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Polícia Nacional do Equador tenta assassinar prefeito e coordenador do Revolução Cidadã

“Tentaram me matar. Se o carro não fosse blindado, eu não estaria aqui”, afirmou Tamariz, denunciando que a Polícia apontou para a sua cabeça
Leonardo Wexell Severo
ComunicaSul
Quito

Tradução:

Direto de Quito

O prefeito de La Libertad, Francisco Tamariz, denunciou que foi vítima de um atentado pela Polícia Nacional do Equador na noite de sexta-feira (18), aumentando o clima de terrorismo de Estado às vésperas das eleições deste domingo. O município costeiro fica no interior da província de Santa Elena.

“Tentaram me matar. Se o carro não fosse blindado, irmão equatoriano, eu não estaria aqui.  Seria impossível eu estar falando com você com 30 tiros dirigidos à caminhonete onde estava”, afirmou o prefeito, do movimento Revolução Cidadã, que apoia a candidatura de Luisa González à presidência. Conforme Tamariz, dois homens saíram de “uma camionete branca, sem logotipo ou qualquer identificação da Polícia Nacional” e passaram a atirar. “Nunca perguntaram nada e em questão de segundos começaram a encher de balas o veículo em que ia com minha esposa, minha comadre e meu compadre. Jamais perguntaram quem se encontrava ali, começaram a disparar a torto e a direito”. “Foi tudo sem razão nem explicação alguma, nenhuma! Fugir foi o mais lógico quando vivemos num inferno. Deus fez que estejamos vivos”, sublinhou.

“Tentaram me matar. Se o carro não fosse blindado, eu não estaria aqui”, afirmou Tamariz, denunciando que a Polícia apontou para a sua cabeça

Montagem
A camionete do prefeito de La Libertad, Francisco Tamariz, foi alvejada por 30 tiros

Não foi casualidade. Os disparos foram dirigidos até onde eu estava. Convoco publicamente o presidente Lasso e o ministro do Interior, e os responsabilizo diretamente pela minha vida”

“Não foi casualidade. Os disparos foram dirigidos até onde eu estava”, reiterou Tamaris. “Convoco publicamente o presidente Guillermo Lasso e o ministro do Interior, e os responsabilizo diretamente pela minha vida”, acrescentou o prefeito, que apareceu na coletiva de imprensa com um colete à prova de balas.

No Equador a Polícia responde diretamente ao governo central e tem sido alvo de contundentes denúncias do movimento Revolução Cidadã e do ex-presidente Rafael Correa sobre o envolvimento com o narcotráfico.

Leia também: Péssimas condições de vida e trabalho são fonte da violência no Equador, diz historiador

Assumindo que foram membros da força pública que atiraram, o comandante da Subzona Policial de Santa Elena, Juan Carlos Soria Alulema, alegou que a responsabilidade do ocorrido era do prefeito, que não teria se identificado e furado o cerco.

“No momento em que os servidores policiais se aproximam para fazer contato e fazer a primeira abordagem, eles imediatamente arrancam”, disse o comandante, responsabilizando o prefeito de “pôr em perigo quem se encontrava a pé”. Os policiais teriam se sentido ameaçados de ser atropelados. Na versão da cúpula militar, diante da fuga, “os policiais tiveram que voltar e realizar, com o uso progressivo da força, o uso de suas armas de fogo”.

GOVERNO USA POLÍCIA PARA PERSEGUIR OPOSIÇÃO

Na quinta-feira, Jorge Glas, ex-vice-presidente de Rafael Correa entre os anos de 2013 e 2017, denunciou que foi intimidado pela polícia judiciária durante sua primeira coletiva de imprensa. Com roupas civis e um crachá no pescoço, informou, os agentes “disseram que tinham uma ordem de prisão contra ele”. Glas afirmou “temer por sua vida e a de seus filhos”.

Em nota oficial, o Revolução Cidadã expressou “sua solidariedade e rechaçou com firmeza a ação policial contra o prefeito e diretor da campanha do movimento na província de Santa Elena”. Além disso, repudiou “a evidente perseguição ilegal ao ex-vice-presidente Jorge Glas e a intimidação de policiais judiciais vestidos com roupa civil em veículos com placas falsas”. “Estamos sendo vítimas de uma total degeneração do Estado. Logo acabará esse pesadelo e os responsáveis terão que prestar contas à Justiça”, frisou.

O atentado contra o prefeito, ressaltou o movimento, demonstra que “hoje, mais do que nunca, é urgente recuperarmos as instituições e a segurança dos cidadãos”.

Desde o começo do atual processo eleitoral foram assassinadas várias lideranças partidárias, como Agustín Intriago, prefeito de Manta; Fernando Villavicencio, candidato a presidente; e o sindicalista e dirigente histórico da Revolução Cidadã, Pedro Briones.

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A Agência ComunicaSul está cobrindo as eleições presidenciais e à Assembleia Nacional do Equador graças ao apoio das seguintes entidades: jornal Hora do Povo, Diálogos do Sul, Barão de Itararé, Portal Vermelho, Correio da Cidadania, Agência Saiba Mais, Intersindical, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Central Única dos Trabalhadores do Paraná (CUT-PR); Associação dos Assistentes Sociais e Psicólogos do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (AASPTJ-SP), Federação dos/as Trabalhadores/as em Empresas de Crédito do Paraná (FETEC-PR), Sindicatos dos Trabalhadores em Água, Resíduos e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema-SP) e de Santa Catarina  (Sintaema-SC), Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada no Estado do Paraná (Sintrapav-PR), Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp Sudeste-Centro), Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo, Sindicato dos Trabalhadores no Poder Judiciário Federal de Santa Catarina (Sintrajusc-SC); Sindicato dos Trabalhadores no Poder Judiciário do Estado de Santa Catarina (Sinjusc-SC), Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário Federal em Pernambuco (Sintrajuf-PE), mandato popular do vereador Werner Rempel (Santa Maria-RS) e dezenas de contribuições individuais.

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As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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