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Quase mil veículos multados pela PRF em bloqueios golpistas são de empresas privadas

Em dezembro, Moraes iniciou uma ofensiva contra os responsáveis pelos atos nas vias do país, com ações como bloqueio de bens e de perfis na internet
Paulo Motoryn
Brasil de Fato
Brasília (DF)

Tradução:

Empresas privadas são donas de pelo menos 976 veículos multados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) em bloqueios golpistas nas estradas, promovidos por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) desde as eleições de outubro, quando o presidente Lula (PT) foi eleito pelo voto popular.

O Brasil de Fato fez o levantamento a partir de informações disponibilizadas pela PRF via Lei de Acesso à Informação (LAI), disponíveis na plataforma Consulta E-SIC. O documento analisado cita dados como nome do proprietário, modelo do veículo, placa, hora, local e gravidade da infração.

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Ao todo, foram aplicadas 5.917 multas de 30 de outubro até 14 de dezembro de 2022 para veículos como motocicletas, caminhões, caminhonetes, carros e até tratores, em estradas federais de todas as regiões brasileiras. Entre as infrações, estão o bloqueio de rodovias e acostamentos.

Para chegar ao número de 976 veículos de empresas privadas envolvidos nos atos golpistas, a reportagem utilizou a seguinte metodologia: buscou as expressões “LTDA” e “Eireli” no campo em que consta o nome dos proprietários dos automóveis. Com a primeira denominação, foram localizadas 801 multas na base de dados e, com a segunda, 175.

Clique aqui e faça o download do documento que lista os proprietários de veículos envolvidos nos bloqueios de estradas. Para encontrar os nomes das empresas citadas, repita o procedimento descrito no parágrafo anterior.

Em dezembro, Moraes iniciou uma ofensiva contra os responsáveis pelos atos nas vias do país, com ações como bloqueio de bens e de perfis na internet

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Depois dos bloqueios nas estradas federais, os golpistas mudaram a estratégia e montaram acampamentos em frente a quartéis do país




Localizar financiadores

O elevado número de empresas entre as proprietárias dos veículos é um dos elementos que pode guiar as autoridades policiais e o Poder Judiciário a localizar financiadores dos atos golpistas, que culminaram com cenas de invasão do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal (STF) e o Palácio do Planalto, no domingo (8).

Depois dos bloqueios nas estradas federais, os golpistas mudaram a estratégia e montaram acampamentos em frente a quartéis do Exército em diversas cidades do país. O mais importante deles, em Brasília (DF), sediou reuniões em que terroristas planejaram explodir uma bomba nos arredores do Aeroporto Juscelino Kubitschek, na capital federal.

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Em dezembro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes iniciou uma ofensiva contra os responsáveis pelos atos nas estradas, com ações como bloqueios de contas bancárias e de 168 perfis em redes sociais de dezenas de empresários bolsonaristas suspeitos de financiar atos antidemocráticos.

A decisão ocorreu no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 519, que também chegou a autorizar mais de 100 mandados de busca e apreensão contra extremistas acusados de financiar e organizar atos como a obstrução de rodovias e acampamentos em frente a quartéis das Forças Armadas.

A apuração do financiamento dos atos golpistas é uma das prioridades do ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, de acordo com declarações feitas após a invasão da sede dos Três Poderes. “Já identificamos todos os ônibus que se dirigiram a Brasília e todos os financiadores de tais ônibus. Quem financia crime, criminoso é”, disse o ministro.

Paulo Motoryn | Brasil de Fato | Brasília (DF)
Edição: Glauco Faria


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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