Pesquisar
Pesquisar

Por novo Bolsa Família, Bolsonaro rifa Guedes, mas visa reeleição e não combate a fome e a miséria

Comissão Especial da Câmara aprovou, nesta quinta-feira (21), proposta para furar o teto de gastos visando favorecer Bolsonaro na reeleição em 2022
Mariane Barbosa
Diálogos do Sul Global
São Paulo (SP)

Tradução:

A Comissão Especial da Câmara aprovou, nesta quinta-feira (21), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios por 23 votos a 11. A medida não agradou muito o chamado mercado financeiro e parte da elite econômica, que desejam que os precatórios, dívidas da União que já foram reconhecidas pela Justiça, sejam pagos em dia.

Prova disso foi o aumento exorbitante do dólar entre quarta e quinta-feira, quando ele já havia subido quase 2%, chegando a R$ 5,66, enquanto o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo caía 3,63%. Hoje, segundo dados do Uol Economia, o dólar bateu R$ 5,73, valor exorbitante para quem não tem contas em paraísos fiscais, como o ministro Paulo Guedes.

O texto, apresentado pelo deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB), relator da matéria, é uma manobra para furar o malfadado teto de gastos. Com isso, abriria-se espaço orçamentário de mais de R$ 80 bilhões para custear o Auxílio Brasil, o “novo Bolsa Família”, programa criado no governo de Luiz Inácio Lula da Silva e que Jair Bolsonaro quer a todo custo rebatizar.

Efeito Bannon: Inglaterra tem prateleiras vazias e Brasil caminha para destruição do Estado

Com a viabilização do Auxílio Brasil, as famílias que enfrentam a miséria por conta da má gestão do governo Bolsonaro terão auxílio financeiro de R$ 400 a partir de novembro, medida que tem como objetivo fortalecer o nome de Bolsonaro via populismo eleitoreiro sobre os mais pobres em 2022.

Enquanto isso, o regime fiscal vem sendo utilizado para justificar cortes constantes nas áreas da saúde e educação, o que coloca em risco a vida e o futuro da população brasileira em um momento de crise sanitária, econômica e social.

Comissão Especial da Câmara aprovou, nesta quinta-feira (21), proposta para furar o teto de gastos visando favorecer Bolsonaro na reeleição em 2022

Palácio do Planalto
Segundo dados do Uol Economia, o dólar bateu R$ 5,73, valor exorbitante para quem não tem contas em paraísos fiscais, como Paulo Guedes.

Secretários de Guedes abandonam o barco

Após a aprovação da PEC, a exoneração de quatro integrantes do segundo escalão do Ministério da Economia chamou a atenção sobre a crise no gabinete de Paulo Guedes. São eles: Bruno Funchal, secretário especial do Tesouro e Orçamento; Jeferson Bittencourt, secretário do Tesouro Nacional; Gildenora Dantas, secretária especial adjunta do Tesouro e Orçamento; Rafael Araújo, secretário-adjunto do Tesouro Nacional.

Pandemia evidenciou que Bolsonaro e Guedes apostaram na morte para reduzir população pobre e idosa

Segundo Leonardo Leite, professor da Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF) e do Núcleo de Economia Política da UFF (NEP-UFF), expressou para o Brasil de Fato, a alternativa proposta pelos ex-secretários que abandonaram o barco era custear o Auxílio Brasil tirando dinheiro de trabalhadores que também são atingidos pela crise econômica e pelo aumento do custo de vida.

“O que esses economistas [do segundo escalão] estavam propondo para substituir esse aumento de gastos era cortar o abono salarial para quem ganha até dois salários mínimos. Outra sugestão era congelar as aposentadorias ligadas ao salário mínimo por dois anos. Ou seja, cortar de quem também precisa”, acrescenta Leite. “Vendo que isso não vai acontecer, eles pularam do barco.”

4 anos: festejada pela mídia, reforma trabalhista é “verdadeiro desastre” para trabalhador

A fome aumenta, mas o salário diminui

Enquanto Bolsonaro e Guedes brincam de governar, dados da FAO, ONU e OMS mostram que a insegurança alimentar voltou a assombrar um Brasil que voltou ao Mapa da Fome

Os números assustam: entre 2018 e 2020, a fome atingiu 7,5 milhões de brasileiros. Já entre 2014 e 2016, esse número era de 3,9 milhões. Já são 49,6 milhões de brasileiros em situação de insegurança alimentar moderada ou grave em um país em que o desemprego atinge 14 milhões de pessoas

Os alimentos subiram em média 14% nos supermercados e a carne, prato que deixou de fazer parte do dia-a-dia de muitas famílias, teve uma alta de 30%. Os combustíveis bateram o recorde com 41,3% de aumento nos últimos 12 meses, sem contar outras despesas básicas, como aluguel, gás de cozinha e energia elétrica, que também têm trazido angústia para milhares de pessoas.

“Às vezes, está estragado, mas pessoas querem mesmo assim”: o garimpo dos ossos e o apagão dos programas sociais

Na periferia de Cuiabá, onde famílias madrugam e formam filas para coletar doações de ossos e legumes que seriam descartados e não ficar sem ter o que comer, um homem afirmou: “Antes, nós conseguíamos comprar carne. Fico triste (…). Saio para conseguir doações para termos o que comer, quero ver meus filhos saudáveis”.

Segundo o Salariômetro da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), quase 70% das negociações de reajuste salarial em setembro chegaram a acordos de aumento abaixo da inflação dos últimos 12 meses, que acumulou 10,4% no mesmo período.

Inflação nas alturas tem maior taxa desde 1994 e deixa comida cara no prato dos brasileiros

Para o economista Gonzaga Belluzzo, que concedeu uma entrevista à Revista IHU On-line, a existência da fome é um escândalo para o Brasil. “Com o potencial que se tem de organização da sociedade, de produção, por que está se reafirmando a fome? Porque o governo brasileiro criou o teto de gastos que é um atraso monetário e fiscal. Esse teto de gastos está matando as pessoas.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

Assista na Tv Diálogos do Sul

 

   

Se você chegou até aqui é porque valoriza o conteúdo jornalístico e de qualidade.

A Diálogos do Sul é herdeira virtual da Revista Cadernos do Terceiro Mundo. Como defensores deste legado, todos os nossos conteúdos se pautam pela mesma ética e qualidade de produção jornalística.

Você pode apoiar a revista Diálogos do Sul de diversas formas. Veja como:


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.

Mariane Barbosa

LEIA tAMBÉM

Petro-Colômbia
"Saída do neoliberalismo": Petro celebra aprovação da reforma da previdência na Colômbia
Neoliberalismo
Thatcher 2.0? Think tank Atlas Network invade Europa com negacionismo e ultra liberdade de mercado
Lula-Brasil2
Cannabrava | Lula tem que aproveitar sua popularidade e apresentar um projeto nacional
marx-ecologia
Marxismo ecológico: como Marx entendia a relação entre mudança climática e capitalismo?