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“Nós somos alvos do Estado, nós somos pretos”, diz voluntário onde João Vitor foi morto

Grupo finalizava entrega de 200 cestas básicas na Cidade de Deus quando o jovem, de 18 anos, foi assassinado pela Polícia Militar do Rio de Janeiro
Luisa Fragão
Revista Fórum
Rio de Janeiro (RJ)

Tradução:

Voluntários da Frente Cidade de Deus finalizavam a entrega de 200 cestas básicas na comunidade, na tarde desta quarta-feira (20), quando um tiroteio se iniciou no local. A ação truculenta da Polícia Militar na favela resultou em mais uma morte de um jovem negro: João Vitor, de 18 anos. 

“A gente nasceu alvo. João Pedro foi ontem, esse menor foi hoje. Eles são genocidas e nós somos alvo do Estado, mano! Sempre foi assim. Nós é preto, mano”, disse um dos voluntários a outro, logo após o assassinato do adolescente.

As equipes da Frente CDD, que vêm desenvolvendo diversas ações sociais na comunidade durante a pandemia do coronavírus, tiveram que se proteger dos tiros dentro da casa de moradores.

Grupo finalizava entrega de 200 cestas básicas na Cidade de Deus quando o jovem, de 18 anos, foi assassinado pela Polícia Militar do Rio de Janeiro

Reprodução
“Tentando fazer o que o Estado não faz, que é levar comida, levar aquilo que falta. O Estado só leva isso aqui, bala"

Em outro vídeo, um dos voluntários questiona a política de segurança pública do governador Wilson Witzel (PSC). “É seu governador, tudo bem com você? A gente tá aqui, mais um dia de ação do Frente CDD, dentro da casa de moradores, com a nossa roupa tudo infectada, porque a bala tá comendo lá fora. E a gente tá encurralado dentro da casa dos outros, cheio de criança com medo”, relata.

“Tentando fazer o que o Estado não faz, que é levar comida, levar aquilo que falta. O Estado só leva isso aqui, bala. A única coisa que a gente tem é bala dentro da favela. Todo mundo agora cercado, todo mundo jogado no chão dentro da casa dos outros, com medo, muito obrigado pela sua ação, seu governador”, ironiza.

‌Segundo o Voz das Comunidades, o jovem foi baleado durante ação do Batalhão de Operações Policiais Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro (Bope) e colocado dentro de um caveirão. Ele foi levado para o Hospital Lourenço Jorge, mas não resistiu.

Os voluntários ouvidos pelo Voz disseram que tentaram identificar o corpo, mas foram reprimidos pelo oficiais. “Quem não quer ser baleado tem que sair com uma bíblia na mão”, teria dito um dos PMs. O governador Wilson Witzel disse uma frase parecida durante entrevista no ano passado.

O caso aconteceu um dia depois do menino João Pedro, de 14 anos, ser encontrado morto no Instituto Médico Legal (IML) de São Gonçalo, também no Rio


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Luisa Fragão

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