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Políticas de Estado: Um remédio para conter o suicídio assistido da indústria brasileira

Novos dados revelam: mesmo setores em que fomos excelentes dependem cada vez mais de importação
Artur Araujo
Outras Palavras
São Paulo (SP)

Tradução:

Novos dados revelam: mesmo setores em que fomos excelentes dependem cada vez mais de importação. Homer Cado quer lucros fáceis. Para deixarmos de vender apenas pedra e grãos, serão necessárias políticas de Estado 

Aeronaves; cronômetros e relógios; equipamentos e instrumentos óticos; manutenção e reparação de veiculos ferroviários; e aparelhos telefônicos são os cinco ramos da indústria brasileira que mais dependem de importação de insumos e componentes.

Estamos nos tornando aceleradamente um país em total dependência de outros para voar, medir o tempo, enxergar, usar trens e falar.

Nem mesmo cadeias produtivas em que temos excelência escapam: importamos estupidamente nos setores de defensivos agrícolas; adubos e fertilizantes; preparações farmacêuticas; medicamentos para uso humano; máquinas para terraplenagem; e metalurgia do cobre.

Reportagem publicada ontem (7/3) pelo Valor descreve o descalabro:

“Um total de 60 classes industriais importou, em 2016, pelo menos um terço dos insumos e componentes utilizados no seu processo produtivo. O grupo representa menos de um quarto do total de 258 classes industriais existentes no país, mas contempla 48 segmentos responsáveis por cerca de dois terços da produção industrial brasileira de alta e média-alta tecnologia.

O quadro não é pontual e resulta de um longo processo que acentuou a dependência tecnológica da indústria brasileira de insumos e componentes mais elaborados e sofisticados. No biênio 2003/2004, a parcela de insumos importados em relação ao total aplicado na produção brasileira era de 16,5%, fatia que aumentou para 24,4% dez anos depois. O avanço maior concentrou-se nos setores mais intensivos em tecnologia.”

O abandono de políticas industriais capitaneadas pelo Estado — que teriam foco estratégico na máxima internalização de todo o processo de geração de valor e não no curtoprazismo “espontâneo” e entreguista de Homer Cado — é suicídio assistido.

Mata a possibilidade de nos tornarmos um país de renda alta (mesmo tendo todas as condições para isso), com a assistência “humanitária” dos que nos fazem seus mercados industriais cativos e meros vendedores de pedra e grão.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Artur Araujo

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