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Pandemia de coronavírus trouxe consigo uma batalha comunicacional de dimensões épicas

Nosso acesso à verdade é inexistente ou muito reduzido; e pela nossa própria saúde mental, temos que assumir esse fato
Carolina Vásquez Araya
Diálogos do Sul Global
Cidade da Guatemala

Tradução:

O vírus marcou de maneira rotunda uma mudança de era em todo o planeta. Esse divisor de águas produziu-se a partir da invasão ocasionada por um acidente – premeditado ou não – cujo resultado foi a liberação desse elemento mortífero a partir de um centro de pesquisa cujas consequências, junto com as sanitárias, devieram em um novo status social, político e econômico.

Foi então que o mundo submergiu em uma batalha comunicacional de dimensões épicas e, para maior confusão, com carência de recursos para aprofundar nas verdadeiras causas e consequências de tão impactante fenômeno.

A verdade se nos escapa e, enquanto isso, nos entretemos em desenvolver quanta hipótese nos cruza pela cabeça para manter certo nível de lucidez diante do caos e à perda de alguns direitos civis que acreditávamos invioláveis.

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No transcurso dos meses, imersos nessa broma macabra, nos submetemos contra a vontade a normas restritivas cujo pertinência é objeto de debate, mas que adquiriram força de lei sem direito a protestar.

É justo reconhecer que a pandemia requereu medidas draconianas contra a liberdade da cidadania; no entanto, a opacidade da informação ao alcance dos povos provoca uma enorme desconfiança naqueles que possuem o poder para controlar a situação e manipular os mecanismos legais.

Nosso acesso à verdade é inexistente ou muito reduzido; e pela nossa própria saúde mental, temos que assumir esse fato

JusBrasil
A opacidade da informação nos impede de exercer nossos direitos.

Oportunistas ou criminosos?

Nesse sentido, não é nenhum mistério a forma como alguns governantes aproveitaram de maneira ilícita e com marcado viés criminoso este risco sanitário, cujos efeitos não só ameaçam a saúde, mas enlutaram milhares de família ao redor do mundo, tanto em países ricos como em nações pobres.

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Os estratagemas funcionam graças ao ocultamento da informação sobre o manejo de fundos públicos, mas também com respeito aos sistema de vacinação – outro tema carregado do mistério – e o atendimento de emergência para as vítimas do contágio.

A isso há que somar a carência de recursos hospitalares e, como um dos melhores mecanismos de controle social, o medo coletivo. O debate sobre a efetividade e características das diferentes vacinas é o grande tema do dia. 

Em grupos de amigos, colegas e simples desconhecidos, entusiasmados por aportar suas muito variadas teorias, as vacinas se converteram em um sujeito propício para evadir o fato de que, por abundante e válida que seja informação captada em diferentes meios físicos e virtuais, é contundente a ignorância na qual nos mantêm tanto autoridades como centros de pesquisa.

Acesso a informação e a verdade

É impossível rebater o fato de que nossos conhecimentos sobre a matéria derivam de um universo informativo suscetível de ser condicionado por cúpulas de poder político e econômico, as mesmas que transformaram nossos países em exemplos de subdesenvolvimento. Nosso acesso à verdade é, portanto, inexistente ou muito reduzido; e pela nossa própria saúde mental, temos que assumir esse fato.

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Qual seria então a maneira de tomar o controle de nossos papel no palco? Mesmo quando existe uma enorme dificuldade para obter informação sobre as verdadeiras características da vacinas, ainda em desenvolvimento, e a única defesa contra o poderoso vírus, há outros temas como o manejo de fundos públicos para enfrentar esta emergência e cujos bastidores deviam ser de domínio geral.

A realidade nos demonstrou como as restrições abriram a porta ao saque e ao completo abandono da população e é nesse terreno onde ainda se pode lutar pela verdade.  

A opacidade da informação nos impede de exercer nossos direitos.

Carolina Vásquez Araya, Colaboradora de Diálogos do Sul de Cidade da Guatemala

Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Carolina Vásquez Araya Jornalista e editora com mais de 30 anos de experiência. Tem como temas centrais de suas reflexões cultura e educação, direitos humanos, justiça, meio ambiente, mulheres e infância

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