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Palavreado enganoso no Peru

Gustavo Espinoza M.

Tradução:

Gustavo Espinoza M.*

gustavo espinoza perfil dialogos do sulPoucas vezes se fez tanto escândalo no país como no caso de Martín Belaúnde Lossio, publicitário hoje refugiado na Bolívia, que pode ser definido como um aventureiro com sorte, metido em negócios bastante sujos.

Todos os meios, incluindo rádio, televisão e impressa, somaram forças não para explicar a natureza do caso mas para desatar uma bateria de acusações que ultrapassa a imaginação popular e até a vida e obra do acusado. Além do que tenha sido capaz de fazer – ou não fazer – o que a grande imprensa procura através dessa ofensiva midiática é confundir as pessoas.

Martín Belaúnde Lossio
Martín Belaúnde Lossio

Incapaz de provar atos ilícitos hipoteticamente praticados pelo acusado, pensam que o fundamental é que as pessoas se confundam, que ninguém saiba, a ciência certa, do que se trata, nem do que consiste as acusações. Desse modo, acreditam, que por cansaço, tédio ou aborrecimento as pessoas acabarão por repetir o que diz a “grande imprensa”.
E, o que diz? Através de Radio Programas do Peru, Mariela Balbi, Patrícia del Rio e Raúl Vargas repetem até o cansaço que Martín Belaúnde é “ex-assessor presidencial que que está implicado em graves delitos. O eco, é infinito.
O primeiro é uma mentira das grandes. Nunca foi. O máximo  que se poderia sustentar é que colaborou com o candidato Humana na campanha eleitoral de 2006, e mais esporadicamente, em 2011. Mas jamais foi assessor, nem funcionário do governo, em nenhuma de suas instâncias e modalidades.
O segundo, está em veremos. Terá que ser destrinchado por um Tribunal peruano. E quando mais rápido, melhor.
Por que, então, se empenham em assegurar obsessivamente alto sabidamente falso? Porque o único que realmente ostenta essa condição – não de Humala, mas de Fujimori – é o Valdemiro Montesinos, hoje encarcerado.
Em outras palavras, que que se pretende é mimetizar um no outro; para logo mimetizar também o atual mandatário com o mafioso de ontem, ou seja, se àquele foi derrotado por causa de seu assessor, porque não se derruba este também? Isso é assim mesmo e parece que é assim pelo nível intelectual de seus promotores  é insuficiente.
A ideia não é atingir só ao presidente. Se procura, sem escrúpulo, atingir a esposa do mandatário, que querem demolir como seja, porque têm medo de que dadas as circunstâncias ela possa sair candidata presidencial do nacionalismo para as eleições de 2016. Isso os deixa eriçado.
Ocorre que, objetivamente e à margem de adesões ou repúdios, ela é a única que -de acordo com as pesquisas- esta em conduções de obter 25% dos votos em primeiro turno, ou seja, derrotar a García em abril e enfrentar e vencer a Keiko em junho. Poderá surgir outro, porém isso ainda não ocorreu.
Martelar em dois conceitos: Martín é “um delinquente”e foi “assessor presidencial”, são as ferramentas chave no edifício de mentiras que -como nas novelas brasileiras- procurar construir como dê lugar. E sustentam isso para afirmar impudicamente: Ollanta e Nadine são “os chefes” da “rede” de Martín Belaúnde”. Nada menos˜.
O intuito golpista é evidente. E os que o promovem não mostram nenhuma prova. Nem sequer preciso de um roteiro serio de investigação em torno das presumíveis ações ilegais por parte de Martín. Mas, martelam as coisas de tal maneira que três ministros do Congresso tiveram que responder – sob ameaçado censura aos requerimentos da oposição. “Cabeças vão rolar”, gritam eufóricos no que hoje deixou de ser um respeitável recinto, e se converteu – segundo um inflamado parlamentar – em apenas uma “cantina fascista”.
Em meio aos exabruptos resultando da campanha midiática esquecem que Martín não é funcionário público. Nunca foi. Não dispõe de um real dos fundos de Estado nem nem teve em mãos verbas do orçamento.
Não foi nem é Facundo Chinguel, nem Aurelio Pastos, nem o médico aprista que desviou doações enviadas para as vítimas do terremoto de Pisco. Tampouco é um Jorge del Castillo, que se reuniu com Canaan, com fins inconfessáveis. Nem tampouco Agustín Mantilla que administrou uns seis milhões de dólares de uma conta de Alan García na Florida.
Tampouco é o general Malca nem o embaixador Aritomi. Nem Hurtado Miller, nem Kenyi Fujimori, envolvido com o Narcotráfico. Menos ainda o responsável pelo avião presidencial que nos anos de Fujimori transportava toneladas de cocaína para vender no exterior.
Nada disso. É apenas um cidadão que prestará contas à justiça e que responderá por açoes ilegais vinculadas aos lobos.
Agora de lançou contra ele uma verdadeira tempestade: ha que extraditá-lo, fazer com que o expulsem da Bolívia, impõem-se sua imediata captura, dizem em uníssono todos os da Máfia, desde Mario Saldaña até Mónica Delta.
Inventaram um encontro secreto entre Humana e Evo Morales para tratar do assunto; o governo boliviano o protege para salvar Humana. Assim repetem, sugerem, deduzem proclamam, asseguram, comentam. Repetem mil fazes para que a mentira se converta em verdade.
Esse palavreado enganoso de pouco servirá se as pessoas perceberem a natureza da campanha em marcha. Há que dar tempo ao tempo.
*Colaborador de Diálogos do Sul, de Lima Peru


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Gustavo Espinoza M. Jornalista e colaborador da Diálogos de Sul em Lima, Peru, é diretor da edição peruana da Resumen Latinoamericano e professor universitário de língua e literatura. Em sua trajetória de lutas, foi líder da Federação de Estudantes do Peru e da Confederação Geral do Trabalho do Peru. Escreveu “Mariátegui y nuestro tiempo” e “Memorias de un comunista peruano”, entre outras obras. Acompanhou e militou contra o golpe de Estado no Chile e a ditadura de Pinochet.

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