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Presidenta de Madri renuncia e provoca terremoto político na direita espanhola

O mapa do poder territorial na Espanha tem mudado muito nos últimos anos, por causa da criação de novos partidos que liquidaram o bipartidarismo
Armando G. Tejeda
La Jornada
Madri

Tradução:

O partido conservador Ciudadanos apresentou uma moção censura para desalojar do governo da Comunidade de Madri o Partido Popular (PP), do qual era sócio até ontem (11), o que provocou um terremoto político na direita espanhola. Diante disso, a presidenta de Madri, Isabel Díaz Ayuso (do PP), renunciou e convocou eleições regionais para 4 de maio.

O mapa do poder territorial na Espanha tem mudado muito nos últimos anos, sobretudo por causa da criação de novos partidos que liquidaram o tradicional bipartidarismo.

Agora, a maioria dos ajuntamentos e governo autonômicos estão configurados por alianças de dois e até três partidos, sejam de direita ou de esquerda.

Uma aliança habitual da direita é a do PP e Ciudadanos, que muitas vezes conta com o apoio parlamentar da extrema direita do Vox, que até agora não se integrou a nenhum governo. Assim governam em Madri, Andaluzia, Castela e Leon e Murcia, até agora. 

O mapa do poder territorial na Espanha tem mudado muito nos últimos anos, por causa da criação de novos partidos que liquidaram o bipartidarismo

CCMA.Cat
A presidenta de Madri, Isabel Díaz Ayuso

Murcia, como exemplo

Uma semana depois que a líder de Ciudadanos, Inés Arrimadas, assegurou que seu partido em nenhum caso apoiaria uma moção de censura em plena pandemia e para impulsionar o poder ao Partido Socialista Obrero Español (PSOE) e Unidas Podemos (UP), em Murcia ocorreu justamente o contrários: Ciudadanos aliou-se ao PSOE e UP para impulsionar uma moção de censura que pretende desalojar do poder autonômico e municipal o PP. 

Na Comunidade de Madri, onde há tempos há sinais de tensão entre Ayuso e seu vice-presidente de Ciudadanos, Ignacio Aguado, promove-se, desde os partidos de esquerda, a apresentação de uma moção de censura que até agora não foi respaldada por Ciudadanos. 

Ayuso decidiu então apresentar sua demissão e convocar eleições, adiantando-se assim à apresentação de uma moção de censura no Parlamento regional, como fizeram mais tarde tanto o PSOE como Más Madri.

Agora serão os tribunais que decidirão se prevalece a convocatória de eleições antecipadas e se, pelo contrário, procederia a petição de moção de censura no Parlamento, o que obrigaria a celebrar primeiro a sessão parlamentar antes de convocar eleições. 

A ruptura entre o PP e Ciudadanos nestes dois centros territoriais essenciais de seu poder local também coloca em risco sua aliança em outras regiões, como Castilla y León e Andaluzia.

Juan Pablo Duch é correspondente de La Jornada em Madri

La Jornada, especial para Diálogos do Sul — Direitos reservados.

Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Armando G. Tejeda Mestre em Jornalismo pela Jornalismo na Universidade Autónoma de Madrid, foi colaborador do jornal El País, na seção Economia e Sociedade. Atualmente é correspondente do La Jornada na Espanha e membro do conselho editorial da revista Babab.

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