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O bloqueio, a lama e a retórica de Obama

Revista Diálogos do Sul

Tradução:

Juan Carlos Díaz Guerrero*

bloqueo-vs-cuba1O bloqueio econômico, comercial e financeiro de Estados Unidos contra Cuba, além de ilegal e genocida, denota hoje a contradição entre seu governo e as mais variadas vozes internas de oposição à medida coercitiva.

A obsolescência dessa disposição está ficando como um remanescente da Guerra Fria que persegue os mesmos objetivos de sempre: romper a ordem democrática constitucional cubana estabelecida em 1959 e que foi referendada pela imensa maioria do povo em 1992.

Onze administrações estadunidenses de democratas e republicanos tem sustentado de forma invariável por 55 anos a política genocida, com maior ou menos força sem mudar sua essência, de provocar “a fome, o desespero e a derrubada do governo”, como assegura um documento oficial dos EUA de 1960.

Os dados oficiais proporcionados pelas autoridades cubanas sobre os danos econômicos causados ao povo pelo bloqueio revelam seu impacto negativo que abarca todos os setores da vida econômica, social, cultural e política da nação cubana.

O informe “Necessidade de colocar fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos contra Cuba” que será apresentado na Assembleia Geral da ONU em outubro, denuncia que o dano supera um bilhão 112 mil 534 milhões de dólares.

Para o governo de Cuba este ato de guerra constitui o principal obstáculo ao desenvolvimento econômico e social do país, além de causar enormes estragos de ordem material e espiritual a várias gerações de cubanos.

Quando em setembro do ano passado o presidente estadunidense Barack Obama renovou a lei que ampara tal disposição por considera-la de “interesse nacional”, perdeu a excelente oportunidade de satisfazer a centenas de vozes que internamente pedem para que termine o que eles chamam de embargo.

cubaPorque são cada vez maiores as exortações para tal reivindicação por congressistas, acadêmicos, cientistas, militares, lideres religiosos e devotos de diferentes denominações, além de ex funcionários do governo, como a secretaria de Estado, Hillary Clinton, que advogou “pelo fim do embargo”.

Uma pesquisa publicada no início de 2014 pela instituição acadêmica Atlantic Council, revelou que 56 por cento dos estadunidenses são a favor da mudança da política e 61 por cento aprova a exclusão de Cuba na lista de estados terroristas, qualificada de absurda e cínica pelo governo caribenho.

O presidente da empresa Google, Eric Schidt, que visitou Cuba em junho deste ano, foi incisivo ao considerar que as políticas do governo de seu país contra a maior das Antilhas “desafiam a razão” porque “o bloqueio não faz sentido algum para os Estados Unidos”.

A incoerência do discurso de Obama com relação a Cuba ficou claro ao reconhecer publicamente em evento de arrecadação de fundos para seu partido a imperfectividade da política da Casa Branca para com a Ilha na atual conjuntura.

O presidente manifestou, na ocasião, que essa política (de bloqueio) deve continuar se atualizando de forma “criativa e reflexiva”, retórica que se soma à pretensão de fazer aparecer que há certa “flexibilização” da agressiva medida quando na realidade demonstra o contrário.

Os dados falam por sí quando se conhece que em cinco anos de administração de Obama multa a mais de uma trintena de entidades nacionais e estrangeiras com a astronômica soma de mais de onze bilhões de dólares, um ataque cruel contra a atividade financeira da ilha em meio das mudanças e transformações da economia.

Enquanto Cuba avança na diversificação de seu contexto econômico com a derrogação de velhas leis e aprovação de outras mais acordes aos requerimentos universais e possibilidades próprias de desenvolvimento, EUA incrementa o caráter extraterritorial do bloqueio.

O efeito disso se ve concretamente, por exemplo, no comercio exterior e na promoção dos investimentos estrangeiros diretos no país, um dos setores mais afetados pela medida unilateral estadunidense que só num período de 15 meses provou danos que superam a três bilhões e 900 milhões de dólares.

Sendo Cuba uma praça natural para o comercio de Estados Unidos por sua proximidade geográfica de apenas 150 quilômetros, esta impedida de receber ingressos pela venda de bens e serviços por causa da agressiva disposição que também afeta a empresários e comerciantes estadunidenses.

A aplicação extraterritorial do bloqueio tem causado, também, prejuízos ao sistema bancário cubano, pois de abril de 32013 a junho de 2014, provocou aplicação de castigos a 27 instituições bancarias estrangeiras por conta de negar a entrega de créditos até o fechamento de contas em bancos da Europa, Ásia e América Latina.

Essa atitude derrama mais lama ao desempenho de Obama na reta final de seu mandato quando na realidade também são implementados novos projetos subversivos como o recrutamento de jovens latino-americanos para perturbar a ordem em Cuba e através do chamado “zunzuneo”.

Esta última operação encoberta forma parte da estratégia do atual governo estadunidense para promover mudança de regime em Cuba, através do emprego de novas tecnologias de informação e comunicação em flagrante violação ao direito internacional.

Em aberta contradição, Estados Unidos promove por um lado o uso das YIC de forma subversiva enquanto por outro lado nega o acesso a equipamento, tecnologia, conexão às redes, cabos de fibra ótica e a outros recursos que promoveriam o desenvolvimento nessa área.

*Prensa Latina de La Habana para Diálogos do Sul


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
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