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O discurso de Putin na cerimônia de adesão de regiões separatistas ucranianas à Rússia

"Por trás da escolha de milhões de pessoas (...) está nosso destino comum e uma história de mil anos", declarou o líder russo nesta sexta-feira (30)
Redação Sputnik Brasil
Sputnik Brasil
Moscou

Tradução:

Decorreu hoje, em Moscou, a cerimônia de adesão à Rússia da República Popular de Donetsk, da República Popular de Lugansk e das regiões de Kherson e Zaporozhie, na presença do presidente Vladimir Putin e após referendos a favor da decisão.

Vladimir Putin, presidente da Rússia, discursou sobre os resultados dos referendos nas repúblicas populares realizados na região de Donbass, e também nas regiões de Kherzon e Zaporozhie.

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Ele falou sobre como ocorreu o regresso histórico dessas regiões à Rússia, lamentando como a queda da União Soviética separou os diferentes povos, e instou Kiev e o Ocidente a reconhecer a nova realidade.

"Por trás da escolha de milhões de pessoas (...) está nosso destino comum e uma história de mil anos", declarou o líder russo nesta sexta-feira (30)

Sputnik | Grigory Sysoev
“Durante oito longos anos, as pessoas em Donbass foram submetidas a genocídio, bombardeio e bloqueio”, lembrou Putin

Discurso do líder russo

Caros cidadãos da Rússia, cidadãos de Donetsk e Lugansk, moradores das regiões de Zaporozhie e Kherson, deputados da Duma, senadores da Federação da Rússia!

Sabem que foram realizados referendos nas repúblicas populares de Donetsk e Lugansk, nas regiões de Zaporozhie e Kherson. Seus desfechos foram oficializados, os resultados são conhecidos. As pessoas fizeram sua escolha, uma escolha inequívoca.

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Hoje assinamos acordos de admissão à Rússia da República Popular de Donetsk, da República Popular de Lugansk, da região de Zaporozhie e da região de Kherson. Estou certo de que a Assembleia Federal apoiará as leis constitucionais sobre a admissão e formação na Rússia de quatro novas regiões, quatro novas entidades constituintes da Federação da Rússia, porque essa é a vontade de milhões de pessoas.

E esse é o seu direito, naturalmente, seu direito inalienável, que está consagrado no artigo 1º da Carta das Nações Unidas, que fala diretamente do princípio de igualdade de direitos e da autodeterminação dos povos.

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Repito: é um direito inalienável do povo, baseia-se na unidade histórica, em nome da qual gerações de nossos antepassados, aqueles que desde as origens da Rus Antiga, ao longo dos séculos, construíram e defenderam a Rússia, venceram. Aqui, em Novorossiya, lutaram [Pyotr] Rumyantsev, [Aleksandr] Suvorov e [Fyodor] Ushakov, [a imperadora] Catarina II e [Grigory] Potemkin fundaram novas cidades. Nesse lugar, durante a Grande Guerra pela Pátria [parte da Segunda Guerra Mundial, compreendida entre 22 de junho de 1941 e 9 de maio de 1945, e limitada às hostilidades entre a União Soviética e a Alemanha nazista e seus aliados], nossos avós e bisavós ficaram para lutar até a morte.

Sempre nos lembraremos dos heróis da “primavera russa”, aqueles que não aceitaram o golpe de Estado neonazista na Ucrânia em 2014, todos aqueles que morreram pelo direito de falar sua língua nativa, preservar sua cultura, tradições, fé, pelo direito de viver. Estes são os guerreiros de Donbasss, os mártires do Katyn de Odessa, e as vítimas dos desumanos ataques terroristas do regime de Kiev. São voluntários e milícias, são civis, crianças, mulheres, idosos, russos, ucranianos, pessoas das mais diversas nacionalidades. Aleksandr Zakharchenko, este é o verdadeiro líder do povo de Donetsk, estes são os comandantes de combate Arsen Pavlov e Vladimir Zhoga, Olga Kochura e Aleksei Mozgovoy, este é Sergei Gorenko, promotor da República de Lugansk. Este é o paraquedista Nurmagomed Gajimagomedov e todos os nossos soldados e oficiais que tiveram mortes dos corajosos durante a operação militar especial. Eles são heróis, heróis da grande Rússia. E, por favor, observem um minuto de silêncio em sua memória.

Obrigado.

Por trás da escolha de milhões de pessoas nas repúblicas populares de Donetsk e Lugansk, nas regiões de Zaporozhie e Kherson, está nosso destino comum e uma história de mil anos. As pessoas transmitiam este vínculo espiritual a seus filhos e netos. Apesar de todas as provações, eles carregaram seu amor pela Rússia ao longo dos anos, e ninguém pode destruir este sentimento em nós. É por isso que as gerações mais velhas, aquelas que nasceram após a tragédia do colapso da União Soviética, votaram pela nossa unidade, pelo nosso futuro comum.

Em 1991, na Floresta de Belovezhskaya, sem pedir a vontade dos cidadãos comuns, os representantes das elites partidárias de então tomaram a decisão de desmoronar a URSS, e as pessoas se viram isoladas de sua Pátria de um dia para outro. Isto rasgou e dividiu nossa unidade nacional viva, e se transformou em uma catástrofe nacional. Como uma vez, após a revolução [de 1917] as fronteiras das repúblicas Soviéticas foram desenhadas nos bastidores, os últimos líderes da União Soviética destruíram nosso grande país apesar da vontade direta da maioria em um referendo em 1991, simplesmente colocando as nações diante do fato.

