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Putin: Otan se esquece do que ocorreu quando Alemanha nazista tentou dominar o mundo

Presidente russo fez declaração na terça (9), no Dia da Vitória: “qualquer ideologia de supremacia é repugnante, criminosa, letal”, acrescentou
Juan Pablo Duch

Tradução:

A Rússia vencerá na guerra desatada contra ela, prometeu o presidente Vladimir Putin ao pronunciar um breve discurso na Praça Vermelha da capital russa antes de começar o desfile militar com que, a cada ano desde 1995, se comemora na Rússia a vitória sobre a Alemanha hitlerista na Grande Guerra Pátria, como se denomina aqui a Segunda Guerra Mundial, cujo 78º aniversário se cumpriu nesta terça-feira (9).

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“De novo, travam uma autêntica guerra contra nossa pátria. Mas soubemos derrotar o terrorismo internacional, vamos defender os habitantes do Donbass e poderemos garantir nossa segurança”, se comprometeu o titular do Kremlin e assinalou que a Rússia “não tem povos que considera inimigos nem hostis nem no Ocidente nem no Oriente”, e como a absoluta maioria dos países do mundo deseja “um futuro de paz, liberdade e estabilidade”. 

Ao se referir à sua “operação militar especial” na Ucrânia, o mandatário russo disse que “todo o país se orgulha de seus heróis”, dos quais “depende o futuro de nosso Estado”. Está convencido de que o “povo ucraniano vive uma catástrofe” ao ser “refém de um golpe de Estado e do regime criminoso que se instaurou, e de seus amos ocidentais”, para os quais “é simples moeda de troca para levar a cabo seus cruéis e lucrativos planos”. 

Putin, ao mesmo tempo, culpou os Estados Unidos e seus aliados de esquecer o que ocorreu quando a Alemanha hitlerista pretendeu conquistar o domínio mundial e desatou a guerra em 1939: “A ambição sem limites, a arrogância e a permissividade sempre terminam, queria ou não, em tragédia”, indicou.

Enfatizou que “qualquer ideologia de supremacia é por sua natureza repugnante, criminosa, letal. E apesar disso, as elites globalistas seguem defendendo sua exclusividade, contrapõem as pessoas e dividem as sociedades, provocam cruentes conflitos e golpes de Estado, semeiam o ódio, a russofobia e o nacionalismo agressivo”.

Presidente russo fez declaração na terça (9), no Dia da Vitória: “qualquer ideologia de supremacia é repugnante, criminosa, letal”, acrescentou

Foto: Ekaterina Shtukina/Kremlin
Putin, no fim do desfile militar do 78º aniversário da Vitória na Grande Guerra Patriótica.

Para Putin, o Ocidente quer “impor sua vontade, seus direitos, suas regras” e, em realidade, só busca manter “um sistema de saque, violência e opressão. (…) Parece ter esquecido o que conduziu a demencial aspiração dos nazistas ao domínio mundial, quem destruiu esse monstruoso e absoluto mal e quem não economizou vidas (27 milhões de soviéticos) em aras da libertação dos povos da Europa”.

Precisamente para sublinhar que a vitória se deveu ao sacrifício de todas as nações que povoaram a União Soviética, o Kremlin soube convencer a sete líderes de república ex-soviéticas – as outras sete parece que se distanciaram da Rússia para sempre – para que viessem ao desfile na capital russa. 

Sua presença surpreendeu quando há uns dias o porta-voz presidencial russo, Dmitry Peskov, informou que este ano não estava previsto convidar chefes de Estado estrangeiros por não ser uma data redonda e ao fato de que aqueles que vieram preferiram não encabeçar os atos comemorativos em seus respectivos países. 

Os líderes da Armênia, Bielorrúsia, Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Turcomenistão e Uzbequistão – mesmo assumindo uma posição neutra, salvo Minsk, respeito à situação na Ucrânia – estiveram nesta terça-feira nas tribunas da Praça Vermelha e acompanharam seu anfitrião Putin a depositar uma oferenda floral diante da Tumba do Soldado Desconhecido, ao lado das muralhas do Kremlin.

