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Projeto AMBA: conheça o escândalo de espionagem que deu fim a Mauricio Macri

A espionagem chegou até as centenas de comedores populares, a infiltrar reuniões de docentes nas escolas e a vigiar dirigentes estudantis
Stella Calloni
Diálogos do Sul
Buenos Aires

Tradução:

Nos momentos em que surgem dados e provas sobre a espionagem de que foram vítimas durante o passado governo do direitista Mauricio Macri (2015-2019), políticos, sindicalistas, organizações sociais e outros, o juiz federal Alejo Ramos Padilla processou a cúpula da Agência Federal de Inteligência (AFI), dessa administração, o diretor Gustavo Arriba e a subdiretora Silvia Majdalani, junto a outros nove responsáveis das “bases” criadas pelo organismo na província de Buenos Aires a partir de 2016.

A espionagem chegou até as centenas de comedores populares, a infiltrar reuniões de docentes nas escolas, a vigiar dirigentes estudantis e protestos contra os aumentos da tarifas no serviço público de 500% a quase 4000% durante o macrismo. 

Essa espionagem serviu para ameaçar e destituir juízes que defendiam os usuários ante os ilegais aumentos, que obrigaram os mais humildes a endividar-se para pagar um serviço público pela primeira vez neste país. 

“As ações aqui investigadas obedeceram a um plano organizado e ordenado pelas mais altas autoridades nacionais, que se valeram de uma das áreas mais sensíveis do governo para atender de maneira ilegal seus interesses políticos”, sustenta Ramos Parilla em sua resolução que mostra como as ações da AFI estiveram movidas pelos interesses do governo de Macri. 

Na província de Buenos Aires, governada então por María Eugenia Vidal, foram instaladas bases de inteligência em diversos municípios e muito ativos como a de Matanza. O magistrado destacou que o interesse destas “bases” era evidentemente político e tinha suas importantes “sedes centrais” em Bahia Blanca, Mar del Plata e La Plata.

O chamado “projeto AMBA” em referência à zona urbana comum e 40 municípios da província de Buenos Aires, começou a funcionar desde que o diretor geral da AFI,  Gustavo Arribas, assinou uma resolução em 2017 na qual foram destinadas tarefas vinculadas à política bonaerense, o que qualquer jurista entende que é violação dos princípios da inteligência nacional. 

Por isto, Ramos Padilla processou Arribas e Majdalani, que já estavam julgados por outras atividades violadoras da lei de inteligência e com eles também exonerou os “coordenadores das bases”, Daniel Salcedo e Vicente Antonio Melito, que passaram à AFI desde a Polícia Bonaerense.

Neste investigação se conheceu que Salcedo foi perito de parte das filhas do promotor Alberto Nisman, cuja morte por suicídio em janeiro de 2015 foi parte de um plano sinistro para tentar um golpe contra a ex-presidenta Cristina Fernández de Kirchner. Incluso o funcionário a cargo da base de Mar del Plata, Nicolás Benítez, foi processado por destruir documentação nessa sede, relativa à espionagem aos familiares dos 44 tripulantes do submarino ARA San Juan, que afundou quando navegava da Terra do Fogo a Mar del Plata em 2017. 

Macri e seu ex-ministro de Defesa, Jorge Ahuad, são investigados pelas irregularidades e ocultações de seu governo pelo afundamento do ARA San Juan e as mentiras de altos funcionários aos familiares dos tripulantes e ao povo argentino. Precisamente, entre a documentação destruída pelo ex-intendente de Mar del Plata figura a dessa base.

De acordo com o juiz Ramos Padilla existem ordens da chefatura da AFI, que respondia diretamente a Macri, para que fosse realizado um mapa de todas as atividades políticas no província de Buenos Aires, historicamente peronista. 

E também se adverte que o alvo e objetivo principal era Fernández de Kirchner, à qual aplicaram um esquema de guerra psicológica que se manifesta em uma cotidiana campanha de perseguição, descrédito, difamação, protagonizada pelos grande meios como o grupo Clarín, La Nación e outros. Esta é apenas uma pequena parte da longa novela negra da espionagem macrista, similar em tudo ao esquema empregado pela última ditadura militar (1976-1983). 


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Stella Calloni Atuou como correspondente de guerra em países da América Central e África do Norte. Já entrevistou diferentes chefes de Estado, como Fidel Castro, Hugo Chávez, Evo Morales, Luiz Inácio Lula da Silva, Rafael Correa, Daniel Ortega, Salvador Allende, etc.

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