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PMs agem como milícia privada de fazendeiros e levam massacre aos Guarani Kaiowá no MS

De acordo com Matias Benno Rempel, desde 2015 são denunciadas mortes, desaparecimentos e até torturas a indígenas na região de Amambai
Redação Hora do Povo
Hora do Povo

Tradução:

Após indígenas dos povos Guarani Kaiowá retomarem, novamente, parte do território de Guapoy, no município de Amambai (MS), policiais militares e fazendeiros invadiram a área, na manhã da última sexta-feira (24), no intuito de expulsar, através do uso da força, os indígenas, mesmo não havendo ordem judicial. A agressão foi realizada na tarde da última quinta-feira (23).

Até o momento, há relatos de que os policiais dispararam tiros de bala de borracha contra os indígenas, deixando ao menos seis feridos, dois deles foram deslocados para a capital do Estado, Campo Grande (MS). Ainda, existem relatos de entidades indigenistas de que ocorreu a morte de dois indígenas. A polícia confirmou a morte de ao menos um indígena, mas não revelou a identidade.

Na noite da quinta, o clima já era de tensão e a ação da polícia e fazendeiros se premeditava. Diante das informações dos feridos, do contingente populacional local e do histórico de violência na região. Ainda, segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) temia que a situação do conflito evoluísse rapidamente para um novo episódio de massacre contra os Guarani Kaiowá, como o ocorrido em 2016, em Caarapó (MS).

De acordo com Matias Benno Rempel, missionário da Cimi no estado, o aumento da população indígena na região motiva há anos a retomada do território. “Alex foi morto em uma área que deveria ser indígena, mas virou fazenda. Ele não foi o primeiro, desde 2015 denunciamos a morte, o desaparecimento e até a tortura de indígenas na região de Amambai”, relata.

De acordo com Matias Benno Rempel, desde 2015 são denunciadas mortes, desaparecimentos e até torturas a indígenas na região de Amambai

CIMI
MS é "estado onde o Agrobanditismo impera a custo do sangue indígena”

O missionário também relata que, além dos conflitos com fazendeiros, a PM tem sido utilizada regularmente no estado como “uma força de defesa pública na proteção dos interesses privados”.  

Segundo ele, as operações pela desocupação da área têm ocorrido sem um mandato de reintegração de posse. “Em nenhum dos casos há uma decisão [de reintegração], nesses conflitos os indígenas têm seu direito e supostamente os fazendeiros alegam o seu. Para piorar, as ações policiais nestes casos deveriam envolver somente a Polícia Federal e a Funai, acompanhados da decisão. Mas o que estamos vendo é o estado concedendo aos fazendeiros o direito de usar a PM como jagunço para nos expulsar”.

A reserva de Amambai é a segunda maior do estado de Mato Grosso do Sul em termos populacionais, com quase 10 mil indígenas.

Para os Guarani Kaiowá, Guapoy é parte de um território tradicional que lhes foi roubado, quando houve a subtração de parte da reserva de Amambai. Os indígenas clamam atenção, exigem proteção às suas vidas e seus direitos.

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O Ministério Público Federal (MPF) confirmou, na tarde da última sexta-feira, que a Polícia Federal irá se deslocar até Guapoy.

Além de seguir acompanhando o caso, o Cimi afirmou que pediu, com urgência, o envolvimento de órgãos federais, bem como do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), a fim de controlar a situação e investigar os episódios.

Da mesma forma, o coordenador da Articulação dos Indígenas do Brasil (Apib), Eloy Terena, que é do Mato Grosso do Sul, afirmou que no estado, o “Estado de Direito fracassou”. “A polícia militar, em regime de milícia privada dos fazendeiros, promove despejos sem ordem judicial. Já virou rotina. Um estado onde o Agrobanditismo impera a custo do sangue indígena”, publicou o advogado em seu perfil no Twitter.


Redação Hora do Povo


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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