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“Ponto sem retorno”: Um mundo sem Rússia não nos interessa, afirma Medvedev

"Teríamos que esquecer-nos da vida atual durante séculos, até que a radiação comece a desaparecer das ruínas fumegantes”, advertiu o ex-presidente russo
Juan Pablo Duch
La Jornada
Moscou

Tradução:

“Um mundo sem Rússia não nos interessa. Se de verdade chega a se propor a questão da própria existência da Rússia, não se vai resolver na frente ucraniana, mas sim junto com a questão de existência de toda a civilização humana”, advertiu nesta segunda-feira (27) Dmitri Medvedev, subsecretário do Conselho de Segurança da Rússia e estreito colaborador do presidente Vladimir Putin.

A ameaça de usar as armas nucleares está contida em “Ponto sem retorno”, o artigo de opinião que publicou no periódico Izvestia o também ex-presidente e ex-primeiro-ministro da Rússia. 

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Não é a primeira vez que um alto funcionário russo afirma que a guerra da Ucrânia não pode terminar com a derrota da Rússia, mas Medvedev é o que com mais frequência costuma afirmar que o Kremlin não duvidará em usar as armas nucleares, se não lhe restar outra opção. 

Para Medvedev, aqueles que “converteram a Ucrânia em uma espécie de ‘anti Rússia’ e querem destruir nosso país não vão conseguir que se repita o colapso da União Soviética, embora mandem a morte milhares de pessoas”.

Ele sustenta que “continuar enchendo de armas o regime de Kiev e pôr obstáculos para o início de negociações só conduz a uma derrota completa para todos”. Porque, segundo ele, “se produziria um apocalipse, no qual teríamos que esquecer-nos da vida atual durante séculos, até que a radiação comece a desaparecer das ruínas fumegantes”. 

"Teríamos que esquecer-nos da vida atual durante séculos, até que a radiação comece a desaparecer das ruínas fumegantes”, advertiu o ex-presidente russo

Wikipedia
Kremlin está disposto a negociar se a Ucrânia depor as armas e admitir a anexação das regiões separatistas pró Rússia

No mesmo sentido, mas com discurso menos ameaçador, nesta mesma segunda-feira, o porta-voz do presidente Putin, Dmitri Peskov, declarou que a recente iniciativa chinesa para a paz é um documento “que merece atenção e será devidamente estudado”, embora tenha antecipado que “por ora” a Rússia não vê que haja premissas para uma solução pacífica” do conflito armado na Ucrânia.

Expansão de arsenal militar russo pode indicar preparo para longo período de guerra

“A operação militar especial vai continuar”, anunciou Peskov, até que a Ucrânia – como deram a entender ele e outros porta-vozes russos – reconheça as novas “realidades territoriais”. 

Em outras palavras, no dia de hoje o Kremlin está disposto a negociar se o regime de Kiev depor as armas e admitir que já não pertencem à Ucrânia as quatro regiões anexadas pela Rússia que, junto com a Criméia, equivalem à perda de 20% de seu território. Por outra parte, Peskov qualificou de “absurdo” o décimo e novo pacote de sanções imposto pela União Europeia à Rússia na sexta-feira anterior e que afeta 121 indivíduos e entidades. 

“Tudo isto é absurdo. Vemos que colocam sob sanções a qualquer um (…) só para fazer novas listas”, declarou o porta-voz do Kremlin, enquanto sua colega da chancelaria, María Zajarova, declarou que as sanções são “tentativas inúteis e imprudentes” para “socavar nosso sistema industrial e nosso potencial financeiro”. 

De acordo com Zajarova, a Rússia prepara “medidas de resposta sob o princípio de estrita reciprocidade”.

Juan Pablo Duch | Correspondente do La Jornada em Moscou.
Tradução: Beatriz Cannabrava.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Juan Pablo Duch Correspondente do La Jornada em Moscou.

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