Pesquisar
Pesquisar

Pandemia de coronavírus deverá encaminhar economia mundial para período de recessão

Está claro que o Brasil não pode se vincular a hegemonia marcada na atualidade pelo declínio dos Estados Unidos com Trump
Claúdio di Mauro
Diálogos do Sul Global
Franco da Rocha

Tradução:

A situação provocada pela Pandemia com o ataque do coronavírus deverá encaminhar a Economia Mundial para um período de recessão. A recessão já está ocorrendo.

Há cálculos que projetam que o Brasil terá encolhimento na economia de 5%, com tal perda no Produto Interno Bruto -PIB.

Neste segundo trimestre do ano de 2020, há projeções que nos Estados Unidos está ocorrendo uma queda de 35% na Economia.

É verdade que tais previsões são feitas por economistas durante todo o processo em que está ocorrendo a recessão. Possivelmente haverá muitos motivos para correção dos dados e números. Claro que minha abordagem que nem sou economista poderá ser ainda mais equivocada, mas como geógrafo, não é possível desviar destes assuntos.

O que se pode dizer é que a economia mundial e dos países está em frangalhos, pela desestruturação das cadeias produtivas.

Está claro que o Brasil não pode se vincular a hegemonia marcada na atualidade pelo declínio dos Estados Unidos com Trump

Agência Brasil
Há cálculos que projetam que o Brasil terá encolhimento na economia de 5%, com tal perda no Produto Interno Bruto -PIB.

Há quem afirme que depois que essa pandemia passar, “tudo voltará ao normal”. Francamente espero que não volte ao que estava considerado como normal. O neoliberalismo da chamada globalização, com facetas de neofascismo é um entre os maiores responsáveis pela situação grave que assola os países. Ao sair da crise sanitária e geradora do caos econômico, precisamos de uma verdadeira revolução nas relações sociais e econômicas, no tratamento das questões humanas e ambientais.

No campo Político Partidário são debatidas propostas que mudam de direção, as práticas econômicas, com todas as suas repercussões na revisão da globalização.

O saudoso Professor Doutor Milton Santos anunciou que precisaríamos trabalhar por uma outra globalização. O economista Paulo Nogueira afirma que há necessidade de uma “desglobalização”.

O debate executado pela Auditoria Cidadã, demonstra que o Brasil não pode continuar pagando juros e encargos, com baixo abatimento na dívida pública brasileira em patamares de 38% do PIB. São juros sobre juros.  Daí pede uma Auditoria em tudo o que é considerado como Dívida Pública do Brasil, que esclareça quem são os credores, como foram pactuadas essas dívidas e quanto já se pagou em cada caso.

Mas, há outros que fazem a simples proposição para zerar os Juros e encargos que são pagos com base no atual orçamento brasileiro. Isso já representará uma redução significativa nos valores pagos, levando a valores que podem financiar a reconstrução do País, garantindo que todos brasileiros tenham uma Renda Mínima como base para continuar vivendo.

O Brasil pagou 5% de juros em cada ano da recente década (10 anos). É algo enorme que pode permitir neste momento o financiamento de ações indispensáveis para enfrentar o coronavírus. Da maneira como estamos pagando esses juros escorchantes, ao invés de atender as populações que precisam de apoio no enfrentamento da pandemia, estamos transferindo esses valores, inteiramente para o setor financeiro.

É importante considerar que em países do capitalismo central, na Europa, os juros estão negativos, no entanto no Brasil chegou a 20% para alguns produtos bancários. É momento de rever essa política de juros, adotando outro paradigma. Não há como ignorar que as políticas econômicas, além da redução dos juros, precisam estabelecer o Controle dos Capitais. Trata-se da intervenção na macroeconomia para regular o fluxo de capital e investimentos, reduzindo a volatilidade dos investimentos de estrangeiros no país sem agir negativamente na entrada de recursos. 

E o Brasil, como poderá sobreviver à essa loucura pandêmica? Deve-se refletir sobre a necessidade de reorganização de um verdadeiro Projeto de Desenvolvimento, compreendendo que é indispensável a desconcentração da renda, da riqueza e da propriedade, o que implica em uma verdadeira revolução social. Afinal é insustentável o modelo que estava sendo praticado antes da pandemia. Não poderemos retornar para ele, após tanto sofrimento. Esse modelo esgarçou e assim como a globalização que estava vigente foi arrebentado pelas exclusões sociais, pela destruição socioambiental e pela participação ativa do vírus que atua no mundo. 

Os maiores problemas que o Brasil precisa enfrentar neste momento são; vencer a luta contra o vírus e a pandemia, vencer a luta contra o atraso provocado pela irresponsabilidade do bolsonarismo dentro do governo e fora também e, está claro que o Brasil não pode se vincular a hegemonia marcada na atualidade pelo declínio dos Estados Unidos com Trump. 

É notável que o “projeto bolsonarista” está ruindo, se acabando, daí a necessidade das mudanças rápidas no cenário político que antecipe e evite o risco de mais um golpe militar.  

Torna-se indispensável revigorar o bom ânimo e a autoestima da população brasileira reconhecendo que ao distribuir a alimentação produzida, ninguém passará fome no País. O Brasil tem uma entre as mais avançadas economias do mundo, podendo investir na construção de um novo paradigma com infraestrutura, agricultura ambientalmente sustentável e renovação do parque industrial, capaz de melhorar significativas a vida de toda nossa população interna. 

Veja também


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Claúdio di Mauro

LEIA tAMBÉM

crise-humanitaria-iemen
“Economia inclusiva” é hipocrisia do FMI para preservar capitalismo frente à desigualdade global
Mercado de Sucre, na Bolívia
Por que alimentos no Brasil estão caros e na Bolívia, baratos? Segredo está no pequeno produtor
Javier_Milei_and_Santiago_Abascal_(cropped)
Superávit de Milei é ilusionismo contábil: a verdade sobre a economia Argentina
Desigualdade_FMI_Banco-Mundial
Em Washington, Brasil adverte: FMI e BM seguem privilegiando EUA e outros países poderosos