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Protestos de agricultores: "Sistema é bom para alguns e deixa outros para trás", reconhece UE

"É importante não simplificar demasiadamente a situação", afirma Maroš Šefčovič, líder do Pacto Verde Europeu da Comissão Europeia
Armando G. Tejeda
La Jornada
Madri

Tradução:

Os protestos dos agricultores europeus têm se intensificado, sobretudo na Espanha e na Grécia. Houve fechamento de dezenas de estradas, bloqueio ao transporte de mercadorias de primeira necessidade e caos nas estradas das principais cidades. Centenas de lavradores com seus tratores conseguiram vencer o cordão policial em Barcelona e entrar até o coração da capital catalã, onde explicarem suas reivindicações ao presidente autônomo, o nacionalista Pere Aragonés. 

Em Bruxelas, a Comissão Europeia (CE) insistiu em “não simplificar o debate do campo”, ao se tratar de uma realidade muito complexa e diversa. Os agricultores europeus seguem em pé de guerra, rechaçam os baixos preços de seus insumos, a burocracia das ajudas e dos fundos da Política Agrária Comum (PAC), e as medidas cada vez mais severas relacionadas ao meio ambiente e a chamada Agenda 2030, que visam reduzir o uso de combustíveis fósseis – o que, por outro lado, afeta em cheio esses produtores.

Além disso, rechaçam a “competição desleal” frente às importações da África e da América Latina, que segundo eles utilizam produtos industriais proibidos na UE. 


"É importante não simplificar demasiadamente a situação", afirma Maroš Šefčovič, líder do Pacto Verde Europeu da Comissão Europeia

Foto: Parlamento Europeu
"Há aqueles que necessitam de nossa ajuda para ser mais sustentáveis”, afirma Maroš Šefčovič, líder Pacto Verde Europeu da Comissão Europeia

Espanha e Grécia

Na Espanha, dezenas de milhares de agricultores bloquearam estradas na Catalunha, Andaluzia, País Vasco, Galicia, Extremadura, Madrid, Murcia, Valencia, Castilla-La Mancha, Castilla y León, Cantabria e Asturias. Os lavradores bloquearam os mercados de abasto de Valladolid e Málaga. Um dos protestos mais multitudinários foi em Barcelona, onde 16 camponeses se reuniram com o presidente autônomo, Aragonés, ao qual pediram soluções. 

As mobilizações, pelo menos na Espanha, se realizam em parceria com as principais organizações profissionais agrárias e dos sindicatos, entre elas Asaja, COAG, UPA e Unión de Uniones, que se incorporarão aos protestos nos próximos dias. 

Na Grécia, continuaram pela terceira semana os bloqueios das principais rodovias. Na periferia de Salônica (norte), a segunda maior cidade grega, bloquearam durante algumas horas a rodovia que une essa cidade à capital, Atenas. Outro amplo grupo de agricultores da Grécia ocidental chegou com seus tratores até o porto de Igoumenitsa, o terceiro maior do país. 

Depois que a Comissão Europeia decidiu dar marcha ré em seu plano para diminuir em 50% o uso dos pesticidas, o vice-presidente executivo da CE para o Pacto Verde Europeu, Maroš Šefčovič, afirmou: “É importante não simplificar demasiadamente a situação porque, em meio aos problemas do setor agroalimentar, há pessoas para as quais o sistema funciona bem e outras que são deixadas para trás. Além disso, há aqueles que apoiam, aplicam e promovem as políticas sustentáveis desde o ponto de vista do meio ambiente e aqueles que necessitam de nossa ajuda para ser mais sustentáveis”.

Na Espanha, a associação de consumidores FACUA pediu ao governo do socialista Pedro Sánchez uma dupla etiquetagem dos produtos do campo com informação aos consumidores sobre o preço na origem junto ao de venda ao público. Várias organizações não governamentais do meio ambiente, como Greenpeace e SEO/BirdLife, apelaram a não retroceder nas políticas sobre o meio ambiente. 

Armando Tejeda | La Jornada, especial para Diálogos do Sul – Direitos reservados.
Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Armando G. Tejeda Mestre em Jornalismo pela Jornalismo na Universidade Autónoma de Madrid, foi colaborador do jornal El País, na seção Economia e Sociedade. Atualmente é correspondente do La Jornada na Espanha e membro do conselho editorial da revista Babab.

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