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Admito que eles nem entenderam completamente o que estavam fazendo, e que consequências isso traria inevitavelmente, mas isso já não importa mais. A União Soviética se foi, o passado não pode ser trazido de volta, e a Rússia hoje não precisa disso, nós não aspiramos a isso. Mas não há nada mais forte do que a determinação de milhões de pessoas que por sua cultura, fé, tradições e língua se consideram parte da Rússia, cujos ancestrais por séculos viveram em um único estado. Não há nada mais forte do que a determinação dessas pessoas em regressar à sua verdadeira pátria histórica.

Durante oito longos anos, as pessoas em Donbass foram submetidas a genocídio, bombardeio e bloqueio, enquanto em Kherson e Zaporozhie, tentaram inculcar criminalmente o ódio à Rússia, a tudo o que era russo. Agora, já durante os referendos, o regime de Kiev tem ameaçado com represálias e mortes os professores e as mulheres que trabalhavam nas comissões eleitorais, intimidando milhões de pessoas que vieram para expressar sua vontade. Mas o povo de Donbass, Zaporozhie e Kherson resistiu e falou.

Quero que as autoridades de Kiev e seus verdadeiros mestres no Ocidente me ouçam, e quero que todos se lembrem disto: as pessoas que vivem em Lugansk e Donetsk, Kherson e Zaporozhie, tornam-se nossos cidadãos para sempre.

Exortamos o regime de Kiev a cessar imediatamente o fogo, todas as hostilidades, a guerra que desencadeou ainda em 2014, e a voltar à mesa de negociações. Estamos prontos para isso, já foi dito muitas vezes. Mas a escolha das pessoas em Donetsk, Lugansk, Zaporozhie e Kherson não será discutida, já foi feita, a Rússia não a trairá, e as autoridades de hoje em Kiev devem tratar essa livre expressão da vontade do povo com respeito, e de nenhuma outra forma. Este é o único caminho possível para a paz.

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Defenderemos a nossa terra com todas as forças e meios que temos, e faremos todos os possíveis para garantir a segurança de nosso povo. Esta é a grande missão de libertação de nosso povo.

Certamente que reconstruiremos cidades e aldeias destruídas, habitações, escolas, hospitais, teatros e museus, restauraremos e desenvolveremos empresas industriais, fábricas, infraestrutura, sistemas sociais, de pensões, de saúde e de educação.

É claro, trabalharemos para melhorar a segurança. Juntos faremos com que os cidadãos das novas regiões sintam o apoio de todo o povo da Rússia, de todo o país, de todas as repúblicas, de todas as regiões de nossa grande pátria.

Caros amigos, colegas!

Hoje gostaria de me dirigir aos soldados e oficiais que participam da operação militar especial, os soldados de Donbass e Novorossiya, àqueles que após o decreto de mobilização parcial entraram nas fileiras das Forças Armadas, quem, cumprindo seu dever patriótico, e respondendo ao chamamento de seus corações, vem ele próprio aos centros de alistamento militar.

Gostaria de dirigir a palavra aos seus pais, esposas e filhos, e dizer por que nosso povo está lutando, que inimigo enfrentamos, quem está lançando o mundo em novas guerras e crises, aproveitando a tragédia para sacar seu lucro sangrento.

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Nossos compatriotas, nossos irmãos e irmãs na Ucrânia: uma parte nativa de nossa nação unida, viram com seus próprios olhos o que os círculos governantes do chamado Ocidente estão preparando para toda a humanidade. Aqui eles simplesmente jogaram fora suas máscaras e mostraram sua verdadeira face.

Após o colapso da União Soviética, o Ocidente decidiu que o mundo, todos nós, teríamos que aturar seus ditames para sempre. Na época, em 1991, o Ocidente pensava que a Rússia nunca se recuperaria desta convulsão, e que se desmoronaria por si só. Isso até quase aconteceu: nos lembremos dos anos 90, os terríveis anos 90, famintos, frios e sem esperança. Mas a Rússia aguentou, se fortaleceu e voltou a recuperar seu lugar de direito no mundo.

Ao mesmo tempo, o Ocidente tem todo este tempo procurado e segue procurando uma nova chance de nos atingir, de enfraquecer e desintegrar a Rússia, como sempre sonharam fazer, de fragmentar nosso Estado, de colocar nossos povos uns contra os outros, de os condenar à pobreza e à extinção.

Eles simplesmente não conseguem dormir por existir um país tão grande e vasto no mundo, com seu território, riquezas naturais, recursos, com um povo que não sabe, nem nunca viverá de acordo com a vontade alheia.

O Ocidente está disposto a tudo para preservar esse sistema neocolonial que lhe permite parasitar, basicamente roubar o mundo às custas do poder do dólar e dos ditames tecnológicos, coletar da humanidade um tributo real, extrair a principal fonte de riqueza não conquistada, a renda hegemônica. A preservação desta renda é seu motivo-chave genuíno e absolutamente egoísta. É por isso que é de seu interesse acabar totalmente com as soberanias. Daí sua agressão contra Estados independentes, contra valores e culturas tradicionais, tentativas de minar processos internacionais e de integração fora de seu controle, novas moedas e centros de desenvolvimento tecnológico mundiais. Para eles é extremamente importante que todos os países renunciem sua soberania em favor dos Estados Unidos.

Os círculos dirigentes de alguns países concordam voluntariamente em fazê-lo, concordam voluntariamente em tornar-se vassalos; outros são subornados ou intimidados. Quando não conseguem isso, destroem países inteiros, deixando para trás desastres humanitários, catástrofes, ruínas, milhões de vidas humanas arruinadas, enclaves terroristas, zonas de desastre social, protetorados, colônias e semicolônias. Eles não se importam, desde que se beneficiem.

Redação Sputnik Brasil


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