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Organismos internacionais são cúmplices da violência de Boluarte contra povo peruano

Grande inimigo é, em suma, o sistema instalado por obra e graça de um império em fissuras
Carolina Vásquez Araya
Diálogos do Sul
Cidade da Guatemala

Tradução:

Impressionam a crueldade, estupidez e cinismo de Dina Boluarte, a que mulher que, respaldada pela classe economicamente dominante do Peru, abriu a comporta da violência extrema contra o povo peruano. Já são mais de 60 manifestantes assassinados a sangue frio pelas forças armadas, cujos elementos pertencem à mesma classe marginaliza e empobrecida que reprimem. Os discursos de Boluarte, carregados de ódio e mentiras, representam a debilidade comum às oligarquias latino-americanas, cuja resposta às demandas de justiça e igualdade são sempre as balas.

No Peru, se repete o esquema de dois pesos e duas medidas imposto pelos EUA a todo nosso continente: seus discursos por democracia e liberdade naufragam assim que o medidor da balança se inclina a favor da eleição de governos progressistas, cujas propostas se afastam dos interesses do império e das multinacionais.

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O destino dos países de terceiro mundo está condicionado por esse parâmetro neoliberal que os impede de superar, porque a superação e a independência significam uma redução dos privilégios daqueles que dominam o planeta. O melhor exemplo disso é que o circo do Fórum Econômico Mundial, em Davos, onde os mais altos escalões da aristocracia econômica esfregam os ombros uns com os outros, rifando com estilo o futuro do povo enquanto partilham, entre si, a riqueza dos outros.

Grande inimigo é, em suma, o sistema instalado por obra e graça de um império em fissuras

Twitter | Reprodução
As demandas dos povos são uma bofetada imperdoável para as classes dominantes

A guerra declarada no Peru não escapa a este esquema. Boluarte, a grande traidora, é apenas uma peça do quebra-cabeça e o seu patético papel se define por acatar cegamente as ordens da cúpula econômica de seu país.

O mesmo acontece em outras nações latino-americanas, onde o cheiro do colonialismo satura qualquer iniciativa de impor um modelo mais humano, resgatar os benefícios da exploração de suas riquezas naturais e respeitar a autonomia dos seus povos originários. O grande inimigo é, em suma, o sistema instalado por obra e graça de um império que também está, por sua vez, cheio de fissuras.

Os mortos pela violência nas ruas das cidades peruanas constituem uma evidência da debilidade do governo e do descrédito de suas autoridades. Os cidadãos exigem melhores condições de vida e isso, tanto no Peru como em todos os nossos países, é uma demanda cujas consequências vão desde a repressão mais extrema, até a instalação de uma ditadura, tal como sucede neste momento no país andino.

Os instrumentos para consolidar esses governos repressivos estendem seus tentáculos com uma eficácia surpreendente, criando uma cúpula de silêncio ao redor das atrocidades cometidas pelos ditadores, neste caso por excessos cometidos pelas forças armadas sob ordens de Dina Boluarte.

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Dessa forma, se instala o silêncio cúmplice dos organismos internacionais supostamente criados para defender a democracia, a paz e a justiça, elevando os motivos da infâmia como justificativa válida para as atrocidades.

Em meio a este cenário de violência, a imprensa se cala. Desliga suas câmeras, volta sua atenção aos temas de uma agenda midiática imposta pelos países poderosos e deixa seus valores de lado para responder aos interesses alheios à sua verdadeira missão.

O que quer que aconteça no país sul-americano é coberto com um filtro neutro, para não ofuscar outras campanhas midiáticas do interesse geopolítico e econômico das nações poderosas.

As demandas dos povos são uma bofetada imperdoável para as classes dominantes.

Carolina Vasquez Araya | Colaboradora da Diálogos do Sul na Cidade da Guatemala.
Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Carolina Vásquez Araya Jornalista e editora com mais de 30 anos de experiência. Tem como temas centrais de suas reflexões cultura e educação, direitos humanos, justiça, meio ambiente, mulheres e infância

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