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Os meios esqueceram da ética

Revista Diálogos do Sul

Tradução:

Chicotada

atica-e-com2É incrível a desonestidade, ou melhor, extrema violação da ética, por parte dos meios de comunicação brasileiros. Tomaram como um magno escândalo o rebaixamento na classificação de risco anunciado pela S&P, uma agência que serve aos interesses dos investidores (leia-se especuladores).

No dia 10 de setembro, quando se soube da notícia, a Globo News, por exemplo, não falava de outra coisa, dia e noite. Seus comentaristas babavam de prazer por ter algo mais com que desestabilizar o governo. Com isso, os meios estão fazendo o jogo favorito dos especuladores. Nem uma palavra sobre a classificação das agência que concorrem com a S&P.

O que o efeito que provoca?
O valor das ações das principais empresas (Petrobras, Vale) e inclusive bancos (Itaú e Bradesco), cai os vivaldinos compram ações na baixa para logo depois vender com ganhos bilionários. É tudo um jogo de cartas marcadas no cassino global.

Caem também o valor dos títulos da dívida brasileira. Pra compensar o Banco Central aumenta os juros, ou seja, aumenta a dívida e aumenta os juros a pagar. Como boa parte da dívida é em dólar, aumenta também com a desvalorização da moeda que já está chegando nos 4 reais.

Recorde-se o que aconteceu logo no início do escândalo mediático sobre os desvios de dinheiro da Petrobras. As ações da empresa caíram, o mega investidor George Soros comprou milhões em ações. Contudo, todo mundo sabe que a Petrobras é uma gigante que nasceu para dar lucro, pois petróleo é lucro. Não transcorreu nem um mês para que as ações se valorizassem. Não há como pensar que a empresa vai quebrar ou deixar de ter lucro. Passada essa fase de extrema especulação, continuará sendo um excelente negócio comprar ações da petroleira brasileira.

O mesmo com os Bancos Itaú e Bradesco. São os bancos mais lucrativos do mundo. Não há melhor negócio do que fazer com que baixem as ações desses bancos, comprá-las para vender no trimestre seguinte. O lucro trimestral do Itaú, por exemplo, está em torno de 5 bilhões de reais.

São três as principais agências de classificação de risco que atuam para gáudio de  especuladores de todo o mundo: a Standard & Poors Ratings Service, a Fitch Ratings e a Moody’s Investors Service. Dessas três, só uma rebaixou a nota do Brasil e da Petrobras, as demais mantiveram como estável.

Standard & Poors Ratings Service, faz parte da McGraw Hill Financial Essential Inteligence,  junto com S&P Capital IQ; S&P Dow Jones Indices; Plattsl jD Power.

A McGraw é uma mega corporação que também controla a Editora McGraw Hill, uma das maiores em língua inglesa se considerarmos que controla a Artmed Editora, Artes Médicas, Revista Pátio, Medicina Net, Bookman Editora, Penso Editora. Também pertence ao grupo a Blackbeard, líder mundial em tecnologia para educação, e a Mc Graw Hill Education, formação a distância e presencial.

A Moody’s Corporation, produz análises de mercado e de crédito, presta serviços de pesquisa e classificação e também atua como grande provedor de internet. Essa agência mantém o selo de bom pagador e diz que só muda a classificação do Brasil se  ocorrer algo parecido com um cataclisma (evento brusco).

A Fitch Ratings, como as duas anteriores, tem atuação global, isto é, estão em muitos países. A Fitch monitora principalmente bancos, corporações, fundos soberanos, manejo financeiro dos municípios. Ela afirmou que a nota do Brasil dependerá da dinâmica de sua dívida e de seu crescimento. Em suma, é um pouco cedo para avaliar o que o governo está planejando para equilibrar suas contas.

Paulo Cannabrava Filho, editor


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
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