “vontade popular”.

E quem levaram os prêmios nesse tema, foram os parlamentares do Keikismo, e os representantes da cabeça alanista da APRA. Uns e outros replicaram como cachorros de caça, cada vez que alguém falava “algo” dos seus chefes. “Terroristas”, clamava a senhora Salazar para aludir aos seus adversários no debate. “Comunistas”, bramava Del Castillo nas mesmas circunstâncias. E é claro que seus seguidores – os de uma e outra bancada – aplaudiam radiantes seus atrevidos oradores eventuais.

Mas o que é verdade, para uma bancada ou a outra é que os que denunciam algo que mal “toque” a Alan Gabriel ou a Keiko Sofía não podem ser senão “terroristas” ou “comunistas”, ambos os termos que, com ignorância suprema, os dois usam como colossais insultos.

Vociferam exultantes, como se lhes tocassem as fibras mais sensíveis de sua intimidade. Promovem de maneira soez e apaixonada, pensando assim calar os vacilantes e os timoratos. 

É claro que esse intento está condenado à derrota, em todos os seus extremos.  

No Peru não existem Vacas Sagradas. As vacas são sagradas na Índia. Mas não em nossa terra. Aqui ninguém deve protegê-las como na pátria de Mahatma Gandhi. 

A brilhante exposição do congressista Manuel Dammert em torno dos negócios das empresas brasileiras nos anos de Alberto Fujimori,  ou a existência de depósitos no Banco de Andorra, atribuídos sem réplica alguma a García e seus colaboradores mais diretos, fez saltar os parlamentares de ambos os grupos, como feras enjauladas. 

Mas não fará com que os peruanos fechem os olhos, ou tapem os ouvidos. Esses tempos já passaram. 

*Colaborador de Diálogos do Sul, de Lima, Peru


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Gustavo Espinoza M. Jornalista e colaborador da Diálogos de Sul em Lima, Peru, é diretor da edição peruana da Resumen Latinoamericano e professor universitário de língua e literatura. Em sua trajetória de lutas, foi líder da Federação de Estudantes do Peru e da Confederação Geral do Trabalho do Peru. Escreveu “Mariátegui y nuestro tiempo” e “Memorias de un comunista peruano”, entre outras obras. Acompanhou e militou contra o golpe de Estado no Chile e a ditadura de Pinochet.

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