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Em meio a uma redobrada segurança na capital russa, para prevenir o que as autoridades consideram risco de sabotagem ou ataque do “regime de Kiev”, similar ao que dizem que se produziu com os dois drone derrubados em data recente sobre o céu do centro político da Rússia, o programa dos atos comemorativos neste ano teve omissões significativas como o cancelamento da tradicional recepção no Grande Palácio do Kremlin e a suspensão do chamado regimento imortal, a marcha multitudinária pelas ruas de Moscou na qual familiares costumam portar grande fotografias de seus antepassados mortos na guerra. 

O desfile militar durou menos do que o habitual e, diferentemente de edições anteriores, o exército russo não fez gala de armamento inovador, limitando-se a mostrar os já conhecidos sistema de lançamento múltiplo de foguetes Iskander, o míssil balístico estratégico intercontinental Yar e um modificado veículo blindado para infantaria Ajmad, que leva a nome do governante da Chechênia, Ramzan Kadyrov, embora o locutor que anunciava os participantes do desfile na Praça Vermelha evitou mencioná-lo.

Marcharam cerca de 8 mil soldados (três mil menos que no ano anterior) e pôde-se ver um tanque T-34 da época estalinista com bandeira vermelha, que abriu a mostra de armamento, mas brilharam por sua ausência os mísseis hipersônicos e os tanques T-90M, T-72MZ e T-14 Armata, entre outras modalidades do arsenal russo. Tampouco houve exibição de aviões estratégicos, bombardeiros e helicópteros artilhados, apesar do excelente tempo.

A respeito das novas armas, já no ano passado as contas pró russas questionavam nas redes sociais: porque todas essas maravilhas não estão nos campos de batalha? Pergunta que, na opinião de especialistas, agora menos queria responder o Kremlin e o cancelamento da mostra aérea é atribuída ao perigo de que o aparecimento repentino de um drone pudesse provocar um acidente de magnitude sobre a própria Praça Vermelha.

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Entre o público que assistiu por estrito convite, se informou que cerca de meio milhão chegou especialmente desde o front na Ucrânia e chamou a atenção que o locutor, que não mencionou o grupo Wagner nem outros batalhões de mercenários, referiu-se a eles como “combatentes dos destacamentos de assalto”, seguindo o exemplo dos reportes de guerra diários do Ministério da Defesa russo. 

Aliás, o dono do Grupo Wagner, Yevgueni Prigozhin, confirmou que seus mercenários não abandonaram ainda suas posições em Bakhmut, a cidade ucraniana que tentam tomar há meses. 

“Não nos iremos de Bakhmut (às 00:00 horas desta quarta-feira), insistiremos alguns dias mais, seguiremos lutando e depois se verá”, informou em um vídeo em seu canal de Telegram. Após dizer que no domingo anterior o exército lhe prometeu enviar todo o necessário para seguir combatendona região, se queixou de que “só recebemos 10% do que pedimos”. 

E de novo acusou à cúpula militar: “Nos enganaram de modo descarado” e, ademais, na segunda-feira “nos enviaram uma ordem de combate que diz claramente que o abandono das posições será interpretado como traição à pátria”. 

Prigozhin tornou a desafiar: “Se não temos munições, vamos abandonar nossas posições e gostaríamos que nos respondessem quem é o verdadeiro traidor”. E ele mesmo respondeu: “Possivelmente seja o que firmou essa ordem”, em alusão ao chefe do Estado Maior do Exército e comandante-chefe da campanha na Ucrânia, Valeri Guerasimov.

Juan Pablo Duch | La Jornada, especial para Diálogos do Sul – Direitos reservados.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Juan Pablo Duch Correspondente do La Jornada em Moscou.

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