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No Brasil, mais que a metade das mulheres vítimas de estupro têm menos de 13 anos

Brasil possui uma característica que é emblemática da violência cotidiana: está entre os países com mais casos de estupro do mundo
Igor Venceslau
Outras Palavras
São Paulo (SP)

Tradução:

O Brasil possui uma característica que é emblemática da violência cotidiana: está entre os países com mais casos de estupro. O que mais assusta, contudo, é que esse tipo de crime continua crescendo, tendo aumentado em torno de 5% somente entre 2017 e 2018, anos em que foram registrados, somados, mais de 120 mil casos. Esse dado por si só apresenta a urgência do tratamento de uma questão que segue camuflada na política do Estado, nos noticiários da grande mídia e nos assuntos diários de parte da população.

É preciso reconhecer a vulnerabilidade das mulheres. No Brasil, a maioria absoluta das vítimas é feminina: 81,8%, contra 18,2% de vítimas masculinas. Mas a situação é muito mais grave quando reconhecemos que a maioria dos casos segue distante das estatísticas, pois não há denúncia. A violência física e psicológica é seguida de ameaças para manter o silêncio das vítimas.

Brasil possui uma característica que é emblemática da violência cotidiana: está entre os países com mais casos de estupro do mundo

Reprodução
Líder no ranking mundial, Brasil continua aumentando seus casos de estupro contra mulheres.

É preciso conhecer a gravidade do problema. A cada 100 estupros no Brasil, 63,8 são cometidos contra vulneráveis, que inclui em sua maioria crianças de até 14 anos, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2019. A situação de pedofilia atingiu um patamar horripilante: mais que a metade das mulheres vítimas de estupro têm menos de 13 anos, idade com maior número de casos, enquanto entre os meninos a idade mais comum é ainda menor, aos 7 anos.

É preciso denunciar a realidade. Quase todos – 96,3% – dos estupradores são homens fazendo sobretudo crianças e mulheres de vítimas. Mas como outorgar à vítima a responsabilidade pela denúncia, de 3 a cada 4 estupradores são pessoas conhecidas das vítimas, geralmente um familiar ou vizinho?

Há um cinismo na sociedade brasileira que não se cansa de surpreender. A preocupação com a “vida”, manifestada por aqueles que perpetuam a abuso com suas ações contra-abortivas, contrasta enormemente com a desfaçatez dos 100 mil mortos pela Covid-19. Hipócritas de plantão, abusadores e criminosos da república e da democracia. Até quando?

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Igor Venceslau

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