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Putin: Retomar pacto nuclear demanda avaliar armas de membros da Otan, não só dos EUA

“Sabemos que muitas armas dos EUA são já obsoletas e querem desenvolver novas", comentou o presidente russo ao explicar suspenção do Start III
Juan Pablo Duch
La Jornada
Moscou

Tradução:

A Rússia não se retira, mas suspende temporariamente sua participação no Tratado START-III, o último convênio de limitação de armamento nuclear ofensivo vigente com os Estados Unidos até 2026, anunciou nesta terça-feira (21) o presidente Vladimir Putin ao apresentar seu informe de governo ante os legisladores das duas câmaras do Parlamento federal.

Com este anúncio, a Rússia declara que tem as mãos livres para desenvolver qualquer tipo de armas nucleares e para realizar os respectivos ensaios, mas assegura que não será a primeira a fazê-lo.

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“Sabemos que muitas armas dos EUA são já obsoletas e querem desenvolver novas e conhecemos sua intenção de levar a cabo ensaios nucleares”, disse Putin, avisando: “Se o fazem, nós também o faremos”. 

Há muito tempo não se levam a cabo inspeções dos arsenais, um dos aspectos fundamentais do tratado, primeiro pela pandemia de Covid e depois por falta de reciprocidade quanto a facilidades para a delegação russa devido às sanções ocidentais

Agora, Putin especificou que não serão permitidas inspeções dos Estados Unidos até que se aceite negociar todo o potencial nuclear da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que inclui também os arsenais da Grã Bretanha e França, “os quais apontam igualmente contra a Rússia”, indicou. 

“Sabemos que muitas armas dos EUA são já obsoletas e querem desenvolver novas", comentou o presidente russo ao explicar suspenção do Start III

Kremlin
Putin: “Ocidente pretende infligir uma derrota estratégica à Rússia, mas devem saber que é impossível nos vencer nos campos de batalha"




Expectativas frustradas

O informe de governo – que o mandatário russo deve apresentar a cada ano, mas o anterior está datado de abril de 2001 – não satisfez as expectativas que havia gerado a três dias de cumprir-se um ano da guerra na Ucrânia. 

Não se cumpriu nenhum dos vaticínios que dominaram as mentes dos analistas na véspera, entre os principais: Putin não fechou as fronteiras da Rússia, não decretou uma mobilização geral da população, não ameaçou dar um golpe nuclear tático no caso de se produzir uma ofensiva ucraniana, não efetuou mudanças na cúpula do exército ou na composição do governo, não incorporou à Federação Russa as duas regiões da Geórgia que se declararam independentes (Abjazia e Ossétia do Sul), e tampouco propôs à Ucrânia iniciar negociações de paz sob as condições fixadas pelo Kremlin.

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Ao invés disso, declarou que a Rússia “tem o legítimo direito de ser forte” e que não permitirá que “ninguém rompa o equilíbrio estratégico no mundo”, além de lança uma advertência: 

“Algo deve ficar claro a todos: quanto maior seja o alcance do armamento fornecido à Ucrânia, mais nos veremos obrigados a afastar de nossas fronteiras a ameaça”, em alusão ao fato de a operação militar não se limitar a “liberar por completo” as quatro regiões ucranianas anexadas em setembro passado e que pode se estender a qualquer outra parte do vizinho país eslavo.


Defesa das pessoas

De acordo com o mandatário russo, “decidiu-se começar a operação militar especial para defender as pessoas em nossas terras históricas, para garantir a segurança do nosso país, para liquidar o perigo que emanava do regime neonazista que se formou na Ucrânia depois do golpe de Estado em 2014”. 

Ao dar a entender que não restou mais remédio que se antecipar, assevera que “a ameaça crescia a cada dia e, para fevereiro de 2022, tínhamos informação de que o regime de Kiev, que em 2014 lançou a artilharia, os tanques, os aviões contra o Donbass, tinha tudo pronto para começar uma nova campanha punitiva e sangrenta”. 

Um ano depois de iniciada a invasão, o chefe do executivo russo destacou dois êxitos conseguidos com “o heroísmo de nossos combatentes”: que o mar de Azov “já é um mar interno da Rússia” e que “temos um corredor terrestre que une a península da Criméia com o resto do país”.


“Não começamos a guerra”

O titular do Kremlin reiterou: “nós não começamos a guerra, foram eles (EUA e seus aliados, assim como o governo da Ucrânia), nós recorremos à força e seguiremos fazendo-o para pará-los”. E, por esse motivo, a “operação militar especial” continuará “pelo tempo que faltar”. 

Para Putin, “o povo da Ucrânia é refém do regime neonazista e de seus patrões estrangeiros que de fato ocuparam esse país no sentido político, militar e econômico (…) e só utilizam a população como simples carne de canhão”. 

Recordou que nos anos trinta do século passado, o Ocidente abriu o caminho para que os nazistas chegassem ao poder. “Agora querem fazer da Ucrânia uma ‘anti-Rússia’ (…) e, para sustentar e armar o regime de Kiev, (EUA e seus aliados) gastaram já 150 bilhões de dólares, enquanto enviaram aos países mais pobres ajuda por 60 bilhões”.

Putin concluiu que “as elites ocidentais pretendem infligir uma derrota estratégica à Rússia, acabar com ela de uma vez por todas, mas devem saber que é impossível nos vencer nos campos de batalha”.

Juan Pablo Duch | Correspondente do La Jornada em Moscou.
Tradução: Beatriz Cannabrava.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Juan Pablo Duch Correspondente do La Jornada em Moscou.

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