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Protestos no Panamá: povo vai às ruas pela revogação total de contrato com mineradora

Se as manifestações de julho de 2023 fora,m grandes, as atuais são ainda maiores: milhares de pessoas lotam as ruas a cada dia
Abdiel Rodríguez Reyes
Resumen LatinoAmericano
Cidade do Panamá

Tradução:

A via popular contra o contrato minerário

A rápida sanção da Lei 406, de 20 de outubro de 2023, foi a chama que incendiou o campo; e a alocução do presidente em 24 de outubro foi uma tentativa de apagá-la com gasolina. As demandas dos movimentos sociais contra a atividade mineradora no país espalharam-se como pólvora. Embora as manifestações tenham começado contra a assinatura da Lei 406, não sabemos onde terminarão. Já não se trata unicamente do contrato minerário.

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Pensávamos que as manifestações de julho do ano passado tinham sido grandes, mas as atuais são maiores: milhares de pessoas protestam nas ruas a cada dia. Aguçaram-se as contradições e diversos setores da sociedade compartilham o amargo sentimento de repúdio ao contrato e ao Governo. Tenha-se em conta que esta luta é contra um Governo, os partidos tradicionais e uma transnacional.

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Os grupos de poder econômicos e partidos tradicionais não propõem nenhuma alternativa. Estão focados em seus interesses: ganhar as próximas eleições e manter a taxa de lucro. O artigo 2 da Constituição Política da República do Panamá reza: “O Poder Público só emana do povo”. Com este critério, então, nos perguntamos qual é a via popular para sair da atual crise, detonada pela veloz aprovação da Lei 406.

A partir da intervenção do presidente aumentaram as detenções e o confronto nas ruas. E mais, diferentemente das revoltas do ano passado, onde o diálogo foi a saída, nestas circunstâncias seria reverter a Lei em questão e estabelecer uma moratória total de mineração.

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Aos defensores da mineração no Panamá só falta dizer que a mineração metálica a céu aberto é adubo orgânico para o solo. Há suficientes razões científicas para opor-se a uma atividade desse tipo por suas consequências negativas. A Fundação Ciência no Panamá indicou várias, como: contaminação do ar, águas próximas e subterrâneas, porcentagens elevadas de metais pesados nas pessoas, ameaça à soberania alimentar, disrupção social, entre outras afecções.

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Se as manifestações de julho de 2023 fora,m grandes, as atuais são ainda maiores: milhares de pessoas lotam as ruas a cada dia

Resumen Latinoamericano
Não se está discutindo tecnicamente o contrato em questão: o que está na mesa é sua rejeição total

O Governo não pode subestimar a capacidade auto-organizativa do povo, de organização popular fruto de não se aguentar mais os partidos tradicionais e da desconfiança das instituições públicas para dirimir as diferenças por meio de processos democráticos.

Aferrar-se ao discurso do poder: o direito ao livre trânsito e a propriedade privada acima de qualquer outro direito, dá pouca ou nenhuma margem de manobra ao Governo que, em lugar de resolver o problema o agrava com ameaças, repressão e criminalização do legítimo protesto social.

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Em julho do ano passado, depois de múltiplas manifestações pelas deterioradas condições de vida, fruto do alto custo do combustível e da pouca capacidade para resolver as demandas do povo, as alianças populares do país puderam sentar em uma mesma mesa com o Executivo.

Depois de várias reuniões chegou-se a vários acordos que, no entanto, não foram efetivos no tempo. Hoje estamos analogamente nas mesmas condições, com a agravante da Lei sancionada e no Diário Oficial. O povo nem esquece nem é bobo. Agora tem como antecedente a fatídica mesa única de diálogo.

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Tenhamos em conta que não se está discutindo tecnicamente o contrato em questão. O que está na mesa é sua rejeição total. O atual partido governante carregará o habitual desgaste de governar e das maiores manifestações das últimas décadas. As pesquisas indicam que está em baixa e só um milagre poderá garantir-lhes uma vitória nas próximas eleições. Quem tem maior possibilidade de vencer a disputa eleitoral bem próxima, não se diferencia ideologicamente do Governo atual.

Que opções restam? Por um lado, fala-se de derrogação e, por outro, declarar inconstitucional a Lei #406. Além disso, falou-se em um referendo nacional para decidir o futuro da mineração no Panamá, e está em discussão uma moratória total de mineração metálica a céu aberto.

Nos três cenários (derrogação, inconstitucionalidade, referendo) é importante a pressão social nas ruas. Quando o povo desperta, como dizem os zapatistas: “o povo manda e o Governo obedece”.

Abdiel Rodríguez Reyes | Resumen Latinoamericano
Tradução: Ana Corbisier


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Abdiel Rodríguez Reyes

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