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Putin tem razão! Mídia mente sobre ameaça nuclear russa

Em discurso, presidente russo destaca “hipocrisia” dos EUA e acusa Europa — no caso Macron — de mentir para desestabilizar Rússia
Vanessa Martina-Silva
Diálogos do Sul
Paraty

Tradução:

Em histeria! A Rússia não ameaçou atacar a Europa ou qualquer outra região com bombas atômicas. O fato é que o mal chamado Ocidente (neste caso Estados Unidos e Europa) está acostumado a gerar factoides para tentar faturar politicamente em cima deles. Esse é o caso da fala do presidente francês Emmanuel Macron na última segunda-feira (27), durante reunião convocada por ele para discutir apoio à Ucrânia: 

“Não há consenso para apoiar oficialmente tropas no terreno. Dito isto, nada deve ser excluído. Faremos tudo o que pudermos para garantirmos que a Rússia não prevalece”, disse. Ele garantiu que uma vez conquistados os territórios ucranianos, haveria uma expansão russa sobre a Europa e destacou que: “a Rússia representa um grande perigo”. 

Por que isso é um factoide? Porque nenhum outro líder do mundo endossou a ameaça de Macron. Isso poderia ser apenas uma nota de rodapé na geopolítica mundial, não fosse a pronta resposta russa, sinalizando que não está disposta a aceitar esse tipo de provocação e muito menos desculpas do tipo: “foi mal, tava doidão”. 

A imprensa, porém resolveu fazer da resposta — pertinente — do presidente russo, Vladimir Putin, uma ameaça ao Ocidente. 

Vamos aos fatos. 

Em seu discurso anual diante da Duma (Parlamento russo) e do Conselho da Federação, Putin disse que “forças nucleares estratégicas estão em um estado de total prontidão para uso seguro”. Essa seria a ameaça? Oras, o que vem na sequência é uma explanação sobre o complexo hipersônico Kinzal e o míssil de cruzeiro Zircon, que estão sendo utilizados na Ucrânia. Embora POSSAM carregar ogivas nucleares, isso não está ocorrendo. 

Pelo princípio das relações internacionais, se compreende que o potencial de destruição das armas nucleares faz com que elas sejam uma ferramenta de “defesa”, de dissuasão de seu uso contra um país que detenha essa tecnologia já que uma resposta poderia, efetivamente, nos levar à extinção da espécie. Esse é o tom do alerta de Putin. 

Imediatamente após citar os avanços na área de tecnologia militar, o líder russo adverte que seu país está pronto para “dialogar com os Estados Unidos sobre questões de estabilidade estratégica”, mas alerta para a hipocrisia estadunidense: 

“Aqui está o que eu gostaria de enfatizar (…) para que todos me entendam corretamente: neste caso, estamos lidando com um Estado cujos círculos governantes estão tomando atitudes abertamente hostis contra nós. E daí? Será que eles vão discutir seriamente conosco questões de estabilidade estratégica e, ao mesmo tempo, tentar infligir, como eles mesmos dizem, uma derrota estratégica à Rússia no campo de batalha?”. 

E, segundo Putin, seguem as mentiras criadas para atacar a Rússia:   

Neste caso, ele evidencia, que as alegações de que a Rússia estaria colocando armas nucleares no espaço são “falsidades, uma manobra para nos arrastar para negociações em termos favoráveis exclusivamente aos Estados Unidos”. E segue explicando que, enquanto difundem esse tipo de informação, os EUA estão, há 15 anos, bloqueando a discussão apresentada pela Rússia em 2008 para impedir a colocação de armas no espaço. 

Diversionismo? Para o russo, sim: 

“Entendemos que o Ocidente está tentando nos arrastar para uma corrida armamentista, para assim, nos esgotar, repetindo o truque bem-sucedido nos anos 1980 com a União Soviética. (…) De 1981 a 1988, os gastos militares da URSS chegaram a 13% do Produto Interno Bruto”. 

A real ameaça

O que de fato preocupa e motiva a Rússia a manter o desenvolvimento de armas e tecnologia militar é a expansão da Aliança do Tratado Atlântico Norte (Otan) para o Leste. Foi essa ameaça que motivou a ação militar na Ucrânia. Longe de deter esse avanço, no entanto, o Ocidente tem dobrado a aposta com a adesão de Finlândia e Suécia à aliança. 

“O Ocidente provocou os conflitos na Ucrânia, no Oriente Médio e em outras regiões do mundo e continua a mentir”, disse, em alusão à cartada de Macron. E segue: 

“Agora, sem ter vergonha, eles declaram que a Rússia supostamente vai atacar a Europa. Isso é apenas — nós entendemos — um tipo de delírio. […] Eles [o Ocidente], começaram a falar sobre a possibilidade de enviar tropas da Otan para a Ucrânia. Mas lembremos do destino daqueles que em algum momento enviaram soldados para nosso país”, disse, em referência ao francês Napoleão Bonaparte e ao alemão Adolf Hitler, ambos derrotados. 

É aí que vem o alerta para a gravidade da sugestão de Macron: 

“Agora as consequências para os possíveis intervencionistas serão muito mais trágicas. Eles precisam finalmente entender que também temos armas […] que podem atingir alvos no território deles”. 

“E tudo o que eles estão inventando agora, como estão assustando o mundo inteiro, — tudo isso realmente ameaça um conflito com o uso de armas nucleares, e, portanto, a destruição da civilização – eles compreendem isso, ou não?”. 

 Ou seja, uma ação da Otan na Ucrânia, entendida pela Rússia como uma agressão direta à sua existência, poderia levar o país eurasiático a usar armas nucleares, com consequências devastadoras para a humanidade. Isso é um alerta do tipo “parem de blefar” com algo tão sério, não uma ameaça. 

O alerta segue: 

“Essas pessoas não passaram por provações difíceis — elas já esqueceram do que é a guerra. Nós, até mesmo nossa geração atual, passamos por provações difíceis durante a luta contra o terrorismo internacional no Cáucaso, e agora está acontecendo a mesma coisa no contexto do conflito na Ucrânia. Mas eles acham que tudo isso é um tipo de desenho animado.” 

Apenas durante a Segunda Guerra Mundial, a União Soviética perdeu aproximadamente 26 milhões de pessoas, enquanto os mortos durante o conflito na Ucrânia pode chegar a 700 mil. Não, não é um desenho animado.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Em discurso, presidente russo destaca “hipocrisia” dos EUA e acusa Europa — no caso Macron — de mentir para desestabilizar Rússia

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Putin tem sido apontado como um "senhor da guerra" por seus inimigos.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul.
Vanessa Martina-Silva Trabalha há mais de dez anos com produção diária de conteúdo, sendo sete para portais na internet e um em comunicação corporativa, além de frilas para revistas. Vem construindo carreira em veículos independentes, por acreditar na função social do jornalismo e no seu papel transformador, em contraposição à notícia-mercadoria. Fez coberturas internacionais, incluindo: Primárias na Argentina (2011), pós-golpe no Paraguai (2012), Eleições na Venezuela (com Hugo Chávez (2012) e Nicolás Maduro (2013)); implementação da Lei de Meios na Argentina (2012); eleições argentinas no primeiro e segundo turnos (2015).

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