Pesquisar
Pesquisar

Prefeitos e Secretários alertam para os irreparáveis prejuízos à saúde da população

Em nota pública FNP e Conasems também pedem a revisão do posicionamento de Bolsonaro sobre o Programa Mais Médicos

Redação Diálogos do Sul

Tradução:

A decisão do Ministério da Saúde Pública de Cuba de interromper a participação de médicos cubanos no Programa Mais Médicos continua repercutindo intensamente junto as entidades e profissionais brasileiros que representam e atuam no setor.

Neste contexto, o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) em parceria com a Frente Nacional de Prefeito (FNP) divulgou nesta quarta feira (14) uma nota pública através da qual “lamentam a interrupção da cooperação técnica entre a organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e o governo de Cuba, que possibilitava o trabalho de cerca de 8.500 médicos no Programa Mais Médicos”.

Na mesma nota destacam que “o Mais Médicos é amplamente aprovado pelos usuários, 85% afirmam que a assistência em saúde melhorou com o programa” e que “o programa é uma conquista dos municípios brasileiros em resposta à campanha “Cadê o Médico?”, liderada pela FNP, em 2013. Na ocasião, prefeitas e prefeitos evidenciaram a dificuldade de contratar e fixar profissionais no interior do país e na periferia das grandes cidades”.

As entidades municipalistas prosseguem “alertando o Governo recém-eleito para os iminentes e irreparáveis prejuízos à saúde da população, inclusive para a parcela que não é atendida pelo Mais Médicos” e “pedem a revisão do posicionamento do novo Governo, que sinalizou mudanças drásticas nas regras do programa, o que foi determinante para a decisão do governo de Cuba”.

Em nota pública FNP e Conasems também pedem a revisão do posicionamento de Bolsonaro sobre o Programa Mais Médicos

Portal Vermelho
Cooperação cubana ajudou a melhorar a assistência em saúde nas cidades brasileiras através do Mais Médicos

O programa Mais Médicos e a saída dos profissionais cubanos do país

“O Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e a Frente Nacional de Prefeitos (FNP) lamentam a interrupção da cooperação técnica entre a organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e o governo de Cuba, que possibilitava o trabalho de cerca de 8.500 médicos no Programa Mais Médicos. Com a decisão do Ministério da Saúde de Cuba, anunciada nesta quarta-feira, 14, de rescindir a parceria, mais de 29 milhões de brasileiros serão desassistidos.

Os cubanos representam, atualmente, mais da metade dos médicos do programa. Por isso, a rescisão repentina desses contratos aponta para um cenário desastroso em, pelo menos, 3.243 municípios. Dos 5.570 municípios do país, 3.228 (79,5%) só têm médico pelo programa e 90% dos atendimentos da população indígena são feitos por profissionais de Cuba.

Além disso, o Mais Médicos é amplamente aprovado pelos usuários, 85% afirmam que a assistência em saúde melhorou com o programa. Nos municípios, também é possível verificar maior permanência desses profissionais nas equipes de saúde da família e sua fixação na localidade onde estão inseridos.

Cabe destacar que o programa é uma conquista dos municípios brasileiros em resposta à campanha “Cadê o Médico?”, liderada pela FNP, em 2013. Na ocasião, prefeitas e prefeitos evidenciaram a dificuldade de contratar e fixar profissionais no interior do país e na periferia das grandes cidades.

Com a missão de trabalhar na atenção primária e na prevenção de doenças, a interrupção abrupta da cooperação com o governo de Cuba impactará negativamente no sistema de saúde, aumentando as demandas por atendimentos nas redes de média e alta complexidade, além de agravar as desigualdades regionais.

Para o g100, grupo de cidades populosas, com alta vulnerabilidade socioeconômica, a situação é ainda mais devastadora. Com o objetivo de reduzir a carência por serviços de atenção básica nessas cidades, o g100 é utilizado como critério para priorizar o recebimento desses profissionais.

Diante disso, o Conasems e a FNP alertam o Governo recém-eleito para os iminentes e irreparáveis prejuízos à saúde da população, inclusive para a parcela que não é atendida pelo Mais Médicos.

Sendo assim, as entidades pedem a revisão do posicionamento do novo Governo, que sinalizou mudanças drásticas nas regras do programa, o que foi determinante para a decisão do governo de Cuba. Em caráter emergencial, sugerem a manutenção das condições atuais de contratação, repactuadas em 2016, pelo governo Michel Temer, e confirmadas pelo Supremo Tribunal Federal, em 2017.

O cancelamento abrupto dos contratos em vigor representará perda cruel para toda a população, especialmente para os mais pobres. Não podemos abrir mão do princípio constitucional da universalização do direito à saúde, nem compactuar com esse retrocesso”.

Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems)

Frente Nacional de Prefeitos (FNP)

*Revisão e edição: João Baptista Pimentel Neto


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

LEIA tAMBÉM

Eleições 2026 o contraste entre discursos que exploram o medo e propõem futuros (1)
Eleições 2026 e o contraste entre discursos: explorar o medo ou propor futuros?
Após “alerta vermelho” do Marrocos, PF detém em Guarulhos militante saarauí vítima de perseguição
Após “alerta vermelho” do Marrocos, PF detém em Guarulhos militante saarauí vítima de perseguição
Cannabrava Multidões força popular sem direção
Multidões: força popular sem direção?
Cannabrava Crescimento econômico em marcha lenta
Crescimento econômico em marcha lenta