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Por que votar em Dilma

Jorge Maria Rabëlo

Tradução:

José Maria Rabelo*

2014 é Dilma de novo copyCom o mesmo título de um recente artigo do professor e ex-ministro Roberto Mangabeira Unger, relacionamos neste editorial uma série de argumentos a favor do voto em Dilma.

De partida, há uma nítida divisão entre o Brasil de Dilma e o Brasil de Aécio. Com ela estão os mais pobres, os mais necessitados, que vivem nas áreas menos desenvolvidas, como o Norte e o Nordeste, e as regiões periféricas das grandes e médias cidades. São Paulo, o mais rico dos estados, deu cerca de 60% de seus votos ao candidato do PSDB, demonstrando de que lado estão os donos da riqueza.
No campo econômico, o programa de Aécio retoma as principais ideias dos economistas conservadores do PSDB e do governo FHC, que levaram à estagnação, aos mais altos índices de inflação da história dos últimos 20 anos, ao desemprego e à perda do poder aquisitivo dos assalariados, aposentados e pensionistas. O salário mínimo, quando governaram, foi o mais irrisório dos tempos que estamos considerando. Agora, Aécio fala em flexibilização das leis trabalhistas “para fazer mais fácil as demissões e contratações”, cujo preço nós sabemos quem vai pagar. Tudo isso causou, nas duas administrações tucanas, a pior crise econômica que o Brasil conheceu e da qual foi retirado pelos governos de Lula e Dilma.
O PSDB nunca teve sensibilidade para com os problemas sociais. Cerca de 50% de nossa população vivia em condições miseráveis. Nos três mandatos petistas, mais da metade daquele número assustador conseguiu sair da extrema pobreza e integrar-se ao mercado consumidor. Para alcançar esse resultado, influíram os diferentes programas sociais adotados, à frente o Minha Casa, Minha Vida e o Bolsa Família. Até a jornalista Mirian Leitão, uma crítica contumaz do atual governo, admitiu em sua coluna no jornal O Globo(18/09/2014): “O Bolsa Família foi um sucesso, como provam os números de queda da pobreza. Os ganhos são inegáveis”. A FAO, por outro lado, reconheceu o fim da fome no Brasil.
Aécio e seu grupo exploram insistentemente o chamado “escândalo da Petrobras”, como se fosse o único caso de corrupção no Brasil. Tentam esconder, por exemplo, a bandidagem que se formou em torno da compra dos trens metropolitanos de São Paulo, uma maracutaia de milhões de dólares, praticada à vista e sob a responsabilidade dos governos pessedebistas de lá, entre os anos de 1998 e 2008.
Procuram esquecer o mensalão mineiro, pai e mãe de todos os mensalões, numa tentativa de orientar a história em seu favor. Procuram esquecer também o aeroporto de Cláudio, construído por Aécio, quando governador, com verbas públicas, em terras de seus parentes.
Estes e outros escândalos não contam. O único que deve ser denunciado é o da Petrobras, com intensa cobertura na TV Globo e em outros veículos.
Na educação, básica, intermediária e superior, os resultados são consideráveis. As universidades, com o acesso favorecido às camadas mais modestas, têm hoje uma fisionomia inteiramente diversa. Antes, pobres, negros, indígenas e outros grupos socialmente discriminados nem passavam perto das escolas superiores. Nos governos tucanos não se criou uma só universidade federal. Nos de Lula e Dilma, foram dezoito. Apesar das limitações ainda existentes, o Brasil assinalou notáveis progressos no campo da educação.
Quanto ao desenvolvimento e à inflação, as velhas carpideiras já estão por aí, vaticinando os piores resultados. Esquecem-se de que o Brasil foi das únicas nações a enfrentar a atual crise mundial sem grandes prejuízos para seu povo, principalmente no campo do emprego e do valor do trabalho.
A política externa brasileira, procurando seus próprios caminhos, livrou-se da tutela dos EUA e do FMI, através de uma aproximação com outros países com desígnios iguais. Aí surgem o Mercosul, os BRICs, o Banco Internacional, como instrumentos independentes e relevantes para assegurar o desenvolvimento das nações associadas. Aécio, fiel às inspirações de seus patronos, defende um realinhamento aos interesses norte-americanos, que já demonstraram várias vezes o que representam de maligno para o Brasil e para a paz mundial.
Aécio não esclarece sua posição a propósito da privatização das principais empresas públicas. Afirma que vai “modernizá-las” e nós sabemos o que esse eufemismo significa. Nos governos FHC, seu grande inspirador, dezenas de companhias estatais foram vendidas, inclusive a Vale, cujo preço foi de R$ 4,5 bilhões, quando valia, no mínimo, muitas vezes mais. Talvez esta seja a mais gigantesca negociata da história brasileira. Agora estão na mira o BNDES, a Caixa e o Banco do Brasil, despertando a cobiça da banqueirada daqui e de fora.
O governo tucano acabou com o monopólio da Petrobras e só não a privatizou devido à forte oposição que encontrou.
Em Minas, a CEMIG, Centrais Energéticas de Minas Gerais, chegou a ter seu controle acionário repassado a um pequeno grupo de empresários nacionais e estrangeiros, por um preço absurdamente baixo. Essa operação, tão lesiva à economia mineira, foi anulada na Justiça pelo governador Itamar Franco, ao assumir o Palácio da Liberdade, na sucessão do governo tucano responsável pela negociata.
Os colaboradores de Aécio, quase sem exceção, constituem um pugilo de privatistas de coração e alma. A começar pelo seu já anunciado ministro da Fazenda, o notório neoliberal Armínio Fraga, de tão desastrada passagem pelo governo em Brasília.
Muitas outras razões existem, mas estas bastam para justificar o voto em Dilma, pelas suas realizações até aqui e pelo muito que se espera dela nos próximos quatro anos.
 
*Colaborador de Diálogos do Sul, de Belo Horizonte, MG


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Jorge Maria Rabëlo

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