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No posto há 25 anos, presidente da Bielorrússia ataca Rússia para angariar votos

Lukashenko, preocupado pela queda vertiginosa de sua popularidade, antecipa que haverá distúrbios quando sejam conhecidos os resultados das eleições
Juan Pablo Duch
Diálogos do Sul
Moscou

Tradução:

Com a mirada posta nas urnas no próximo domingo, o presidente da Bielorrússia , Aleksandr Lukashenko, jogou nesta terça-feira (4) a carta de defensor de capa e espada da soberania de seu país diante de “ameaças externas”, para bom entendedor, Rússia, seu poderoso vizinho, numa última tentativa de somar votos para fazer mais crível sua sexta reeleição, possibilidade que de ser certa, sua única rival, Svetlana Tijanovskaya, de antemão atribui a uma fraude.  

Lukashenko, que governa a Bielorrússia desde 1994, dirigiu uma mensagem às nação para explicar que a recente e cinematográfica detenção de 33 cidadãos russos – identificados como mercenários do chamado “grupo de Wagner”, unidade paramilitar dependente do GRU russo (inteligência militar) – se inscreve em um operativo dos serviços de segurança para neutralizar a missão que era “manter-se na expectativa e estar prontos para provocar, ao receber a ordem, um massacre no centro de Minsk”.

Não contente com isso, lançou contra aqueles que mandaram seus hipotéticos atacante: “Já deixem de mentir, não é verdade que eram passageiros em trânsito e que iam tomar um avião para viajar primeiro a Istambul, disseram que depois que à Venezuela, asseguraram mais tarde que era à Líbia, pura falsidade; já confessaram que os enviaram especialmente para a Bielorrússia”.

Lukashenko, preocupado pela queda vertiginosa de sua popularidade, antecipa que haverá distúrbios quando sejam conhecidos os resultados das eleições

Fotos Públicas
Presidente da Rússia Vladimir Putin e presidente da Bielorrússia Aleksandr Lukashenko.

O mandatário revelou que dispõe de informação de que outro grupo numeroso de mercenários, enviados da Rússia, ingressou no sul do país. 

“Em lugar de centrar-nos na colheita, temos que persegui-los pelos bosques, mas vamos deter todos. Não vamos entregar-lhes nossos país, temos que preservar a independência e deixá-la de herança para as gerações futuras”, rematou.

Lukashenko, preocupado pela queda vertiginosa de sua popularidade, antecipa que haverá distúrbios quando sejam conhecidos os resultados das eleições e adverte: “Se for proibida uma manifestação, deixará de cumprir a lei não só o organizador, mas qualquer participante, pelo qual haverá uma reação imediata e o mais dura possível”. 

Ao se referir aos outros contendentes nas eleições, sobretudo a uma mulher que se converteu em uma ameaça ao estender sua liderança no que devia ser um simples trâmite, Lukashenko disse: “Não se pode governar um país aparecendo do nada. São (ela e as duas esposas dos outros candidatos não registrados) umas moças infelizes, que não sabem o que dizem nem o que querem”. 

A principal aludida, Svetlana Tijanovskaya, candidata unificada da oposição, está segura de que Lukashenko alterará os resultados para poder ganhar, mas acredita que tudo vai depender da quantidade de pessoas que aceitem aparecer e não duvidem em reclamar que foram estafados ao mudar o sentido de seu voto. 

“Somos mais de cem mil (número de seguidores que dizem que a apoiam, a julgar pelos multimilionários comícios que tem podido reunir recentemente) e, se milhões exigem que se verifique seu voto, não penso que o exército esteja disposto a arremeter contra seu povo”, reflexiona Tijanovskaya.

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Juan Pablo Duch Correspondente do La Jornada em Moscou.

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