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Putin denuncia intenção dos Estados Unidos de reduzir competição econômica europeia

Os exercícios militares que serão realizados pela OTAN indicam que a Aliança está se preparando para um conflito militar em grande escala
Redação Prensa Latina
Prensa Latina
Moscou

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O presidente russo, Vladimir Putin, denunciou hoje as intenções dos Estados Unidos de reduzir a capacidade de competição da economia europeia, ao impor sanções para impedir a conclusão do gasoduto Torrente Norte 2.

Putin indicou que as sanções unilaterais e extraterritoriais aplicadas por Washington contra companhias europeias participantes no referido projeto, buscam oferecer vantagens a empresas de gás de xisto estadunidenses para se colocarem no mercado europeu, comentou.

Isso obrigaria o Velho Continente a adquirir energéticos com um preço entre 20 e 30% acima do oferecido pela Rússia, com o que também se reduz a capacidade competitiva da economia europeia, considerou o chefe de Estado. 

Putin opinou que depois do acordo alcançado entre a Rússia e a Ucrânia para o trânsito de gás deste país pelo sistema de gasodutos da nação vizinha para os próximos cinco anos, deveriam ter sido suspensas as sanções estadunidenses contra Moscou, mas isso nunca aconteceu. 

Isso indica o verdadeiro propósito das restrições aplicadas pela Casa Branca, afirmou o mandatário russo, aludindo ao anunciado objetivo estadunidense de evitar o desaparecimento da Ucrânia como país de trânsito, após a entrada em funcionamento do Torrente Norte 2.

Após a aplicação de medidas draconianas pelos Estados Unidos contra empresas europeias envolvidas na conclusão do referido projeto, incluída a encarregada de depositar as tubulações no fundo do mar Báltico, Moscou anunciou a conclusão do gasoduto com recursos próprios. 

Em outra parte de sua entrevista à agência TASS, no formato televisivo “20 perguntas com Vladimir Putin”, o presidente russo reafirmou a vigência de seu discurso de 10 de fevereiro de 2007 na Conferência Internacional de Segurança de Munique.

“Quando considerei então inaceitável que um país como Estados Unidos pudesse estender o efeito de suas leis além de seu território, todo o Ocidente se aborreceu e criticou a Rússia por isso”, afirmou. 

No entanto, explicou, agora a Alemanha repete o mesmo no caso das sanções unilaterais estadunidenses contra companhias europeias, inclusive as germânicas, envolvidas no Torrente Norte 2, que deve levar gás da Rússia até a Alemanha, através do mar Báltico.

Por outro lado, Putin estimou que os Estados Unidos mantêm um controle externo da Ucrânia, imposto ali depois do golpe de estado, em fevereiro de 2014, mas busca que a Rússia financie em parte a economia do vizinho país, com pagamentos altos pelo trânsito de gás para a Europa. 

Os exercícios militares que serão realizados pela OTAN indicam que a Aliança está se preparando para um conflito militar em grande escala

Wikimedia Commons
Putin estimou que os Estados Unidos mantêm um controle externo da Ucrânia

EUA torna a preocupar o mundo com o alcance de exercícios militares

As ações militares dos Estados Unidos voltam a ser hoje objeto de preocupação da opinião pública mundial com a confirmação de exercícios próximos às fronteiras da Rússia, vistos como provocativos por analistas.

As autoridades estadunidenses ordenaram o deslocamento de 20 mil soldados na Europa para participar em uma manobra militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), chamada “Defender-Europe 20”.

Trata-se do maior desembarque de forças desse país no continente nos últimos 25 anos.

Os massivos exercícios serão realizados entre abril e junho, principalmente na Alemanha, Polônia e nos países bálticos e participarão em total uns 37 mil soldados de 18 nações.

De acordo com o diário Político, tais procedimentos despertam as inquietações de especialistas e da cidadania, pois se desenvolveriam majoritariamente no Leste do continente, nos países que alguma vez integraram o Pacto de Varsóvia.

Não há forma de que Moscou deixe de sentir-se cercado ou fustigado diante da execução de medidas similares, próximas aos seus limites, além do mais em momentos de questionamentos fortes sobre a capacidade de Washington para defender a Europa, o que querem desmentir a todo custo, referiu o comentarista Ben Schreckinger.

Em fevereiro, o chefe de gabinete das forças armadas russas, Valerij Gerasimov, declarou que os exercícios militares massivos realizados pelos países membros da OTAN indicam que a Aliança está se preparando para um conflito militar em grande escala.

Por sua parte, o chanceler russo, Sergei Lavrov, disse recentemente que “agora está claro que a OTAN não tem interesse em reduzir as tensões nas relações com a Rússia: os exercícios de Defender 2020 o demonstram”.

Prensa Latina, especial para Diálogos do Sul — Direitos reservados.

Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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