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Parem de matar índios!

Rosemberg Cariry

Tradução:

Rosemberg Cariry é cineasta, poeta e colaborador da Diálogos do Sul.
Rosemberg Cariry é cineasta, poeta e colaborador da Diálogos do Sul.

Precisamos compreender que há um mundo que se desfaz em suas arrogâncias e certezas, há uma crise civilizatória de um modelo economicista e predatório que se esgota. Uma crise que afeta especialmente os índios.

Rosemberg Cariry *

Estas manifestações estão acontecendo no mundo todo, não é apenas no Brasil…

É como se maio de 68 fosse apenas um ensaio para o que vivemos hoje, sendo que o que vivemos hoje no mundo é mais significante e intenso, pois se trata da agonia de uma civilização, de um modelo violento e injusto.

Este é o momento de um PARTO. Não sabemos ainda quem é a criança e com quem se parece. O movimento dos indignados é contra tudo que “aí está” e acontece em todos os lugares: em nova Iorque, em Madrid, em Berlim, no Rio, em Atenas, no Cairo, em Fortaleza, em Ancara, em Teresina…

500Neste momento, não existem pautas e nem podem existir pautas. Existem esperanças que revigoram o mundo e a humanidade.

As multidões podem produzir transformações para o bem e para o mal.
Em todas estas transformações profundas, teremos o caos. Sempre foi assim em toda a história da humanidade.

“Do caos a luz”, já dizia Nietzsche.

Poderíamos dizer que desta civilização apodrecida pode nascer uma flor de lótus (um novo processo).

Dizem que Buda Shakyamuni, certa vez, em silêncio, girou nos dedos uma flor de lótus,
como “sermão”, apenas um dos seus discípulos, Mahakassyapa, percebeu o ensinamento,
sorriu e se iluminou. Ele compreendeu que aquela flor branca e puríssima vinha dos pântanos
e do caos. Da mesma forma no caos aparente é preciso compreender o novo, a luz que
da nova ordem civilizatória que se anuncia.

Talvez, estejamos vivendo um momento assim e ainda não tenhamos a capacidade do discípulo de Buda
para compreendermos e nos iluminarmos.

O mundo como está é insustentável e insuportável.
Mesmo que estas manifestações, no Brasil, cessem amanhã, nada será como antes,
e o processo continuará, pois o mal-estar é mais profundo e vai além dos discursos políticos tradicionais
de esquerda ou direita que se uniram achando que “esquerda e direita unidas
jamais serão vencidas”. Serão sim!

Embora seja um texto antigo, recomendo a leitura do “Mal-estar da Civilização” de Freud.
Faz tempo que este modelo de civilização vem apodrecendo… O que foi a primeira guerra mundial
com os seus 50 milhões de mortos? Foi um sangradouro armado pelo capitalismo em defesa de seus privilégios.

A esperança é que pipoquem em todo o mundo mil e uma revoltas de indignados, se possível com canções, flores e poesia.

Afinal de contas “Há algo de podre no reino da Dinamarca”. (Hamlet pela escrita de William Shakespeare).

Achei bonito ver meus filhos e meus netos nas ruas. Amanhã eu também vou.

Como cada um pode se expressar livremente, vou levar um cartaz dizendo:

Um grande e caloroso abraço,

Parem de Matar Índios – Este Genocídio Já Dura 500 Anos.

*Rosemberg Cariry é cineasta, poeta e colaborador dos Diálogos do Sul;


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Rosemberg Cariry

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