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Primeiro ano de protestos da Grande Marcha do Retorno é marcado por sangue na Palestina

Um ano que se encerra com cerca de 300 palestinos mortos e mais de 29 mil feridos por Israel e um presságio das mortes palestinas que ainda estão por vir
Nicholas Valdes
Prensa Latina
Cairo

Tradução:

Neste 30 de março cumpre-se o primeiro aniversário dos protestos da Grande Marcha do Retorno na bloqueada Faixa de Gaza, um ano que se encerra com cerca de 300 palestinos mortos e mais de 29 mil feridos por Israel.

As manifestações, que se realizam a cada sexta-feira desde março de 2018, exigem que se ponha fim ao cerco marítimo e terrestre de Israel contra o enclave costeiro, que já se estende por 12 anos.

Os organizadores da Marcha também exigem o direito de regressar às terras palestinas ocupadas por Israel depois da Guerra dos Seis Dias, em 1967.

A maior cifra de vítimas fatais relacionadas com a Grande Marcha do Retorno foi registrada em 14 de maio de 2018, jornada na qual se realizaram protestos em recordação aos 70 anos da ocupação israelense do território palestino, com o posterior início de expurgo étnico e deslocamento de milhões de refugiados.

De acordo com o Escritório Central de Estatísticas da Palestina (PCBS), o número de mortos desde a Nakba de 1948 até a atualidade (dentro e fora da Palestina) atinge 100 mil pessoas.

Nakba é um termo árabe que significa “catástrofe” ou “desastre”, e se utiliza para designar o êxodo palestino.

Segundo a Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos (Unrwa), são refugiados palestinos as pessoas cujo lugar de residência habitual era o Protetorado Britânico da Palestina entre junho de 1946 e maio de 1948, e que perderam suas casas e meios de vida como consequência da Guerra árabe-israelense de 1948.

Neste 30 de março, a Palestina celebra também os 43 anos do seu Dia da Terra, uma data estreitamente vinculada aos protestos da Grande Marcha do Retorno.

Em 30 de março de 1976, milhares de palestinos dentro de Israel manifestaram-se contra o confisco do governo de Tel Aviv de 5.189 mil hectares de suas terras.

A polícia israelense respondeu violentamente às manifestações, matando seis jovens palestinos; desde então, os palestinos tanto em seu território como na diáspora comemoram o Dia da Terra com manifestações e atos de recordação.

Por ocasião da efeméride, o PCBS divulgou em um relatório que Israel ocupa atualmente mais de 85 por cento da área total da terra histórica da Palestina, que atinge cerca de 27 mil quilômetros quadrados (km2).

Os palestinos, habitantes originais da região e que constituem 48 por cento da população total da Palestina histórica, utilizam somente 15 por cento de sua terra ancestral, detalha o documento.

Também alerta que na Faixa de Gaza, apesar de sua pequena área, a ocupação israelense estabeleceu uma zona de controle na fronteira oriental do enclave costeiro.

Gaza é considerada a região mais densamente povoada do mundo, com aproximadamente 5.204 mil pessoas por km2, em comparação com as 509 pessoas por km2 que registra a ocupada Cisjordânia.

No último dia 19 de março, a Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu um fundo de 5,3 milhões de dólares para proporcionar intervenções cirúrgicas a um grande número de pacientes, que sobrecarregam o já frágil sistema de saúde em Gaza.

A representação da OMS nos territórios palestinos advertiu em um comunicado que o primeiro aniversário dos protestos da Grande Marcha do Retorno pode resultar em mais vítimas e um aumento no número de pessoas que requerem atenção de traumas e serviços de reabilitação.

No documento, a entidade das Nações Unidas recorda que desde o início dos protestos semanais mais de 6.500 mil palestinos foram feridos a bala e requerem tratamento cirúrgico especializado e reabilitação a longo prazo, motivo pelo qual a Faixa de Gaza enfrenta persistentes deficiências de capacidade.

A ONU também se pronunciou sobre o tema. A Comissão Independente das Nações Unidas, encarregada de investigar os protestos em território palestino ocorridos durante março de 2018, solicitou neste mesmo mês ao Governo de Tel Aviv a rever suas regras de combate antes de começarem novamente as manifestações contra a ocupação.

O presidente dessa comissão, Santiago Cantón, declarou que foram encontrados motivos razoáveis para acreditar que as forças israelenses cometeram graves violações dos direitos humanos.

Temos preocupação de que se repitam os mesmos episódios violentos do ano passado. Esperamos que a comunidade internacional se envolva para evitar mais assassinatos, manifestou Cantón à imprensa.

A degradação do fornecimento de água, a exploração dos recursos naturais e a destruição do meio ambiente de quase cinco milhões de palestinos que vivem sob a ocupação evidenciam a falta de qualquer controle significativo sobre a vida cotidiana em Gaza.

Apesar do repúdio generalizado ao uso de força letal contra manifestantes palestinos, o Governo de Tel Aviv insiste em seu direito à defesa como justificativa para seus atos.

Nos dias 25 e 26 de março últimos, a aviação de combate israelense levou a cabo dezenas de incursões em Gaza, com 66 ataques aéreos lançados sobre 34 objetivos na faixa, só para citar um exemplo recente.

Depois de mais de cinco décadas de ocupação ilegal israelense e de repressão ao povo palestino, a situação em Gaza e na Cisjordânia piora a cada dia para a população civil que é despojada de seus territórios ancestrais e sofre a escassez produzida pelo bloqueio de Tel Aviv.

A criação e reconhecimento do Estado palestino é uma das pendências de mais longa data na Organização das Nações Unidas, considerando que já faz 70 anos que existe o Estado de Israel.

Assim, a Grande Marcha do Retorno já cumpre seu primeiro aniversário; e não exatamente um feliz, mas um presságio das mortes palestinas que ainda estão por vir.

arb/nvo/mm

*Correspondente da Prensa Latina no Egito.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Nicholas Valdes

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