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Não foi coincidência: há indícios de que operação que matou 25 pessoas no Jacarezinho beneficia a milícia amiga de Bolsonaro

Bolsonaro participou de reunião com o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, na quarta-feira (5). Menos de 12 horas depois, aconteceu o pior massacre da História em uma favela do Rio
Laura Capriglione
Jornalistas Livres
São Paulo (SP)

Tradução:

O fascista Jair Bolsonaro, amigo de milicianos, participou de reunião com o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, na tarde de quarta-feira (5). Menos de 12 horas depois, aconteceu o pior massacre da História em uma favela do Rio de Janeiro, a de Jacarezinho, na zona Norte da cidade.

Pelo menos 25 pessoas morreram depois que a Polícia Civil do Rio montou uma verdadeira operação de guerra contra a população pobre do local, com direito a caveirões, tiros de fuzis disparados de helicópteros, e invasão de casas e barracos. Nem a estação de trem vizinha à favela, onde se encontravam trabalhadores que se dirigiam ao trabalho, escapou de ser atacada pelas forças policiais. 

Marcas da operação policial no Jacarezinho, RJ. Fotos: reprodução de Joel Luiz Costa 

Bolsonaro participou de reunião com o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, na quarta-feira (5). Menos de 12 horas depois, aconteceu o pior massacre da História em uma favela do Rio

Fotos: reprodução de Joel Luiz Costa
Marcas da operação policial no Jacarezinho, RJ.

Não foi coincidência

A Operação Exceptis, deflagrada pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), teve como pretexto o fato de que “traficantes vêm aliciando crianças e adolescentes para integrar a facção que domina o território, o CV (Comando Vermelho)”. Foi, segundo a polícia, para proteger as criancinhas que pelo menos 25 pessoas perderam a vida nesta quinta-feira (6) e que as calçadas e ruas do Jacarezinho se mancharam de sangue. Muito sangue.

O argumento é uma vergonha!

Tem crianças aliciadas para vender drogas desde que existe tráfico (ou seja, desde sempre). E isso acontece em todas, repetimos, todas as cidades e quebradas do Brasil.

Acontece também nos extensos territórios controlados pelos milicianos amigos do fascista Bolsonaro. Aliás, no Rio de Janeiro, hoje, a maior parte da cidade é dominada pela Milícia, que já controla 25,5% dos bairros do Rio de Janeiro, em um total de 57,5% do território da cidade. As três principais facções criminosas do tráfico de drogas —Comando Vermelho, Terceiro Comando e Amigos dos Amigos— possuem juntas o domínio de outros 34,2% dos bairros, perfazendo meros 15,4% do território.

Mas, obviamente, nas áreas controladas pelos amigos de Bolsonaro, não acontecem chacinas como as que vitimam as comunidades controladas pelos grupos rivais dos milicianos.

A milícia entrou na disputa por territórios com as facções tradicionais a partir dos anos 2000, enquanto Comando Vermelho, Terceiro Comando e Amigos dos Amigos já estavam formados desde a década de 1990. O rápido crescimento da milícia deve-se ao fato de ela contar com todo o aparato bélico do Estado, já que é composta principalmente por policiais e ex-policiais.

Para conquistar novos territórios, dizimar inimigos e aterrorizar a população local, basta elaborar uma desculpa esfarrapada qualquer (como essa, de que a Operação Exceptis era para proteger as criancinhas) e colocar as forças policiais e militares em ação.

Por que é preciso perguntar: quem ganha com a ação assassina em Jacarezinho? E a resposta, obviamente é: a Milícia ganha, o Comando Vermelho perde. Simples assim. 

Hoje foi no Jacarezinho, ontem foi na Maré, anteontem foi na Cidade de Deus e assim vai se ampliando o território controlado pela Milícia. O Rio de Janeiro coleciona massacres contra sua população mais vulnerável. Tornou-se a Pátria do Genocídio negro. E isso ocorre totalmente à margem da lei. 

Mônica Cunha, coordenadora da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), lembrou que a operação  desrespeitou determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) que suspendeu operações policiais em favelas do estado durante esse momento de pandemia. Mas, no Rio, vale tudo contra a população pobre e favelada.

Desde que não se contrariem os interesses da milícia amiga de Bolsonaro.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Laura Capriglione

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