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Para diálogo de paz, Ucrânia quer que Rússia abandone regiões anexadas, incluso Crimeia

Casa Branca teria oferecida a Zelensky uma suposta via de negociação com o Kremlin, o que teria sido recusado pelo mandatário ucraniano
Juan Pablo Duch
La Jornada
Moscou

Tradução:

Rússia e Ucrânia deram nesta terça-feira (8) novas mostras de sua aparente disposição a negociar, mas o que entendem que deve fazer seu oponente, antes de se sentarem para falar de como terminar a guerra, põe em dúvida se realmente queiram, neste momento, abrir o caminho para a paz. 

No que parece uma resposta implícita ao presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, o vice-ministro de Relações Exteriores da Rússia, Andrei Rudenko, citado por Interfax, TASS e outras agências noticiosas locais, afirmou que Moscou está aberto para negociar com Kiev “sem exigir condições prévias, à exceção de uma: que a Ucrânia mostre boa vontade”. 

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No entanto, frisou, “a Ucrânia aprovou uma lei que proíbe manter conversações de paz com a Rússia (enquanto Vladimir Putin seja presidente). Eles perdem. Sempre temos manifestado estar dispostos a sustentar negociações, as quais se interromperam não por nossa culpa”. 

Casa Branca teria oferecida a Zelensky uma suposta via de negociação com o Kremlin, o que teria sido recusado pelo mandatário ucraniano

President Of Ukraine – Flickr
Ao confirmar nesta terça-feira sua participação na cúpula do G20, na Indonésia, Zelensky insistiu que o fará à distância




Conversações de paz genuínas

Zelensky, em sua habitual mensagem noturna, apontou anteriormente que “é fundamental obrigar a Rússia a participar em conversações de paz genuínas”, o que algumas mídias estrangeiras interpretaram como resultado da visita surpresa a Kiev, no último dia 4, de Jake Sullivan, conselheiro de segurança nacional dos Estados Unidos.

Embora se mantenha em segredo seu conteúdo, chegou à imprensa estadunidense que Sullivan ofereceu a Zelensky uma suposta via de negociação com o Kremlin, mas que até o momento o governante ucraniano não parece haver mudado de opinião.

Na mesma intervenção posterior à sua reunião com o influente emissário estadunidense, Zelensky fixou como condição prévia para negociar que a Rússia retire por completo todas as suas tropas da Ucrânia, o que inclui as quatro regiões anexadas há pouco e a Criméia, em 2014, além de recordar que já é uma lei que o titular do Kremlin, Vladimir Putin, não seja um interlocutor.

Ao confirmar nesta terça-feira sua participação na cúpula do G20, a ser celebrada neste mês na Indonésia, Zelensky insistiu que o fará à distância, por videoconferência, pois não tem nenhuma intenção de coincidir com Putin, o qual ainda não confirma sua participação. 

EXCLUSIVO: Um dia em meio à guerra na Ucrânia: bombas, destruição e silêncio

O mandatário ucraniano também enviou uma mensagem gravada aos participantes da cúpula climática no Egito e disse que “sem paz não pode haver uma política efetiva em matéria de clima”, exortando a comunidade internacional a “deter aqueles que, com sua demencial guerra ilegal, destrói a capacidade do mundo para trabalhar juntos por objetivos comuns”. 

Enquanto a secretária de imprensa da Casa Branca, Karine Jean-Pierre, declarou que os Estados Unidos se reserva ao direito de negociar com a Rússia, a porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova, assegurou que Moscou não se opõe a um diálogo de mútuo benefício com Washington.

A diplomata russa confirmou nesta terça-feira, no programa de televisão Soloviov-Live, que a Rússia mantém “contatos pontuais” com Estados Unidos sobre “assuntos urgentes”, embora tenha reconhecido que entre ambos os países “ainda não há condições para ter uma relação bilateral completa”.

Juan Pablo Duch | Correspondente do La Jornada em Nova York.
Tradução: Beatriz Cannabrava.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Juan Pablo Duch Correspondente do La Jornada em Moscou.

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